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Como Ler e Estudar a Bíblia?


Muitas pessoas possuem Bíblias. Mas quantas pessoas a leem e a estudam?

Muitas dúvidas: Por onde começo a ler? Não consigo entende-la.

PLANO

Reserve tempo para ler a Bíblia cada dia.

É bom guardar sempre a mesma hora. Dedique tanto tempo quanto seja possível, cuidando para que outras coisas não interrompam ou atrapalhem seu tempo de leitura e reflexão. Antes de começar a leitura, peça a orientação e a bênção de Deus. Algumas pessoas acham útil anotar em um caderno um resumo daquilo que refletiram a partir da leitura bíblica. Dê os seguintes passos para tirar o maior proveito possível das suas leituras diárias.

1. Selecione um texto bíblico (você pode fazê-lo seguindo um plano de leitura).

2. Examine seu conteúdo:

a. A que classe de livros ele pertence? (Um livro biográfico, como um dos Evangelhos, que narram a vida de Jesus; um livro histórico, como o Segundo Livro de Samuel, que relata o reinado do Rei; Davi ou uma carta breve a uma pessoa, como as enviadas a Timóteo ou a uma igreja específica, como as epístolas aos Coríntios.)

b. Qual é o enfoque geral do livro? (Não há necessidade de fazer estudos extensos sobre o livro. É possível fazer isso lendo o primeiro e o último parágrafo do livro ou os subtítulos e as introduções, quando a Bíblia utilizada os tem.)

c. Qual o acontecimento ou qual o assunto registrado nos textos lidos?

3. Leia todo o texto para formar uma idéia do que está sendo tratado nele.

4. Identifique palavras e frases. Há alguma palavra ou frase que se repete através do texto? É possível observar alguma relação de causa e efeito? (As frases repetidas quase sempre são precedidas de "se", "então", "por isso", "porque", etc.) Foi feita alguma comparação? Pessoas, coisas ou conceitos são contrapostos?

5. Leia o texto novamente e pergunte pela sua intenção ou propósito. Procure encontrar o que o autor está querendo dizer. Seja honesto. Não procure encontrar apenas o que você esteja querendo ouvir. A Bíblia contém mensagens que podem mudar vidas.

6. O que você aprendeu sobre Deus neste texto? O que aprendeu sobre a natureza humana? Pergunte-se como esta mensagem se aplica à sua própria vida. Existe algo em sua vida que precisa mudar, por você ser filho de Deus? O que você pode fazer por amor ao próximo? Peça a ajuda de Deus para fazer as mudanças necessárias em sua vida, para chegar a ser uma pessoa melhor.

7. Leia o texto mais uma vez. Memorize: Há algum versículo que queira memorizar? Por que não o escreve em um pedaço de papel e o leva consigo para poder estudá-lo?

8. Aplicação: Agradeça a Deus o que aprendeu e peça-lhe ajuda para poder aplicá-lo em sua vida.

9. Edificação: Compartilhe com outras pessoas o que está aprendendo.



A Bíblia em um Ano

Você já leu alguma vez toda a Bíblia? Procure por um plano de leitura que possa ajudá-lo a ler toda a Bíblia em um ano, reserve para isso vinte a trinta minutos por dia. Comece a ler sua Bíblia hoje mesmo e descubra as riquezas da palavra de Deus.

História da Bíblia


OS ORIGINAIS

Grego, hebraico e aramaico foram os idiomas utilizados para escrever os originais das Escrituras Sagradas. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Apenas alguns poucos textos foram escritos em aramaico. O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, que era a língua mais utilizada na época.

Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias. Todos os autógrafos, isto é, os livros originais, como foram escritos pelos seus autores, se perderam. As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas.

Para a tradução do Antigo Testamento, a Comissão de Tradução da SBB usa a Bíblia Stuttgartensia, publicada pela Sociedade Bíblica Alemã. Já para o Novo Testamento é utilizado The Greek New Testament, editado pelas Sociedades Bíblicas Unidas. Essas são as melhores edições dos textos hebraicos e gregos que existem hoje, disponíveis para tradutores.

O ANTIGO TESTAMENTO EM HEBRAICO

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração.

Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por A Lei, Os Profetas e As Escrituras. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C. A Lei continha os primeiros cinco livros da nossa Bíblia. Já Os Profetas, incluíam Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. E As Escrituras reuniam o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas.

Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora A Lei freqüentemente fosse copiada em dois grandes pergaminhos. O texto era escrito em hebraico - da direita para a esquerda - e, apenas alguns capítulos, em dialeto aramaico.

Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

O NOVO TESTAMENTO EM GREGO

Os primeiros manuscritos do Novo Testamento que chegaram até nós são algumas das cartas do Apóstolo Paulo destinadas a pequenos grupos de pessoas de diversos povoados que acreditavam no Evangelho por ele pregado.

A formação desses grupos marca o início da igreja cristã. As cartas de Paulo eram recebidas e preservadas com todo o cuidado. Não tardou para que esses manuscritos fossem solicitados por outras pessoas. Dessa forma, começaram a ser largamente copiados e as cartas de Paulo passaram a ter grande circulação.

A necessidade de ensinar novos convertidos e o desejo de relatar o testemunho dos primeiros discípulos em relação à vida e aos ensinamentos de Cristo resultaram na escrita dos Evangelhos que, na medida em que as igrejas cresciam e se espalhavam, passaram a ser muito solicitados. Outras cartas, exortações, sermões e manuscritos cristãos similares também começaram a circular.

O mais antigo fragmento do Novo Testamento hoje conhecido é um pequeno pedaço de papiro escrito no início do Século II d.C. Nele estão contidas algumas palavras de João 18.31-33, além de outras referentes aos versículos 37 e 38. Nos últimos cem anos descobriu-se uma quantidade considerável de papiros contendo o Novo Testamento e o texto em grego do Antigo Testamento.

OUTROS MANUSCRITOS

Além dos livros que compõem o nosso atual Novo Testamento, havia outros que circularam nos primeiros séculos da era cristã, como as Cartas de Clemente, o Evangelho de Pedro, o Pastor de Hermas, e o Didache (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos). Durante muitos anos, embora os evangelhos e as cartas de Paulo fossem aceitos de forma geral, não foi feita nenhuma tentativa de determinar quais dos muitos manuscritos eram realmente autorizados. Entretanto, gradualmente, o julgamento das igrejas, orientado pelo Espírito de Deus, reuniu a coleção das Escrituras que constituíam um relato mais fiel sobre a vida e ensinamentos de Jesus. No Século IV d.C. foi estabelecido entre os concílios das igrejas um acordo comum e o Novo Testamento foi constituído.

Os dois manuscritos mais antigos da Bíblia em grego podem ter sido escritos naquela ocasião - o grande Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Estes dois inestimáveis manuscritos contêm quase a totalidade da Bíblia em grego. Ao todo temos aproximadamente vinte manuscritos do Novo Testamento escritos nos primeiros cinco séculos.

Quando Teodósio proclamou e impôs o cristianismo como única religião oficial no Império Romano no final do Século IV, surgiu uma demanda nova e mais ampla por boas cópias de livros do Novo Testamento. É possível que o grande historiador Eusébio de Cesaréia (263 - 340) tenha conseguido demonstrar ao imperador o quanto os livros dos cristãos já estavam danificados e usados, porque o imperador encomendou 50 cópias para as igrejas de Constantinopla. Provavelmente, esta tenha sido a primeira vez que o Antigo e o Novo Testamentos foram apresentados em um único volume, agora denominado Bíblia.

HISTÓRIA DAS TRADUÇÕES

A Bíblia - o livro mais lido, traduzido e distribuído do mundo -, desde as suas origens, foi considerada sagrada e de grande importância. E, como tal, deveria ser conhecida e compreendida por toda a humanidade. A necessidade de difundir seus ensinamentos através dos tempos e entre os mais variados povos, resultou em inúmeras traduções para os mais variados idiomas e dialetos. Hoje é possível encontrar a Bíblia, completa ou em porções, em mais de 2.000 línguas diferentes.

