A MÁ INTERPRETAÇÃO: Deus aqui prometeu a Moisés: "Eis que lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos [Israel], como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar" (v. 18). Os muçulmanos acreditam que essa promessa se cumpriu em Maomé, como diz o Alcorão, quando se refere "ao profeta iletrado [Maomé] que eles encontram mencionado em suas próprias escrituras, na Lei nos Evangelhos" (Sura 7.157).
CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Essa profecia não poderia se referir a Maomé. O termo "irmãos" se refere a Israel, e não a seus antagonistas árabes. Por que Deus levantaria para Israel um profeta dentre os seus inimigos? No texto que está em torno desses versículos, o termo "irmãos" significa "companheiros" ou "concidadãos israelitas". Foi dito aos levitas que eles "não terão herança no meio de seus irmãos" (v. 2).
Em todas as demais passagens de Deuteronômio, o termo "irmãos" também significa "concidadãos israelitas", e não "estrangeiros". Deus lhes disse que escolhessem um rei "dentre os seus irmãos", e não um "estrangeiro". Israel nunca escolheu um rei que não fosse judeu.
Além disso, Maomé é descendente de Ismael, como os próprios muçulmanos admitem, e os herdeiros do trono judaico vieram de Isaque. Quando Abraão orou: "Tomara que viva Ismael diante de teu rosto!", Deus respondeu enfaticamente: "O meu concerto, porém, estabelecerei com Isaque" (Gn 17.18,21). Mais tarde Deus repetiu: "Em Isaque será chamada a tua semente" (Gn 21.12).
O próprio Alcorão declara que a descendência profética veio através de Isaque, e não de Ismael: "E concedemos nele Isaque e Jacó, e estabelecemos o ministério profético e as Escrituras dentre a sua semente" (Sura 29.27).
O estudioso muçulmano Yusuf Ali adiciona o nome Abraão, mudando o significado, como a seguir: "Demos (Abraão) Isaque e Jacó, e ordenamos que dentre a sua descendência estivesse o ministério profético e a revelação". Adicionando o nome Abraão, pai de Ismael, ele passou a poder incluir Maomé, que é descendente de Ismael, na descendência profética. Mas o nome de Abraão não é encontrado no texto original.
Jesus cumpriu perfeitamente esse verso, uma vez que Ele era do meio de seus irmãos judeus (conferir Gl 4.4). Ele cumpriu perfeitamente Deuteronômio 18.18:"E ele lhes falará tudo o que eu [Deus] lhe ordenar". Jesus disse: "Nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou" (Jo 8.28); "Porque eu não tenho falado de mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar" (Jo 12.49). Ele chamou-se a si mesmo "profeta" (Lc 13.33), e o povo o considerava como profeta (Mt 21.11; Lc 7.16; 24.19;Jo 4.19; 6.14; 7.40; 9.17). Como Filho de Deus, Jesus foi Profeta (falando aos homens, da parte de Deus), Sacerdote (Hb 7—10, falando a Deus em favor dos homens) e Rei (reinando sobre os homens conforme a vontade de Deus, Ap 19—20).
Outras características de um "profeta" combinam apenas com Jesus, e não com Maomé. Por exemplo, Jesus falou com Deus "face a face" e fez "sinais e maravilhas"
(leia os comentário acerca de Deuteronômio 34.10).
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