Aniquilacionismo e Sono da Alma X A Sábia Óptica de Salomão Sobre a Vida Após a Morte

O aniquilacionismo tem sido uma das heresias mais destacadas nos movimentos sectários. Esse nome vem do latim nihil, 'nada' , segundo essa teoria, o homem ímpio será finalmente reduzido a nada. Esse mesmo conceito é refletido em alguns contextos da filosofia oriental. Algumas religiões pagãs supõem que a alma humana é absorvida e portanto, deixa de existir sua individualidade.

O estado dos mortos e o destino dos ímpios têm sido outro alvo de questionamentos. Alguns afirmam que os mortos estão inconscientes até o arrebatamento ou até o juízo final. Somente após o juízo serão lançados no lago de fogo e durarão nesse tormento proporcionalmente aos seus pecados e então deixaram de existir ou seja, serão aniquilados. Para justificar tais afirmações, usam alguns versículos no livro de Eclesiastes.

Consideremos os versículos citados:

Eclesiastes 3.19,20 e 21: Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?

Eclesiastes 9.5,10: Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento.

Afirmam, usando esses versículos que o homem é semelhante ao animal em sua morte, e em sua condição após a morte. Seria realmente isso o que está sendo declarado nesses versículos? O contexto do livro de Eclesiastes concorda com essa exposição? Inicialmente podemos observar que existem outros versículos que fazem comparações que não são comentadas pelas seitas. Vejamos alguns:

Os seguintes versículos são omitidos em suas considerações: Ec 2.14-16; 6.6; 8.10; 9.2; porque? Que verdades encontramos nesses versículos que lançam luz na interpretação dos primeiros versículos citados?

Lemos na Palavra de Deus: 

Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; também, então, entendi eu que o mesmo lhe sucede a todos. Pelo que eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim; por que, então, busquei eu mais a sabedoria? Então, disse no meu coração que também isso era vaidade. Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo nos dias futuros total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo! (Ec 2.14-16)

Diante de uma expectativa ampla de vida, Salomão concluiu: 

E certamente, ainda que vivesse duas vezes mil anos, mas não gozasse o bem, não vão todos para um mesmo lugar? (6.6)

Assim também vi os ímpios sepultados, e eis que havia quem fosse à sua sepultura; e os que fizeram bem e saíam do lugar santo foram esquecidos na cidade; também isso é vaidade. (8.10)

Também escreveu Salomão: 

Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme ao julgamento. (9.22)

Concordam os sectários com as implicações desses versículos? Ao considerarem suas únicas citações (Ec 3.19,20; 9.5,10) porque não usam o mesmo princípio de interpretação nos demais textos? Quê interpretação temos dos demais versículos e como isso esclarece esses versículos aparentemente difíceis?

'O mesmo sucede a todos'. 'E como morre o sábio, assim morre o tolo!' 'Não vão todos para o mesmo lugar?' 'O mesmo sucede...' Se lermos esses versículos numa perspectiva eterna isso entrará em conflito com as demais Escrituras. Concordaria alguma seita que tais comparações foram feitas indicando que sucederá eternamente a mesma coisa a todos? Haveria alguma outra informação que esclareceria quê perspectiva tinha Salomão em mente?

Consideremos os versículos chaves que identificam a perspectiva de Salomão. Ec 1.3,9,14; 2.11,17,18,19, 20, 22; 3.16; 4.1,3,7,15; 5.13,18; 6.1,12; 8.9,15,17; 9.3,6,9,11,13; 10.5, aparece a expressão debaixo do sol. E nos seguintes versículos aparecem a expressão debaixo do céu: Ec 1.13; 2.3; 3.1. Salomão usa 27 vezes a expressão debaixo do sol e 3 vezes debaixo do céu. Essas expressões totalizam 30 vezes. Teria Salomão citado repetidamente essas expressões sem nenhum propósito? Ou estava enfatizando que sua perspectiva sob o céu ou sol, seria uma perspectiva secularizada que visava refletir conceitos céticos e conduzi-los à uma conclusão piedosa?

Salomão costumava pregar para multidões (Ec 1.1), também recebia ilustres visitantes de todas as nações para ouvi-lo (Mt 12.42). Nessa pregação Salomão discursa sob uma perspectiva debaixo do sol ou debaixo do céu. O pregador demonstra que o dia-a-dia retrata uma condição miserável em que a humanidade se encontra, onde a injustiça parece predominar.

Salomão enfaticamente, cerca de 30 vezes , alerta que está relatando sua observação nas eventualidades sob o sol, excluindo, portanto, a realidade além do céu ou sol! Não poderia o livro de Eclesiastes ter sido escrito precisamente para despertar os materialistas que aquilo que eles conseguem ver não retrata a realidade eterna?

É exatamente isto que Salomão faz no último capítulo 12.13,14: De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque este é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra e até tudo o que esta encoberto, quer seja bom quer seja mau.

Quando um ateu, um cético, ao observar a violência e injustiça; verifica que pessoas justas podem ser injustiçadas e pessoas injustas prevalecem, isso leva a tais a criticar a existência de Deus e a veracidade de suas leis e promessas. Contudo, Salomão chama atenção para que vêem além das aparências, não se apeguem ao fim comum que todo homem e animal têm em comum: a morte e seu enterro ou decomposição; mas atentem para a sabedoria! Haverá restituição após a morte! Deus há de trazer a juízo! Também toda a Escritura é unânime quanto ao juízo final! Lemos em Hebreus 9.27: 

E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo.

Alguns detalhes dos textos que merecem atenção.

Em Ec 3.21, Salomão pergunta se o fôlego do homem sobe ou desce. Mas ele mesmo responde no capítulo 12.7: E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.

Tanto Adventista do Sétimo Dia, quanto as Testemunhas-de-Jeová, usam esses versículos (Ec 9. 5,6) para advogarem o sono da alma e aniquilação. Lemos no texto: Mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tem mais recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento.

Em relação a quê os mortos não sabem coisa alguma? O versículo 6 responde: em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. Salomão não está referindo-se a condição pós túmulo. Ele está dizendo que, por exemplo, o ambicioso e egoísta, não terá ciência do destino e uso de seus bens após a morte. O que o homem sabe, o que administra e como administra está condicionado apenas a realidade humana. Ele não terá, após a morte, acesso a recompensa material do trabalho de suas mãos.

Contudo, receberá de Deus, após a morte, ou a vida eterna, ou a morte eterna. 

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego (Romanos 2.5-10). Haverá, concordemente recompensa no por vir.

Conclusão

Claramente vemos no contexto do Livro de Eclesiastes a mesma doutrina que encontramos nas demais Escrituras. 

1. Neste mundo o homem sofre adversidades, isso inclui até mesmo o justo padecer e o ímpio florescer. (Ec 2.14-16)

2. Embora os eventos aparentemente sejam os mesmos, assim como morre um animal, morre o homem; assim como morre um justo, morre o ímpio, isso não deve levar o homem a ser descompromissado. (Ec 6.6)

3. Salomão enfatiza que seu discurso refere-se às observações 'debaixo do sol', portanto não está negando a condição dos mortos; ele restringe sua visão à perspectiva terrena. Na conclusão de seu discurso ele ultrapassa as fronteiras materiais, retirando o véu, e aponta para o Dia do Juízo.

4. Haverá uma prestação de contas - após a morte. (Ec 12.7,13,14; Rm 2.5-10)

5. A morte física entre homens e animais é semelhante, segundo uma observação natural. Mas a constituição do homem é diferente, pois tem espírito (Ec 12.7) e responderá diante de Deus (Ec 12.13,14)

© Márcio Souza

DOMINGO - Dia do Senhor ou Dia do Sol?

INTRODUÇÃO

Sabemos que controvérsias têm sido uma constante no universo protestante. Isto porque, recebemos o legado dos reformadores de não submetermos a nossa fé a nada alem daquilo que as escrituras dizem (I Cor. 6:4), daí o conhecidíssimo lema protestante de “sola escriptura”.

Entretanto, há certos fatos polêmicos que geram não poucas divergências dentro do nosso contexto religioso, e divergências de tal monta que chegam a implicar e ser o divisor de águas entre o ortodoxo e o herético. Um desses fatos tem a ver com o primeiro dia da semana comumente conhecido como: Domingo. Visto grosso modo, a questão pode parecer um tanto quanto trivial, mas não é.

O domingo tem sido alvo de ferozes ataques de grupos extremistas dentro da cristandade, conhecidos mormente como sabatistas, destacando em especial os Adventistas do Sétimo Dia e suas mais variadas facções, haja vista, a enorme quantidade de literaturas que são produzida por estas seitas a fim de tratarem do tema.