A PRIMEIRA TRADUÇÃO

Estima-se que a primeira tradução foi elaborada entre 200 a 300 anos antes de Cristo. Como os judeus que viviam no Egito não compreendiam a língua hebraica, o Antigo Testamento foi traduzido para o grego. Porém, não eram apenas os judeus que viviam no estrangeiro que tinham dificuldade de ler o original em hebraico: com o cativeiro da Babilônia, os judeus da Palestina também já não falavam mais o hebraico.
Denominada Septuaginta (ou Tradução dos Setenta), esta primeira tradução foi realizada por 70 sábios e contém sete livros que não fazem parte da coleção hebraica; pois não estavam incluídos quando o cânon (ou lista oficial) do Antigo Testamento foi estabelecido por exegetas israelitas no final do Século I d.C. A igreja primitiva geralmente incluía tais livros em sua Bíblia. Eles são chamados apócrifos ou deuterocanônicos e encontram-se presentes nas Bíblias de algumas igrejas.

Esta tradução do Antigo Testamento foi utilizada em sinagogas de todas as regiões do Mediterrâneo e representou um instrumento fundamental nos esforços empreendidos pelos primeiros discípulos de Jesus na propagação dos ensinamentos de Deus.

OUTRAS TRADUÇÕES

Outras traduções começaram a ser realizadas por cristãos novos nas línguas copta (Egito), etíope (Etiópia), siríaca (norte da Palestina) e em latim - a mais importante de todas as línguas pela sua ampla utilização no Ocidente.

Por haver tantas versões parciais e insatisfatórias em latim, no ano 382 d.C, o bispo de Roma nomeou o grande exegeta Jerônimo para fazer uma tradução oficial das Escrituras.

Com o objetivo de realizar uma tradução de qualidade e fiel aos originais, Jerônimo foi à Palestina, onde viveu durante 20 anos. Estudou hebraico com rabinos famosos e examinou todos os manuscritos que conseguiu localizar. Sua tradução tornou-se conhecida como "Vulgata", ou seja, escrita na língua de pessoas comuns ("vulgus"). Embora não tenha sido imediatamente aceita, tornou-se o texto oficial do cristianismo ocidental. Neste formato, a Bíblia difundiu-se por todas as regiões do Mediterrâneo, alcançando até o Norte da Europa.

Na Europa, os cristãos entraram em conflito com os invasores godos e hunos, que destruíram uma grande parte da civilização romana. Em mosteiros, nos quais alguns homens se refugiaram da turbulência causada por guerras constantes, o texto bíblico foi preservado por muitos séculos, especialmente a Bíblia em latim na versão de Jerônimo.

Não se sabe quando e como a Bíblia chegou até as Ilhas Britânicas. Missionários levaram o evangelho para Irlanda, Escócia e Inglaterra, e não há dúvida de que havia cristãos nos exércitos romanos que lá estiveram no segundo e terceiro séculos. Provavelmente a tradução mais antiga na língua do povo desta região é a do Venerável Bede. Relata-se que, no momento de sua morte, em 735, ele estava ditando uma tradução do Evangelho de João; entretanto, nenhuma de suas traduções chegou até nós. Aos poucos as traduções de passagens e de livros inteiros foram surgindo.

AS PRIMEIRAS ESCRITURAS IMPRESSAS

Na Alemanha, em meados do Século 15, um ourives chamado Johannes Gutemberg desenvolveu a arte de fundir tipos metálicos móveis. O primeiro livro de grande porte produzido por sua prensa foi a Bíblia em latim. Cópias impressas decoradas a mão passaram a competir com os mais belos manuscritos. Esta nova arte foi utilizada para imprimir Bíblias em seis línguas antes de 1500 - alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão; e em outras seis línguas até meados do século 16 - espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês.

Finalmente as Escrituras realmente podiam ser lidas na língua destes povos. Mas essas traduções ainda estavam vinculadas ao texto em latim. No início do século 16, manuscritos de textos em grego e hebraico, preservados nas igrejas orientais, começaram a chegar à Europa ocidental. Havia pessoas eruditas que podiam auxiliar os sacerdotes ocidentais a ler e apreciar tais manuscritos.

Uma pessoa de grande destaque durante este novo período de estudo e aprendizado foi Erasmo de Roterdã. Ele passou alguns anos atuando como professor na Universidade de Cambridge, Inglaterra. Em 1516, sua edição do Novo Testamento em grego foi publicada com seu próprio paralelo da tradução em latim. Assim, pela primeira vez estudiosos da Europa ocidental puderam ter acesso ao Novo Testamento na língua original, embora, infelizmente, os manuscritos fornecidos a Erasmo fossem de origem relativamente recente e, portanto, não eram completamente confiáveis.

DESCOBERTAS ARQUEOLÓGICAS

Várias foram as descobertas arqueológicas que proporcionaram o melhor entendimento das Escrituras Sagradas. Os manuscritos mais antigos que existem de trechos do Antigo Testamento datam de 850 d.C. Existem, porém, partes menores bem mais antigas como o Papiro Nash do segundo século da era cristã. Mas sem dúvida a maior descoberta ocorreu em 1947, quando um pastor beduíno, que buscava uma cabra perdida de seu rebanho, encontrou por acaso os Manuscritos do Mar Morto, na região de Jericó.

Durante nove anos vários documentos foram encontrados nas cavernas de Qumrân, no Mar Morto, constituindo-se nos mais antigos fragmentos da Bíblia hebraica que se têm notícias. Escondidos ali pela tribo judaica dos essênios no Século I, nos 800 pergaminhos, escritos entre 250 a.C. a 100 d.C., aparecem comentários teológicos e descrições da vida religiosa deste povo, revelando aspectos até então considerados exclusivos do cristianismo.

Estes documentos tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos foram produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C. Destaca-se, entre estes documentos, uma cópia quase completa do livro de Isaías, feita cerca de cem anos antes do nascimento de Cristo. Especialistas compararam o texto dessa cópia com o texto-padrão do Antigo Testamento hebraico (o manuscrito chamado Codex Leningradense, de 1008 d.C.) e descobriram que as diferenças entre ambos eram mínimas.

Outros manuscritos também foram encontrados neste mesmo local, como o do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó.

As descobertas arqueológicas, como a dos manuscritos do Mar Morto e outras mais recentes, continuam a fornecer novos dados aos tradutores da Bíblia. Elas têm ajudado a resolver várias questões a respeito de palavras e termos hebraicos e gregos, cujo sentido não era absolutamente claro. Antes disso, os tradutores se baseavam em manuscritos mais "novos", ou seja, em cópias produzidas em datas mais distantes da origem dos textos bíblicos.

ORIGEM DO DIA DA BÍBLIA

O Dia da Bíblia surgiu em 1549, na Grã-Bretanha, quando o Bispo Cranmer, incluiu no livro de orações do Rei Eduardo VI um dia especial para que a população intercedesse em favor da leitura do Livro Sagrado. A data escolhida foi o segundo domingo do Advento - celebrado nos quatro domingos que antecedem o Natal. Foi assim que o segundo domingo de dezembro tornou-se o Dia da Bíblia. No Brasil, o Dia da Bíblia passou a ser celebrado em 1850, com a chegada, da Europa e dos Estados Unidos, dos primeiros missionários evangélicos que aqui vieram semear a Palavra de Deus.

Durante o período do Império, a liberdade religiosa aos cultos protestantes era muito restrita, o que impedia que se manifestassem publicamente. Por volta de 1880, esta situação foi se modificando e o movimento evangélico, juntamente com o Dia da Bíblia, se popularizando.

Pouco a pouco, as diversas denominações evangélicas institucionalizaram a tradição do Dia da Bíblia, que ganhou ainda mais força com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil, em junho de 1948. Em dezembro deste mesmo ano, houve uma das primeiras manifestações públicas do Dia da Bíblia, em São Paulo, no Monumento do Ipiranga.

Hoje, o dia dedicado às Escrituras Sagradas é comemorado em cerca de 60 países, sendo que em alguns, a data é celebrada no segundo Domingo de setembro, numa referência ao trabalho do tradutor Jerônimo, na Vulgata, conhecida tradução da Bíblia para o latim. As comemorações do segundo domingo de dezembro mobilizam, todos os anos, milhões de cristãos em todo o País.