Ante tal complexa questão teológica, qual o veredicto a ser dado? O domingo ou o sábado, qual e o dia do Senhor afinal ? O domingo e realmente pagão? Quem adora a Deus no Domingo esta selado com a marca da besta?

Para responder estas e outras perguntas e dar uma resposta sólida aos antagonistas do domingo, forneceremos subsídios para realçar o ponto de vista conservador seguido através dos séculos pelo cristianismo histórico-ortodoxo.

O ALIBI ADVENTISTA

Os adventistas no afã de defender o sábado judaico em detrimento do domingo usam de argumentos ardilosos e desonestos, entrementes apelam para a historia com o fito de angariar apoio para suas teorias, contudo ledo engano!

A principio, todos os adventistas rezam pela mesma cartilha, qual seja, alegando que o domingo e um dia pagão, outrossim, para achar suporte à tão descabida acusação chegam a distorcer fatos históricos importantes que se levados em conta desmantelariam por completo o arcabouço levantado por eles.

Via de regra tais acusações se baseiam apenas em conjeturas. A simples assertiva de que os pagãos possuíam o primeiro dia da semana como dia do sol, dedicado ao deus Mitra, bem como uma suposta apostasia da igreja já e prova mais do que suficiente para eles de que o domingo que os cristãos tem hoje como dia de descanso dedicado a Cristo, nada mais e do que uma pratica pagã cristianizada pela igreja de Roma, e então anatematizam os cristãos que tem o domingo como dia do senhor, por estar adorando a Deus num dia espúrio.

Estes foram os pressupostos que levaram o teólogo adventista Samuele Bacchiocchi, a ostentar em ser o primeiro não católico a defender tese e se formar na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. (Uma instituição católica romana), posteriormente este trabalho deu origem ao livro “Do Sábado Para o Domingo”, sendo atualmente o que há de melhor na literatura adventista a respeito do assunto. Todavia e interessante frisar que Bacchiocchi escolheu ter seu trabalho associado a uma instituição que a Igreja Adventista vê como "A besta do Apocalipse", e a razão é óbvia, ou seja, provar que o Papa mudou o sábado como Ellen G. White, a profetisa inspirada dos adventistas declarava. Assim Bacchiocchi precisa estabelecer desesperadamente que o Papa mudou o sábado para o domingo porque sem esta ligação, Ellen G. White fica desmascarada como falso profeta. O interessante e que os adventistas condenam todas as outras reivindicações que a igreja Católica faz, com exceção justamente desta, de ter mudado o sábado para o domingo.

Não vamos aqui refutar todas as especulações teológicas de Bacchiocchi, pois ultrapassaria o escopo deste assunto, no entanto nos deteremos apenas no que tange a acusação de paganismo.

SOFISMAS DE BACCHIOCCHI

Bacchiocchi afirma que a razão por que a igreja de Roma adotara o domingo como o dia cristão de adoração, em vez do Sábado, era porque o dia pagão chamado “Dia do Sol” na semana planetária, já tinha ganhado significação especial nos cultos solares do paganismo, e adotando este dia os cristãos pôde explorar o simbolismo de Cristo como sol da justiça que já estava presentes na própria tradição religiosa deles.


REFUTAÇAO:

Entrementes, Bacchiocchi peca em não levar em conta a resistência a praticas pagãs no cristianismo primitivo, particularmente contra o gnosticismo. Veja por exemplo Tertuliano, que se separou da igreja de Roma e era um árduo defensor do domingo. Se o bispo de Roma estivesse impondo praticas pagãs aos cristãos, certamente ele seria um dos primeiros a denunciar isto e em contra partida se abster de tal pratica. Mas não o fez pelo simples fato do domingo ser um dia sagrado desde os tempos apostólicos.

É verdade que, tempos depois, alguns lideres cristãos exploraram o simbolismo do dia pagão, mas ter adotado o dia pagão do sol de fato como o dia cristão de adoração porque era proeminente nos cultos pagãos do deus sol realmente teria sido um passo muito corajoso. Até mesmo se a igreja de Roma tivesse dado este passo, fica mais inexplicável até mesmo que o resto da igreja seguiu sem nenhuma objeção. Ele mesmo admite isso quando afirma que:

“A associação entre o domingo Cristão e a reverência pagã do dia do Sol não é explícita antes do tempo de Eusébio (260-340 D.C). Embora Cristo seja referido freqüentemente pelos Pais primitivos como “Verdadeira Luz” e “ Sol da Justiça”, nenhuma tentativa deliberada foi feita antes de Eusébio para justificar a observância do domingo por meio da simbologia do dia do Sol". (Do Sábado para domingo, p 261, por Samuele Bacchiocchi). 

Note, ele mesmo admite que não há nenhuma documentação histórica antes de 260 D.C. Em outras palavras, admite que não há nenhuma prova direta somente suposições.

Novamente Bacchiocchi provê um paralelo: a celebração de Natal no dia 25 dezembro derivado do culto do sol que foi promovido pela igreja de Roma. Mas este paralelo veio depois de Constantino quando influências pagãs no meio cristão estavam assaz avançadas, e sabemos que essa Igreja não teve êxito impondo esta inovação universalmente ao longo das igrejas orientais como se nota ainda hoje.

O problema com esta tese e que não se coaduna com os fatos, pois cada dia da semana foi nomeado em honra a algum deus e, em certo sentido, foi dedicado à adoração daquele deus, A semana planetária egípcia indicava os dias através das designações dos astros: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua. Na semana romana Saturnus, ainda com a imitação da semana egípcia, seria o sábado; Sol seria o domingo; Luna, a segunda-feira; Mars, a terça-feira; Mercurius, a quarta-feira; Juppiter, a quinta-feira; Vênus, a sexta-feira.

Dá-se, então, a influência judaica, cuja semana começava pelo dia sagrado sabbâtt, oriundo do babilônio sabattum, composto de sag, que significava "coração", ebat, "chegar ao fim"; a idéia era do "repouso do coração". Na semana romana, o Saturnus dies passou a sabbatum pela influência judaica. O calendário hebraico apresentava os dias, o Sabbatum, que era o mais importante, o dia sagrado, o sábado, o prima sabbati, secunda sabbati, tertia sabbati, quarta sabbati, quinta sabbati, sexta sabbati.

Com a chegada do Cristianismo, o primeiro dia foi dedicado ao Senhor, o dia do descanso, dies Domenicus. O sabbatum judaico, ironizado pelos romanos, que zombavam da circuncisão e do jejum, e já tendo perdido o valor religioso, passou ao último dia da semana. Assim ficou a semana no calendário romano: dies Domenicus / dies Lunae / dies Martis / dies Mercurii/ dies Jovis / dies Veneris / e o Sabbatum, o último dia.

Mas eles cessaram o trabalho nestes dias? Não; se eles os tivessem, teria detido a semana inteira. Eles observaram o domingo deixando de trabalhar? Não, realmente. Nunca tal coisa foi ensinada ou praticada pelos romanos. Eles não tiveram nenhum dia de descanso semanal. Escritores pagãos como Sêneca, Pérsio, Marcial, Juvenal criticavam e ridicularizavam o dia de descanso semanal dos judeus asseverando que era uma parte preciosa do tempo jogado fora! Observe o que diz Moule quanto a isso:


“Nas sociedades Pagãs não havia nenhum dia semanal de descanso, só os festivais pagãos a intervalos irregulares” (Moule, Nascimento do Novo Testamento, pág., 18 citado por Robert D. Brinsmead). 

Ainda Brinsmead citando Rordorf acrescenta:

“Nos primeiros séculos da história da Igreja até o tempo do Imperador Constantino não foi permitido aos cristãos observarem o domingo como um dia de repouso no qual lhes obrigavam, por causa do princípio, de se privar do trabalho. A razão para isto simplesmente era que ninguém no Império Romano inteiro, nenhum judeu, nem gregos, nem romanos, paravam o trabalho no domingo” (Willy Rordorf, domingo: A História do Dia de Repouso nos Primeiros Séculos da Igreja Cristã (Filadélfia: Westminster Press, 1968], pp. 154-55).

Recentes pesquisas apontam para o fato de que nenhuma celebração religiosa especial de qualquer um dos dias da semana pode ser mostrada em qualquer uma das religiões pagãs. Demais disso, nós sabemos que essa religião de mistério não rivalizava com o Cristianismo apenas em relação ao domingo mas se estendia a varias práticas, tais como: um deus-salvador que nasceu de uma virgem, morte e ressurreição, local reservado para culto, batismo, convicção em um julgamento final, castigo eterno para os maus, que o mundo seria destruído através do fogo, ritual com bebida cruenta, o que seria uma versão da santa ceia e muitas outras similaridades a ponto de muitos pais da igreja chamá-lo de “plagio satânico”. A respeito da santa ceia, Justino, o mártir, explica em sua "I Apologia" que os demônios (seguidores de Mitra), também usavam em suas iniciações os elementos da ceia acompanhados por palavras tal qual os cristãos faziam.

O Apologista o via como uma "transversão satânica dos mais sagrados rituais de sua religião" (Franz Cumont, The Mysteries od Mithra). Como bem expressou o célebre teólogo e erudito Dr.Robert H. Gundry em seu “Panorama do Novo Testamento”: “...o mais provável é que as religiões de mistérios é que tenham tomado por empréstimo certas idéias do cristianismo, e não vice-versa”. Pergunto: seria pagão o batismo e a santa ceia pelo fato do Mitraismo também usa-los em seus rituais? Concordariam com isto os adventistas? Claro que não! Mas então por que fazem exceção quanto ao domingo? Somente existe uma resposta satisfatória, desonestidade!

Se seguirmos a linha de raciocínio esposada por eles a coisa se complica posto que muitas praticas usadas pelos sabatistas tiveram suas replicas no paganismo, a titulo de ilustração podemos citar a cruz (logotipo da IASD), a árvore de natal que fora incentivada ate mesmo por Ellen G. White, e muitas outras doutrinas. Outrossim, o velho argumento do domingo ser chamado em inglês, sunday que traduzido quer dizer “dia do sol” não prevalece, pois eles teriam de revelar concomitantemente que sábado e´ saturday (dia de saturno) que também era um dos nomes variantes do deus sol. Como vimos, e verdade que em alguns idiomas o domingo é chamado de “dia do sol”, mas é também verdade que em outros ele é chamado de “dia da ressurreição”, assim temos em língua grega bizantina “anastasimós”, na língua russa “vosskresenije” na basca “igandea”. São todos nomes que significam a mesma coisa: “ressurreição”. Já em outras, o primeiro dia da semana – o domingo, é chamado de “dia do Senhor” como em grego “te kyriake hemera”, em irlandês “Dia domhnaigh” ou “na Domhnach”, em latim “dies dominica”, em italiano virou “domenica”, em francês “dimanche”, e em português “domingo”. As provas são por demais contundentes para serem negadas! Porque os nossos antagonistas não declaram isso em seus livros e folhetos ? Simplesmente por que isto complicaria e muito seus malabarismos!


CONTRADIÇÕES

Mutações de doutrinas é uma das características distintivas das seitas, o que era matéria de fé tempos atrás hoje já não e mais, a IASD de modo algum se constitue em exceção. Foi assim com a doutrina do santuário, com o calculo da volta de Cristo que demonstrou ser um verdadeiro anacronismo e mais recentemente devido às pesquisas históricas de Bacchiocchi, muitas crenças sobre a lei e a mudança da guarda dominical tem sido abandonadas. Por exemplo, foi crido por anos entre os adventistas e ensinado por sua “profetisa inspirada”, que originalmente o Papa havia começado a adoração no domingo, depois ela achou que não foi bem assim e disse que o Imperador Constantino introduziu a “adoração” no domingo em 325 DC. Hoje porem, os adventistas culpam o imperador Adriano (135 D.C) e não mais o Papa ou Constantino! O pior de tudo e que essas contradições são mascaradas com o conhecidíssimo chavão: “verdade presente”, uma variante da expressão “lampejos de luz”, usada pelas Testemunhas de Jeová com o fito de dissimular suas vergonhosas incoerências doutrinarias!

Samuele Bacchiocchi, escreveu em uma mensagem de E-mail à “lista de clientes” católica Grátis catholic@american.edu no dia 8 de fevereiro de1997 dizendo:

“Eu difiro de Ellen White, por exemplo, na origem do domingo. Ela ensinava que nos primeiros séculos todos os cristãos observaram o Sábado e era em grande parte pelos esforços de Constantino que a guarda do domingo foi adotado por muitos cristãos no quarto século. Minha pesquisa mostra ao contrário. Se você lesse minha composição “Como a Guarda do Domingo Começou?” que resume minha dissertação, você notará que eu coloco a origem da Guarda do domingo até a época do Imperador Adriano, em 135 D.C.”

Em outras palavras, o historiador corrigiu os escritos inspirados de sua profetisa! Diante disso fica esmiuçada as bajulações inconsistentes de A B. Christianini em “Subtilezas do Erro” quando diz:

“... Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma. Tudo quanto disse e escreveu foi puro, elevado, cientificamente correto e profeticamente exato... Os seus detratores... procuram inventar contradições e inexatidões...” ( pág. 35 grifo nosso)

 
É claro que esta suposição não tem respaldo histórico, haja vista existiram documentos que comprovam que o domingo já era pratica cristã aceita bem antes de 135 D.C como bem atestam as seguintes cartas:

- Justino, o Mártir: 100-167d.C. Eis aqui como Justino, o Mártir, descreveu o culto primitivo dos cristãos:


“No Domingo há uma reunião de todos que moram nas cidades e vilas, lê-se um trecho das memórias dos Apóstolos e dos escritos dos profetas, tanto quanto o tempo permita. Termina a leitura, o presidente, num discurso, admoesta e exorta à obediência dessas nobres palavras. Depois disso, todos nos levantamos e fazemos uma oração comum. Finda a oração, como descrevemos antes, pão e vinho (suco de uva) e ação de graças por eles de acordo com a sua capacidade, e a congregação responde, Amém. Depois os elementos consagrados são distribuídos a cada um e todos participam deles, e são levados pelos diáconos às casas dos ausentes. Os ricos e os de boa vontade contribuem conforme seu livre arbítrio; esta coleta é entregue ao presidente (pastor) que, com ela, atende a órfãos, viúvas, prisioneiros, estrangeiros e todos quantos estão em necessidade” (Manual Bíblico, Halley)

- Inácio, 100d.C., disse:


“Aqueles que estavam presos às velhas coisas vieram a uma novidade de confiança, não mais guardando o Sábado, porém vivendo de acordo com o dia do Senhor (Domingo)”.

- O ensino dos Apóstolos, 90-100 obra siríaca: Encontramos um testemunho muito interessante na obra citada, que data da segunda metade do século III, segundo a qual os apóstolos de Cristo foram os primeiros a designar o primeiro dia da semana como dia do culto cristão:


“Os apóstolos determinaram, ainda: no primeiro dia da semana deve haver culto, com leitura das Escrituras Sagradas, e a oblação. Isso porque no primeiro dia da semana o Senhor nosso ressuscitou dentre os mortos, no primeiro dia da semana o Senhor subiu aos céus, e no primeiro dia da semana vai aparecer, finalmente com os anjos celestes” (Ante-necene fathers, 8668).(Enciclopédia Vida, Archer)

- Tertuliano: 160-220. No início do século III, Tertuliano chegou a afirmar que:

“Nós (os cristãos) nada temos com o Sábado, nem com outras festas judaicas, e menos ainda com as celebrações dos pagãos. Temos nossas próprias solenidades: O Dia do Senhor... (On indolatry 14). Em “De oratione”(23).

Tertuliano insistia na cessação do trabalho no Domingo como dia de culto para o povo de Deus.

Mas para os sabatistas de nada valem tais testemunhos, pois para eles todos estes cristãos estavam contaminados com paganismo! A pertinácia adventista encontra seu verdadeiro significado nas palavras de A .B Christianini:


“...e continuamos a insistir na tese da origem pagã da observância dominical” (Subtilezas do Erro, pág. 236)

CONSTANTINO E O DIES SOLIS

Outro fato que amiúde é alardeado pelos sabatistas, tem a ver com o Sicut indignissimum, edito de Constantino em 3 de julho de 321, que entre outras coisas rezava:

“Que todos os juizes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do sol”. 