Fonte: http://www.ilumina.com/

A Deturpação das Escrituras e as Seitas

Tendo em vista esse dilúvio de falsificações, os crentes têm uma necessidade ímpar de compreender profundamente o autêntico cristianismo. Isso porque é impossível reconhe­cer uma fraude a menos que tenhamos o conhecimento do genuíno. Os enganos só podem ser corretamente medidos quando contrastados com a verdade da infalível Palavra de Deus.

O fato é que as seitas são notórias deturpadoras das Escrituras. Quando se estiver lidando com seitas, deve-se ter em mente que elas são sempre edificadas não sobre aquilo que a Bíblia ensina, mas sobre o que os fundadores ou líde­res das respectivas seitas dizem que a Bíblia ensina.

Este blog vai ajudar você, a virar a mesa com amor sobre os adeptos de seitas e "desfa­zer" o que foi por eles torcido a respeito das Escrituras, para que possam enxergar aquilo que as Escrituras realmente ensinam. Jesus disse que as suas palavras conduzem à vida eterna (Jo 6.63). Mas para que recebamos a vida eterna através de suas palavras, essas devem ser recebidas como Ele planejou que fossem recebidas. Uma reinterpretação das Escrituras feita por uma seita, que tenha como resul­tado um outro Jesus e um outro Evangelho (2 Co 11.3,4; Gl 1.6-9) trará apenas a morte eterna (Ap 20.11-15).

Este blog também irá ajudá-lo a "desfazer" as interpretações defeituosas de grupos que são verdadeiras aberrações, difíceis de serem classificados até mesmo como seitas. Ele o ajudará a res­ponder às aberrações de tais grupos.

Devemos nos lembrar de que uma das maneiras de bri­lharmos como luzes em nosso mundo (Mt 5.16) é dar perante as outras pessoas um consistente exemplo do signifi­cado de manusear corretamente a Palavra da Verdade (2 Tm 2.15). Fazendo isso, outras pessoas deverão nos imitar nessa área. E à medida que outros aprendem a nos imitar quanto à maneira correta de se manusear as Escrituras, também poderão ser usados por Deus para dar exemplo diante de outros.

O processo começa com uma única pessoa — você! Juntos somos capazes de reprimir o crescimento de seitas e grupos repletos de erros.

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

*Onde se lê a palavra Blog, no Text Original consta a palavra Livro [Resposta as Seitas].

Como podemos explicar a citação do Salmo 40, feita de forma distorcida? Hebreus 10:5-7

PROBLEMA: O Salmo 40:6 cita o Messias dizendo: "abriste os meus ouvidos", mas o escritor de Hebreus cita-o como: "um corpo me formaste" (Hb 10:5). Não há semelhança alguma entre essas citações. O NT parece distorcer completamente a passagem do AT.

SOLUÇÃO: Essa dificuldade surge do fato de que o autor de Hebreus cita uma versão grega do AT (a Septuaginta), ao passo que o Salmo 40 originalmente foi escrito em hebraico. Entretanto, isso não resolve a dificuldade para todo aquele que crê na inspiração da Bíblia, já que uma vez que uma passagem é citada no NT, tem-se a garantia de sua veracidade. Como, então, esse aparente erro de citação pode ser explicado?

A solução pode recair no fato de que Hebreus é uma versão livre, e o Salmo é uma tradução mais literal da mesma idéia, a saber: "Tu me tens preparado para um serviço obediente". A frase do Salmo - "abriste os meus ouvidos" - pode ser uma figura de linguagem que se refere ao ato de furar a orelha de um escravo como sinal de submissão ao seu senhor. Nesse caso, Hebreus na verdade torna mais claro o sentido dessa obscura figura de linguagem, com sua versão mais "livre".

Outros declaram que isso é uma sinédoque, na qual uma parte está pelo todo. Isso quer dizer, se Deus está para "abrir as orelhas" (de forma que o Messias obedeça a Deus e se torne um sacrifício pelo pecado), então ele tem de "preparar um corpo" para si, no qual possa entrar no mundo e realizar a sua divina missão (cf. Hb 10:5). De qualquer modo, tem-se uma solução satisfatória para essa dificuldade, atendendo também ao princípio de que as citações do NT não precisam ser referências exatas, contanto que sejam fiéis à verdade contida no texto do AT.

MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 
Norman Geisler - Thomas Howe.