Mesmo entre os adventistas existem divergências quanto a finalidade desta lei. Uns dizem que foi para favorecer a Igreja outros porem argumentam que pelo contrário, foi uma lei apenas civil para pagãos. Não obstante, este foi um dos vários decretos que Constantino fizera para favorecer os cristãos. O livro, "História Eclesiástica" de Eusébio de Cesaréia, a partir do livro X, descreve as ações de Constantino em prol da Igreja. Seus decretos imperiais mostram um imperador ecumênico (aquele que gosta de agradar a gregos e troianos), semiconvertido, preocupado mais com política do que com coisas espirituais. Isto é mostrado as escancaras, veja:


"QUE QUALQUER DIVINDADE E PODER CELESTIAL QUE POSSA EXISTIR SEJA PROPÍCIO A NÓS... É ASSIM QUE PODEMOS CONCEDER AOS CRISTÃOS E A TODOS IGUALMENTE A LIVRE ESCOLHA DE SEGUIR O TIPO DE ADORAÇÃO QUE QUISEREM"

Note que Constantino engloba em seus decretos todas as religiões, sendo a maioria pagã e a minoria cristã. Quando ele favorece os cristãos que se depreende das afirmações a seguir "...que concedemos aos cristãos liberdade e liberdade plena para observarem seu modo peculiar de adoração", está abrindo a porta para que possam adorar como querem e no dia que mais lhe agradarem (o que já era pratica da Igreja).

Quando ele usa a expressão pagã, "Venerável dia do sol", não está de modo algum impondo a honra deste dia ou divindade, mas apenas usando uma expressão que era peculiar àquele povo naquela conjuntura. Não adiantaria nada escrever em um decreto que posteriormente iria ser lido publicamente, usar uma expressão menos conhecida como "Dia do Senhor", expressão esta tipicamente cristã, quando a maioria pagã não a entendia! Tanto é verdade , que Justino, o mártir, usa em sua epístola enviada ao Imperador pagão Antonino a expressão "No dia que se chama do sol..." (I Apologia 67, 3. 7), para que o imperador pagão pudesse entender. É mais ou menos como dizer a um americano que vou a igreja não no domingo (Dia do Senhor) mas no sunday (dia do sol), isto não compromete em nada o dia cristão. Algo análogo aparece na narrativa bíblica de Nabucodonosor, quando este afirma que o quarto homem dentro da fornalha de fogo era semelhante ao “filho dos deuses” (Daniel 3:25). Esta expressão prova que ele usou apenas o vocabulário corrente extraído do contexto politeísta no qual vivia para aludir ao anjo do Senhor. E foi desta maneira que Constantino usou aquela expressão. A conotação que a IASD da a esta expressão e por demais aviltante. Não há de se falar em "imposição" dominical, os fatos quando analisados honestamente não comportam tal idéia!

Outro fato de suma importância que passa despercebido e que raramente, ou nunca e´ comentado pelos sabatistas, e´ quanto ao resto da frase onde reza:

“Aos que residem no campo, porem permita-se a entregarem-se livremente aos misteres de sua lavoura”.

 Veja que aos camponeses não foi imposta nenhuma lei dominical. Ora, sabemos que tais eram chamados de “pagani, nome latino que serviu para designar os camponeses, serviu para criar o termo e a noção de paganismo que engloba toda atitude religiosa hostil ao Cristianismo: prova eloqüente da impermeabilidade dos campos ocidentais `a pregação cristã dos primeiros séculos”(O Cristianismo Primitivo, pág. 102 – Stan-Michel Pellistrandi).

Era aquele que não tinha aceitado o cristianismo ou sido batizado. E sabido que o cristianismo alcançou primeiramente as cidades e só depois os campos (zona rural) por ser justamente estes povos os que mais ofereciam resistência `a evangelização. Eles procuravam mais do que todos preservar suas tradições religiosas, e o cristianismo apresentava-se como uma ameaça `as tradições de seus antepassados.

Se Constantino estivesse favorecendo o dia pagão, essa gente seria as principais a se beneficiarem deste feriado, mas não foi isto que aconteceu, simplesmente porque ele se reportava ao dia cristão, mesmo usando ainda nome pagão para designá-lo. Podemos acrescentar ainda as benfeitorias sociais promovidas por Constantino, principalmente em relação aos escravos melhorando sua condição de vida, e uma delas era o descanso.

Os escravos eram considerados pelos gregos como algo desprezível, mesmo para Aristóteles, os escravos são excluídos da definição de homem, já os romanos o consideravam como apenas “instrumentum vocalis”, ou seja, “coisa falante”. Desta maneira os escravos (que eram muitíssimos em Roma) ganharam direito ao descanso. E bom rememorar também que uma enorme parcela desta classe eram de cristãos, daí mais um motivo para o feriado.
 
A EXPRESSAO “DIA DO SENHOR”

Esta expressão é cognominativa e por si denota a reverencia dos primeiros cristãos para com o primeiro dia da semana. Conquanto seja este fato irrefutável os adventistas como de praxe tendem a distorcer as escrituras dizendo ser isto uma referencia ao sábado judaico.

O teólogo adventista Alberto R. Timm em seu livro “O Sábado nas Escrituras”, declara: “Parece mais provável que João tenha escolhido a expressão Kyriake hemera para designar o sábado...” (pág.76). Cita como base textos como o de Isaias 58:13; Êxodo 16:23 e Mateus 12:8. Diz ainda:


“Além disso, se João realmente tencionasse designar o domingo como sendo o “dia do Senhor” com certeza ele também teria feito em seu evangelho, que foi escrito aproximadamente na mesma época do apocalipse (na década de 90 AD). Mas em todas as oito alusões ao domingo no Novo Testamento, ele e simplesmente chamado de “primeiro dia da semana”...sem qualquer distinção especial.” (pág.74).

Estes argumentos a priori são atípicos considerando o contexto histórico dos primeiros séculos do desenvolvimento da Igreja.

O Dr. Aníbal P. Reis explica que A locução grega no caso dativo “Kyriake Hemera” e traduzida literalmente em nosso vernáculo por Senhorial Dia ou Dia do Senhor. Diz ele:


“O nosso vocábulo DOMINGO procede do latim DOMINICUS (=Senhorial), (como Dominga vem de Dominica), que por sua vez e a tradução latina do grego KYRIAKE.” (A Guarda do Sábado, pág. 154). Gleason Archer é concorde em afirma que: “Ate hoje essa e a expressão regular para “domingo” no grego moderno” (Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, pág. 127).

O termo “Kyriake”, é uma palavra neotestamentaria que só aparece novamente em I Co. 11:20 em seu caso genitivo “Kyriakon” para designar a “Ceia do Senhor”.

Certa fonte teológica comentando sobre esta palavra diz:


“Embora alguns tenham alegado que se refere ao ultimo dia, ou ate mesmo a páscoa, parece certo que a expressão e o nome que veio a ser dado ao primeiro dia da semana. Desde Inácio (Mag. 9:1) este e o seu significado nos escritos patristicos.”(Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, pág. 2164). 

Outra elucida ao acrescentar que o Dia do Senhor, “era uma frase que se usava já no segundo século referindo-se ao domingo” (O Novo Comentário da Bíblia, pág. 1452)

A pergunta que forçosamente surge agora é: por que formar uma palavra nova para expressar coisas de uma instituição sagrada antiga? Urgi rememorar que o evangelho era uma instituição nova, por isso necessitou do uso de termos novos. Assim nós temos “cristãos” Atos 11:26, como um nome novo para o povo de Deus; “apóstolos”, “evangelistas”, e “diáconos” como os lideres da Igreja; batismo como o rito iniciatório na Igreja, a ceia do Senhor, I Cor 11:20, e o Dia do Senhor, como instituições daquela Igreja. As novas normas originadas pelo evangelho não puderam ser expressadas pela terminologia da velha lei; conseqüentemente palavras novas tiveram de ser cunhadas.

No Novo Testamento nós temos: o sangue do Senhor, o cálice do Senhor, os discípulos do Senhor, a mesa do Senhor, a morte do Senhor, o corpo do Senhor, a ceia do Senhor, e também o Dia do Senhor. Todas estas expressões recorrem a algo que pertence exclusivamente a Cristo debaixo do evangelho.

"Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor” (Apocalipse 1:10). 


Este é o primeiro lugar na Bíblia que nós temos a expressão o “Dia do Senhor”. João escreveu neste idioma sessenta seis anos depois que o Sábado judeu fora abolido; conseqüentemente ele deve ter recorrido a algum dia comemorativo peculiar para a nova dispensação. Não existe um único exemplo na Bíblia ou na história onde o termo “o Dia do Senhor” é aplicado ao Sábado sagrado judeu. Os adventistas nunca chamam o sétimo dia de o “Dia do Senhor” exceto quando eles tentam explicar o Dia do Senhor em Apocalipse 1:10 como se fosse o sábado; mas em todos seus ensinos, escritos, e conversações, eles se referem a este dia simplesmente como sábado.

O termo “sabbath” não é usado em Apocalipse e nenhum léxico abalizado traduz esta expressão como se referisse ao sábado. O sábado sagrado judeu foi abolido na cruz (Col. 2:14 16; Gal. 4:10; Rom. 14:5) mais de sessenta anos antes de João escrever; então, ele não poderia ter recorrido àquele dia. Outro fato merecedor de nota é que depois de João, todos os demais escritores pós-apostólicos sempre usaram este termo para designar o domingo e nunca o sábado.

Reforçando ainda mais, juntamos a isso o contexto do livro do Apocalipse que de forma precisa nos informar que a mensagem do livro era destinada as sete Igrejas da Ásia (v. 11). E junto a este conjunto das cartas as Igrejas e que esta a expressão “o Dia do Senhor”. Ora, o titulo “Senhor” e um titulo dado a Jesus especialmente depois da sua ressurreição que aconteceu no primeiro dia da semana. No Apocalipse ele é o Senhor Todo Poderoso do verso 8, e Senhor dos senhores 17:14. Portanto, este dia forçosamente tem de ser o dia no qual Jesus foi feito Senhor dos vivos e dos mortos, ou seja, o primeiro da semana.

Este foi o dia que fez o senhor, Salmo 118:24. Mas o que dizer então dos versículos citados onde o sábado aparece como “meu santo dia” Isaias 58:13, “o santo sábado do senhor” Êxodo 16:23, “pois o Filho do homem e senhor do sábado” Mateus 12:8 ? Não e isto prova de que o dia do Senhor seja realmente o sábado? Não, pois estes três textos foram ditos ou escritos antes da cruz sob a lei, mas Apocalipse 1:10 depois da cruz e sob o evangelho, por conseguinte num novo contexto de uma nova aliança. Demais disso, se fosse este o caso certamente o apóstolo teria repetido a designação usual (sábado) como aparece nos versículos acima referidos.

Mas é contestado pelos sabatistas que João e todos os outros evangelistas nos evangelhos chamam o domingo simplesmente, “o primeiro dia da semana”, em vez de “o Dia do Senhor”. Conseqüentemente se João, em Apocalipse 1:10, tivesse se referindo ao domingo ele teria dito “o primeiro dia da semana” como ele fez no evangelho.

A resposta não é tão embaraçosa quanto parece. Jesus predisse que ele seria morto e ressuscitaria no terceiro dia. Cada evangelista teve cuidado em demonstrar que a predição fora fielmente cumprida. Conseqüentemente eles foram coerentes em dar os nomes desses três dias como eram conhecidos pelos judeus; qual seja, dia da “preparação”, (sexta-feira) dia de “Sábado” e “primeiro dia da semana”. Temos que levar em conta também que o estilo gramatical tal como foi escrito o livro do apocalipse difere grandemente do de seu Evangelho e epistola. O estilo literário de Apocalipse e um tanto deficiente em relação ao do seu evangelho. Outra questão em especial a considerar e quanto à autoria do livro.

Em seu evangelho João não menciona seu nome mas tão somente diz “Este e o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu” João 21:24, já nas epistolas ele se identifica não mais como “o discípulo” mas anonimamente como “o presbítero”. No apocalipse pelo menos três vezes ele se identifica como “João”. Foi por detalhes como este que Dionísio colocou em duvida a autoria do Apocalipse (Cf. Historia Eclesiástica livro 7, cap. XXV).

Apesar destas supostas diferenças nos sabemos que o verdadeiro autor do Apocalipse foi o apóstolo amado João. Alem disso, o modo como João usou a expressão “o Dia do Senhor” para designar o primeiro dia da semana (ao contrário de como fez em seu evangelho) quiçá pode muito bem se encaixar nestas diferenças literárias do livro (assim como aconteceu com seu nome). Desta maneira sepulta-se de uma vez o aparato do argumento adventista.

Isto posto, declaramos que o domingo longe de ser um dia pagão dedicado a Mitra, como afirmam os sabatistas, e indiscutivelmente o dia do Senhor. Um dia de adoração, comemoração e regozijo para o povo de Deus.

A Bíblia Vida Nova, em sua nota de rodapé ao comentar Dt 5.12-15 diz: "A palavra sábado tem raiz no termo hebraico SHABHAT, que quer dizer 'cessar', 'desistir'. Esta palavra está associada ao sétimo dia antes mesmo da legislação no Sinai (Ex 16.26). A referência específica ao sétimo dia não aparece no próprio mandamento sobre o sábado (Dt 5.12). Não há razão lingüística pela qual a palavra 'sábado' não pudesse ser também um dia de descanso no princípio da semana.

A mudança do descanso sabático do sétimo dia é o cumprimento do princípio moral do sábado. O sábado do sétimo dia comemorava a obra da criação divina (Ex 20.11) e a redenção (Dt 5.15). O sábado do primeiro dia pode ser reputado como comemoração da nova obra de criação divina (II Co 5.17; Ef 2.10) e a redenção espiritual (Tt 2.14).

A ressurreição de Jesus assinalou o clímax de sua obra redentora (Rm 4.25; I Pe 1.3) e parece certos que os cristãos primitivos começaram reunindo-se no primeiro dia da semana em comemoração a esse grande acontecimento. Cristo a si mesmo chamou-se Senhor do Sábado (Mc 2.28) e o primeiro dia da semana posteriormente se tornou conhecido como dia do Senhor (Ap 1.10). Desde então o sábado do primeiro dia tem sido aceito pela vasta maioria dos cristãos".

Presb. Paulo Cristiano Silva



Para saber mais a respeito do Sábado, leia as postagens abaixo:

Por que guardo o Domingo e não o Sábado? Respondendo os Adventistas
SÁBADO - 20 Questões Adventistas Refutadas
Entrevista com o Apóstolo Paulo a um Judaizante, Sabatista e Legalista
A Bíblia Não Diz Que Jesus Veio Cumprir a Lei em Nosso Lugar
Só 9 Mandamentos?

Esta passagem (Jó 41:1) está referindo-se à figura mitológica do leviatã?


PROBLEMA: Jó 41:1 diz: "Poderás tirar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua língua com uma corda?"(SBTB). Mas como a Bíblia pode falar dessa figura mitológica, como se de fato existisse esse monstro marinho?

SOLUÇÃO: Embora se trate basicamente do mesmo nome empregado nos documentos mitológicos que descrevem um monstro marinho chamado leviatã, não é de todo certo que Jó 41:1 esteja referindo-se a esse monstro. Alguns comentaristas propõem que esta seja uma referência a um grande crocodilo, e que o nome "leviatã" seja usado para dar ênfase à idéia de que ele não é controlável.

Além disso, expressões desse tipo são comuns hoje em dia, tal como acontece quando alguém se refere a um adversário como sendo "um monstro". Com isso não se quer dizer que monstros existem de fato. É apenas aplicar a característica terrível, que geralmente está associada à idéia de um monstro, a uma determinada pessoa ou coisa.

Finalmente, mesmo que se aceite que se trate de uma referência à criatura mencionada nas fábulas mitológicas, nesse texto poético a sua menção não é uma declaração de que ela realmente exista. Pode ser o caso de uma simples linguagem poética, fazendo uso da imagem de um monstro indomável, para assim ilustrar um determinado ponto.

Conquanto Jó seja um homem totalmente incapaz de domar essa terrível fera, Deus é todo-poderoso, e é ele que limita a ação tanto do homem como de uma fera como essa. Seria como se alguém dissesse hoje: "Jesus (crido como real, histórico) é mais forte do que o super-hornem (que é um mito)". As expressões poéticas com freqüência empregam figuras simbólicas num esforço de aumentar o impacto emocional da mensagem que está sendo transmitida. Entretanto isso não quer dizer, que o autor esteja aceitando a mitologia pagã que lhe permitiu fazer uso de tal figura.

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Não erra a Bíblia ao falar de uma sólida abóbada celestial sobre a terra? Jó 37:18

PROBLEMA: Jó fala que Deus estendeu "o firmamento, que é sólido como espelho fundido" (37:18). De fato, a palavra hebraica para "firma­mento" (raqia), que foi criado por Deus (cf. Gn 1:6), no dicionário he­braico é definida como um objeto sólido. Mas isso está em total conflito com o atual entendimento científico de que o espaço não é sólido e de que é altamente vazio.

SOLUÇÃO: É verdade que originalmente a palavra hebraica raqia significava um objeto sólido. Entretanto, o sentido não é determinado pela origem da palavra (etimologia), mas pelo uso. Quando referindo-se à atmosfera sobre a terra, "firmamento" com certeza não significa algo sólido. Isso é evidente por várias razões. Primeiro, a palavra raqia (forjar, desenrolar) é traduzida corretamente em algumas versões como o verbo "expandir". Assim como o metal se expande e se afina quando batido (cf. Êx 39:3; Is 40:19), assim é o firmamento.

Segundo, o sentido básico de "desenrolar" pode ser usado indepen­dentemente de "forjar", como ocorre em várias passagens (cf. Sl 136:6; Is 42:5; 44:24). Isaías escreveu: "Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz" (Is 42:5). Este mesmo verbo é empregado com o significado de estender cortinas ou tendas dentro das quais morar (o que não teria sentido algum se o verbo se referisse a uma ação que não deixasse espaço interior para nele a pessoa ficar). Isaías, por exemplo, falou que o Senhor "está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar" (Is 40:22).

Terceiro, a Bíblia menciona a chuva que cai do céu (Jó 36:27-28). Mas isso não teria sentido se o céu fosse uma abóbada metálica. Nem a Bíblia menciona buracos nessa abóbada metálica pelos quais a água passaria, caindo em forma de gotas. Ela fala, é claro, com uma linguagem figurada quando diz que "as comportas dos céus se abriram" (Gn 7:11), quando aconteceu o dilúvio. Mas essa expressão não é para ser tomada literalmente, da mesma forma como não tomamos de modo literal a seguinte frase dita por alguém: "estavam ali cinco gatos pingados".

Quarto, o relato da criação em Gênesis fala de aves que voam "sobre a terra, sob o firmamento dos céus" (Gn 1:20). Mas isso seria impossível se o céu fosse sólido. Assim, é mais apropriado traduzir raqia como o verbo "expandir" (como o faz a NVI), cujo sentido não conflita com o conceito de espaço da ciência moderna.

Quinto, mesmo que tomada literalmente, a afirmação de Jó (em 37:18) não diz que os céus são um "espelho fundido", mas apenas que eles são "como um espelho fundido". Em outras palavras, trata-se de uma comparação que não é para ser tomada de forma literal. E o mesmo caso da comparação feita quando o texto diz que Deus é realmente uma Torre forte (cf. Pv 18:10). Além disso, o ponto de comparação em Jó não é a respeito da solidez dos "céus" e do espelho, mas da sua durabilidade (cf. a palavra chazaq* no versículo 18).

Assim, quando tudo isso é levado em consideração, não há evidência de que a Bíblia esteja afirmando que o firmamento é uma abóbada metálica. E, portanto, não há conflito algum com a ciência moderna.


* Este termo, em vez de ser traduzido como sólido, pode significar também "forte" ou "firme": estendeste... os céus, que estão firmes como espelho fundido" (SBTB) (N. do T.)

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Este versículo (Jó 19:26) dá a entender que o corpo da ressurreição vai ser um corpo de carne?


PROBLEMA: Satanás afligiu o corpo de Jó, e sua carne estava deteriorando-se. Entretanto, Jó expressou a sua fé em Deus ao dizer: "em minha carne verei a Deus" (Jó 19:26). Isso quer dizer que o corpo ressurreto será um corpo de carne?

SOLUÇÃO: Sim. Embora a preposição empregada (min) possa ser traduzida ainda como "sem", é uma característica dela, quando usada com o verbo "ver", ter o sentido de "na condição mais favorável de". Essa idéia é reforçada pelo emprego do paralelismo de contraste neste versículo. A poesia hebraica com freqüência utiliza duas linhas para­lelas de uma expressão poética, que às vezes expressa palavras ou idéias contrastantes (chamada de "paralelismo antitético"). No caso, o consumir da carne de Jó contrasta-se com a sua confiança em que Deus restaurará o seu corpo, que está se deteriorando diante de seus olhos, e com a esperança de que em sua carne ele verá a Deus. Esta é uma das mais sublimes expressões de fé feita por Jó, fé numa ressurreição literal e física (veja também Dn 12:2; Lc 24:39; Jo 5:28-29; At 2:31-32).

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Como Jó pôde referir-se a seus filhos em Jó 19:17, se todos eles tinham morrido antes?

PROBLEMA: De acordo com Jó 1:2; 18-19 (cf. 8:4) todos os filhos de Jó foram mortos numa tempestade de vento. Contudo em Jó 19:17 é dito: "o meu hálito se fez estranho à minha mulher; tanto que supliquei o interesse dos filhos do meu corpo" (SBTB).

SOLUÇÃO: A palavra "filhos" pode ter o sentido de "netos" ou até mesmo de "parentes de sangue". Com sete filhos e três filhas (cf. 1:2,18), Jó certamente tinha muitos netos. Ele viveu mais 140 anos depois de sua enfermidade (Jó 42:16). Dessa forma, em sua longa vida, ele teve tempo suficiente para ter netos e bisnetos.

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Este versículo (Jó 14:12) contradiz o ensino bíblico quanto à ressurreição?


"Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, não acordará nem despertará de seu sono." Jó 14:12

(Veja os comentários de Jó 7:9.)

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Perderei a salvação se voltar a fazer o que fazia?

Fico contente por você ter encontrado o Senhor como seu Salvador (na verdade é sempre o contrário, é Ele quem nos busca e encontra). A nova vida em Cristo não é um mar de rosas, pois o Senhor mesmo disse que "no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo". A questão é que o Senhor sabe que passamos por essas tribulações e por isso cuida de nós. Afinal, somos Suas ovelhas e temos agora um Pai, que é Deus.

Sua intranquilidade tem a ver com a profissão que deixou de exercer em virtude de sua conversão a Cristo. A verdade é que cedo ou tarde você precisaria buscar uma carreira alternativa, e é melhor que isso tenha acontecido por convicção e fé no Senhor do que por necessidade. Não pense que Ele não leva em conta sua lealdade a Ele. Ele está de olho nas decisões que você tomar. Sua dúvida, porém, está em perder ou não sua salvação caso seja obrigada a voltar à profissão que exercia para garantir seu sustento. A questão da segurança e caráter eterno da salvação é muito clara:

Jo 10:27-29 "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e NUNCA HÃO DE PERECER, E NINGUÉM AS ARREBATARÁ DA MINHA MÃO. Meu Pai, que mas deu, É MAIOR DO QUE TODOS; E NIINGUÉM PODE ARREBATÁ-LAS DA MÃO DE MEU PAI".

A salvação é eterna e por ser eterna não há como perdê-la. O que perdemos quando pecamos ou andamos fora da vontade do Senhor é a comunhão com Deus, como um filho desobediente que o Pai coloca de castigo e com quem deixa de conversar durante algum tempo.

Em casos extremos Deus pode decidir nos levar para Si, caso estejamos mais atrapalhando do que ajudando aqui neste mundo. Foi o que aconteceu com Ananias e Safiras no livro de Atos, quando mentiram para o Espírito Santo querendo aparentar uma generosidade que na realidade não tinham. Como o testemunho da Igreja de Deus estava em seu princípio, Deus foi rigoroso com eles, embora eu acredite que eles estivessem salvos e seguros. É isso que a Bíblia chama de “pecado para morte”, do corpo e não da alma. Isto porque somos salvos para servir a Ele e dar um testemunho dEle neste mundo. Cristo está hoje no céu intercedendo por nós diante do Pai, e nós estamos na terra por Ele, dando um testemunho dEle diante dos homens.

Muitos que se convertem sofrem no início de sua nova vida, mas não exatamente por serem abandonados pelo Senhor, mas por terem feito muitas escolhas erradas no passado, e às vezes isso envolve a profissão ou atividade que exercem para se sustentarem. O versículo que diz que colhemos o que plantamos diz respeito a esta vida. Alguém que tenha sido viciado em drogas ou bebida e depois se converte provavelmente irá sofrer os danos que causou ao seu organismo o resto da vida. Recebemos uma nova vida, mas continuamos no mesmo corpo que poderá ou não funcionar bem, dependendo de como nós o tratamos no passado.

Há profissões que podem ser um problema, pois a pessoa convertida percebe que não poderá mais se manter por meio dela. Em Efésios 4:28 Paulo diz que "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade". Em outra situação, Paulo fala daqueles que eram servos ou escravos: "Cada um fique na vocação em que foi chamado. Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião.... Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens". 1 Co 7:20-23 No primeiro caso tratava-se de uma profissão ilegal (o que furtava) e no segundo de uma profissão legal na época, porém penosa (servo ou escravo).

Sua profissão não era ilegal, mas se você sabe que sua atividade anterior pode ser motivo de queda para alguém, então é melhor que você não seja um instrumento para isso. Ao falar de coisas que pudessem nos fazer cair, o Senhor usa de linguagem figurada (obviamente Ele não estava dizendo para alguém arrancar os olhos literalmente ou cortar as mãos) para mostrar o quanto é importante nos livrarmos de tudo aquilo que possa ser instrumento de pecado.

Mat 5:29-30 "Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno".

Em outra ocasião Ele nos fala de coisas que possamos fazer que sirvam de escândalo ou que façam outros tropeçarem: Lucas 17:1, 2 "E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos."

Neste sentido devemos estar atentos até mesmo aos nossos hábitos, como a comida, por exemplo:

Rom 14:13 “Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda [está se referindo a alimentos impuros segundo os padrões judaicos], a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu”.

Além do sustento de sua família, agora você precisará também servir de testemunho, o que aumenta a responsabilidade de evitar uma atividade que possa servir de tropeço para seus filhos.

Não há uma resposta ou solução fácil para o caso, mas há uma solução segura que é agarrar-se ao Senhor e confiar que Ele irá prover essa solução. Se a sua consciência está intranquila com respeito a voltar às suas atividades anteriores, então nem preciso dizer a você o que fazer. A Palavra de Deus fala de se manter uma boa consciência até como forma de evitarmos um naufrágio na fé: 1 Tm 1:19 "Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé".

Você viveu vários anos sem Cristo, e a dificuldade que está passando hoje não é uma conseqüência de sua conversão ou do tempo que viveu com Cristo, mas do tempo em que andava segundo os seus pensamentos, fazendo suas próprias escolhas conforme os padrões do mundo, e não da Palavra de Deus, como todos andamos antes de nossa conversão. A provação que está passando é preciosa aos olhos de Deus, mas não deixa de ser uma prova e pode ter certeza de que Ele tem tudo sob controle. Faça uma lista das alternativas que você teria hoje para se sustentar e coloque diante de Deus em oração.

1 Pe 1:3 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações, para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo

Mario Persona

Se não permanecer na fé perco a salvação?


Sua dúvida está em três versículos que aparentemente diriam que um crente em Jesus poderia perder sua salvação: Cl 1:1-23, Hb 6:4-6 e Hb 10:26-31. Não há como negar que são passagens que podem criar dúvidas, mas o que será que elas querem dizer:

Col 1:23 ... SE É QUE PERMANECEIS NA FÉ, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro.

Outra passagem parecida com esta é:

1Co 15:1-2 Ora, eu vos lembro, irmãos, o evangelho que já vos anunciei; o qual também recebestes, e no qual perseverais, pelo qual também sois salvos, SE É QUE O CONSERVAIS tal como vo-lo anunciei; SE NÃO É QUE CRESTES EM VÃO.

Para entender esta passagem primeiro precisamos lembrar que existem afirmações claras na Palavra, como a do Senhor em João 10:28-29 que não dependem de interpretação:

João 10:28-29 E dou-lhes a vida eterna, e NUNCA hão de perecer, e NINGUÉM as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e NINGUÉM pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

Um belíssimo texto sobre esta passagem, que tem o título "NUNCA!", você encontra aqui: http://desafioscristao.blogspot.com/2011/03/nunca.html

Neste "ninguém" inclua o próprio crente. Muitas vezes a Palavra de Deus nos dá uma promessa que é garantida, mas ao mesmo tempo revela o que aconteceria se estivéssemos fora dessa promessa, porque é algo realmente óbvio e necessário de sabermos.

Um alerta faz mais sentido ainda se considerarmos que entre os cristãos colossenses e de outras assembleias onde essas cartas eram lidas, poderiam existir pessoas que apenas professavam crer, porém que ainda não eram convertidas de verdade. Esta é uma realidade em todos os lugares.

Mas e quanto ao convertido de verdade? O convertido pode sim cair, mas a diferença é que ele não fica caído. Prv 24:16 Porque sete vezes cai o justo, e se levanta; mas os ímpios são derribados pela calamidade.

Considerando a segurança que Deus nos dá em João 10 e outras passagens, eu entenderia a passagem de Colossenses mais ou menos assim, com se fosse o aviso do piloto durante o voo:

"Senhores passageiros, chegaremos ao nosso destino, SE vocês permanecerem dentro do avião".

Há duas coisas que precisam ser consideradas nesse aviso aí:

1. Quem for passageiro de verdade não vai querer de jeito nenhum sair do avião
2. Mesmo que tentasse fazê-lo, o piloto e os comissários não permitiriam.

Sua salvação é o avião, não há mais como escapar disso. Você só conseguiu entrar porque o piloto deixou, e só pode sair se o piloto permitir, o que ele não pretende fazer. Mas não deixa de ser verdade que "SE" você conseguisse escapar, então estaria perdido. A questão é que é impossível você escapar. Suponha que durante o voo você pergunte ao piloto em que ponto do voo você pode saltar. A resposta será "NUNCA!".

Lembre-se de que no nosso caso o PILOTO é Jesus. Os versículos a seguir revelam onde está a segurança do crente. Não em si mesmo, óbvio, achando que irá se manter firme sempre, mas no Senhor, que é o Salvador e Pastor das ovelhas, e no Deus Pai, a quem pertence cada ovelha, até a mais fraquinha. Lembre-se de que Pedro tinha tudo para ter se perdido. Quer coisa pior do que mentir e negar o Senhor para se proteger?

2Ts 3:3 Mas fiel é o Senhor, o qual vos confirmará e guardará do maligno.

1Co 1:8 o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.

2Pe 1:10 Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição [estas coisas vêm de Deus, não de nós]; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.

Quanto às passagens em Hb 6:4-6 de Hb 10:26 que citou, eu e você conhecemos o nome de uma pessoa como a que é descrita ali. Alguém que teve todas as oportunidades, professou crer, desfrutou dos privilégios de alguém que conhece o Senhor, mas nunca o conheceu de fato. Judas! É desse tipo que o texto está falando. Não está falando de pessoas genuinamente convertidas, e a conclusão no versículo 39 deixa isso bem claro:

Heb 10:39 Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma.

Mais aqui:
http://www.respondi.com.br/2010/04/um-crente-pode-perder-sua-salvacao.html
http://www.respondi.com.br/2005/06/afastei-me-de-jesus-o-que-fazer.html
http://www.respondi.com.br/2007/05/possvel-ter-certeza-de-ir-para-o-ceu.html
http://www.respondi.com.br/2007/12/salvao-e-pela-graca-somente.html
http://www.respondi.com.br/2010/02/posso-ser-cortado-depois-de-crer.html
http://www.respondi.com.br/2010/04/um-crente-pode-perder-sua-salvacao.html
http://www.respondi.com.br/2010/02/para-ser-salvo-preciso-ir-frente-orar.html
http://www.respondi.com.br/2008/06/o-que-fazer-quando-nao-sinto-presenca.html
http://www.respondi.com.br/2008/01/e-pecado-considerar-se-salvo.html
http://www.respondi.com.br/2005/05/no-presuno-voc-dizer-que-est-salvo.html
http://www.stories.org.br/textos/scg.html
http://www.stories.org.br/textos/nunca.html


Mario Persona

Qual a diferença entre crer e acreditar?

Sua dúvida diz respeito à salvação somente pela fé, ou seja, só pelo ato de crer. Quanto ao versículo que citou, conforme escutou numa rádio, ou seja, Tiago 2.19, alí não diz que o diabo é crente, mas que os demônios crêem que há um só Deus, e não só crêem como também estremecem. Mas não é o fato de crermos que há um só Deus que nos dá a salvação. Os muçulmanos (maometanos) crêem que há um só Deus e nem por isso estão salvos. Não é por crermos que há um só Deus que somos salvos, mas por crermos em Jesus Cristo; por aceitarmos que Ele é o sacrifício enviado por Deus para a remissão (retirada) de nosso pecado. E que Ele ressuscitou ao terceiro dia, tendo assim o Seu sacrifício sido aceito por Deus (Leia 1 Co 15.1‑4).

Existe uma diferença entre CRER e ACREDITAR. Apenas para dar um exemplo, uma pessoa podia ACREDITAR que o Dr. Zerbini (famoso cirurgião brasileiro) era capaz de fazer um transplante de coração. Porém, tal pessoa teria que CRER na habilidade daquele cirurgião (e achar‑se doente) para deitar-se numa mesa de operações e permitir que o médico lhe tirasse o coração para colocar outro no lugar.

O fato de crer não se trata apenas de "saber" ou "acreditar" a respeito de algum assunto, mas receber em sua própria vida a ação daquilo ou daquele em quem se crê. No caso da salvação, cremos ao aceitarmos a Cristo como Salvador, o que demônio algum fez e jamais fará. Aqueles que usam erradamente a passagem em Tiago o fazem com malícia e tendo segunda intenção, ou seja, tentar convencer as pessoas de que não basta apenas crer em Cristo, mas que também seria preciso fazer alguma coisa mais, como se a Obra de Cristo não fosse perfeita.

Mario Persona

Podemos perder a salvação?


Minha dúvida está no versículo "Guarde o que tem para que ninguém roube sua coroa". Eu fiquei realmente sem saber explicar, como explicar que não se perde a Salvação e encontramos o Senhor dizendo pra tomar cuidado pra que ninguém roube nossa coroa??

A passagem é de uma mensagem dirigida a uma igreja, Filadélfia, não especificamente a uma pessoa. No que diz respeito ao indivíduo, embora não podemos perder a salvação podemos perder muitas coisas associadas a ela, como por exemplo o galardão ou prêmio. Além de salvos, seremos recompensados pelo Senhor no céu conforme aquilo que fizermos aqui em nome dEle e para Ele. É o que diz em 1 Coríntios 3:

1Co 3:12 - 15 "E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo".

Outra dúvida: como explicar esta passagem de Hebreus 6:04-06?
4 Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo,
5 E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
6 E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.


A passagem refere-se aos judeus (lembre-se de que a carta é aos cristãos hebreus e trata principalmente da necessidade que tinham de abandonar as velhas práticas do judaísmo). Os judeus foram iluminados (a Luz andou com eles), provaram o dom celestial (foram privilegiados com milagres, pães multiplicados etc), se tornaram participantes do Espírito Santo (lembre-se de que até Judas fazia milagres com os outros discípulos), e provaram a boa palavra de Deus (o Verbo de Deus andou com eles), e as virtudes ou poder do século futuro e recaíram, isto é, rejeitaram o Filho de Deus. Não há arrependimento para quem passou por tudo aquilo e mesmo assim não creu. Repare que em nenhum momento diz que eles creram. Portanto não trata do crente em Jesus, mas dos judeus que tiveram todos esses privilégios e viraram as costas para Cristo.

Pergunta: I João 3:4-10 fala que o crente não comete pecado. Como pode ser isso? Se pecar perde a salvação?
4 Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade.
5 E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado.
6 Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu.
7 Filhinhos, ninguém vos engane. Quem pratica justiça é justo, assim como ele é justo.
8 Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.
9 Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.
10 Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus.


No capítulo 1 da mesma carta diz que quem disser que não tem pecado mente, portanto é preciso entender que devem se tratar de duas coisas diferentes, ou a Palavra de Deus estaria se contradizendo. A chave está aqui:

1Jo 3:9 "Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus". (a tradução assim é mais fácil de entender). Quando você nasce de novo recebe de Deus uma nova natureza que é divina. É a vida eterna que agora você tem porque é nascido de Deus. Essa nova natureza não pode melhorar porque é perfeita, mas você continua com sua velha natureza, que às vezes é chamada de velho homem ou carne, a qual também não pode melhorar. Portanto você tem duas naturezas agora, uma que peca e outra que é impossível pecar. Quando for para o céu só vai com a segunda, porque a primeira já foi condenada na cruz em Cristo.

Mario Persona

Riscar o Nome do Livro da Vida?


Pergunta do Leitor: É possível perder a Salvação? Pergunto isso por causa de passagens como Ex 32:33, Sl 69:28 e Ap 3:5.

Ex 32:33 "Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro." 
Sl 69:28 "Sejam riscados do livro dos vivos, e não sejam inscritos com os justos."
Ap 3:5 "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos."

Resposta: Paz Irmão Alexandre, creio que o texto abaixo é suficiente para sanar suas dúvidas:

Apocalipse 3:5 "O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos." 

Cristo promete a todo cristão verdadeiro que Ele de maneira nenhuma riscará o seu nome do livro da vida, mas confessará o seu nome diante do Pai e diante dos seus anjos. Incrivelmente, embora o texto diga exatamente o oposto, algumas pessoas assumem que esse versículo ensina que o nome de um cristão pode ser riscado do livro da vida. Assim, eles tolamente transformam uma promessa numa ameaça. 

Êxodo 32:33, alguns argumentam, apóia a idéia que Deus pode remover o nome de alguém do Livro da Vida. Nessa passagem, o Senhor diz a Moisés que “aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro”. Não há contradição, contudo, entre essa passagem e a promessa de Cristo em Apocalipse 3:5. O livro mencionado em Êxodo 32:33 não é o Livro da Vida descrito em Filipenses 4:3, e mais tarde em Apocalipse (13:8; 17:8; 20:12, 15; 21:27). Pelo contrário, refere-se ao livro dos vivos, o registro daqueles que estão vivos (cf. Sl. 69:28.). A ameaça, então, não é a condenação eterna, mas a morte física.

Nos dias de João, os governantes mantinham um registro dos cidadãos da cidade. Se alguém morresse, ou cometesse um crime sério, seu nome era riscado desse registro. Cristo, o Rei do céu, promete jamais riscar o nome de um cristão verdadeiro do rol daqueles cujos nomes foram “escritos, desde a fundação do mundo, no livro da vida do Cordeiro que foi morto” (Ap. 13:8, versão do autor).

Pelo contrário, Cristo confessará o nome de todo crente diante de Deus o Pai e diante dos seus anjos. Ele afirmará que eles lhe pertencem.

Aqui Cristo reafirma a promessa que fez durante seu ministério terreno: “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt. 10:32). A verdade confortadora que a salvação do cristão verdadeiro está eternamente segura é o ensino inequívoco da Escritura. Em nenhum lugar essa verdade é mais fortemente declarada que em Romanos 8:28-39:

"E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. 

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. 

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?
Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. 

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. 

Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."


Fonte de consulta:
John MacArthur, Jr. 
www.monergismo.com

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Trecho do capítulo 4 do Macarthur’s New Testament
Commentary: Revelation, de John Macarthur, Jr.
Monergismo.com – “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9) 

Se a salvação não depende de mim posso viver como quiser?

Sua dúvida é a mesma de muitas pessoas quando descobrem que nada do que fazemos ajuda em nossa salvação: boas obras, orações, penitências ou até o simples ato de se arrepender. Quando você entende que até o arrependimento é algo causado pelo Espírito Santo, a primeira dúvida que vem em mente é:

"Bem, se não depende de mim, se não preciso fazer nada para ser salvo e se também não perco a salvação, independente do que faça, será que posso viver fazendo o que quiser?"

A resposta é não. Ou melhor, não que você "não possa" fazer o que bem entender, porque a desobediência a Deus sempre estará ao seu alcance. Mas se você for realmente convertido a Cristo, não irá querer fazer sua própria vontade. E quando a fizer, se sentirá péssimo, porque terá o Espírito Santo de Deus habitando em você. Você já viveu numa mesma casa com uma pessoa descontente? Pois é, quando você anda do jeito que quer, o Espírito fica entristecido e isso vai influenciar o "templo" onde Ele habita, isto é, você.

A coisa funciona assim: se alguém contrata você e manda fazer isso e aquilo, ao terminar de cumprir suas tarefas aquela pessoa deve para você. Você pode exigir o pagamento. Porém, quando alguém faz algum grande favor para você, daqueles que o livra de uma encrenca, você fica para sempre devedor dessa pessoa. Ela pode pedir o que quiser que você se sente constrangido a fazer.

Pois é, se qualquer coisa vinda de nós estivesse envolvida na salvação, seja ela a guarda de mandamentos ou o mero arrependimento, Deus ficaria nosso devedor. Poderíamos exigir dEle a salvação, tipo, "Ei, eu já me arrependi, cadê minha salvação?" ou "Eu já cumpri os mandamentos, pode me dar a salvação agora!". Mas se entendo que nada veio de mim, que o favor foi só dEle, e que se dependesse de mim eu jamais teria olhado para o Seu lado, sou eu quem fica devedor.

Porque sou salvo por graça somente, Ele pode pedir o que quiser de mim que fico constrangido a fazer.

Mario Persona
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