Paulo não dá esse poeta pagão como inspirado, pelo simples fato de fazê-lo parte da Escritura? Tito l:12

PROBLEMA: Os cristãos acreditam que somente a Bíblia é a Palavra de Deus (2 Tm 3:16). Contudo, o apóstolo Paulo cita poetas pagãos em pelo menos três ocasiões. Mas ao fazer isso ele parece estar então considerando essas fontes como sendo inspiradas, tal como acontece quando ele cita as Escrituras do AT como sendo a Palavra de Deus (cf. Mt4:4,7,10).

SOLUÇÃO: Paulo não está citando essa fonte não cristã como sendo inspirada, mas simplesmente como sendo uma verdade. Toda verdade é uma verdade de Deus, não importa quem a tenha dito. Caifás, o sumo sacerdote judeu, proferiu uma verdade acerca de Cristo (Jo 11:49).

A Bíblia usa com freqüência fontes não inspiradas (cf. Nm 21:14; Js 10:13; 1 Rs 15:31). Por três vezes Paulo cita pensadores não cristãos (At 17:28; 1 Co 15:33; Tt 1:12). Judas refere-se a verdades encontradas em livros não canônicos (Jd 9, 14). A Bíblia, porém, nunca faz tais citações como tendo autoridade da parte de Deus, mas simplesmente por conterem a verdade que é citada.

As frases usuais, tais como "assim disse o Senhor" (cf. Is 7:7; Jr 2:5) ou "está escrito" (Mt 4:4,7,10) nunca são encontradas quando há citações dessas fontes não inspiradas. Não obstante, verdade é verdade, onde quer que seja encontrada. E não há razão alguma, portanto, para que um autor bíblico, por direção do Espírito Santo, não possa utilizar uma verdade seja de que fonte for.



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Norman Geisler - Thomas Howe.

Essa passagem prova a inspiração de toda a Escritura, ou de apenas parte dela? 2 Timóteo 3:16

PROBLEMA: Paulo diz nessa passagem: "Toda a Escritura é inspirada por Deus". Alguns acham que "toda" deveria ser substituída por "cada". Ainda, outros crêem que o verbo de ligação "é" deveria ser colocado depois de "inspirada por Deus", dando margem para se poder admitir que algumas passagens não sejam inspiradas.

SOLUÇÃO: Primeiro, muitas versões traduzem esse versículo assim: "Toda a Escritura é divinamente inspirada" ou então como a ARA: "Toda a Escritura é inspirada por Deus". Se o verbo "é" fosse colocado após a expressão "inspirada por Deus", isso daria margem a se admitir que; alguns textos da Bíblia não são inspirados.

Segundo, algumas versões não têm o artigo "a" depois da palavra "toda", ficando com o sentido de "cada". Argumentam alguns que no grego não consta o artigo definido antes dessa palavra. Entretanto, toda vez que a palavra "Escritura" (graphê) é usada no NT ela se refere aos escritos inspirados e que têm autoridade - e nunca o oposto – seja com ou sem o artigo definido no grego. Essa palavra é usada com referência às Escrituras hebraicas (como no versículo em questão), ou com referência aos escritos do NT (2 Pe 3:16).

Terceiro, a palavra correspondente à expressão "inspirada por Deus" sugere que Deus guiou os autores do NT, de modo que eles escrevessem cada palavra como se fosse ditada por Deus. Como observamos em 2 Pedro 1:20-21, nenhuma profecia da Escritura proveio da vontade do homem, mas os escritores da Bíblia foram movidos (levados) pelo Espírito Santo a falar da parte de Deus.

A palavra correspondente a "movidos" (pherõ) em 2 Pedro é a mesma usada em Atos 27:15, que diz que o navio que levava Paulo foi tomado por uma tempestade em que eles não podiam resistir ao vento. Eles cessaram toda manobra, e deixaram-se "levar" pela tempestade. Assim também foi com relação ao Espírito inspirando os autores das Escrituras quando escreveram a Palavra de Deus. Mas se todos os autores da Escritura foram movidos por Deus, então as palavras da Bíblia foram como que ditadas por Ele, sem erros, já que Deus não pode errar (Hb 6:18; Tt 1:2; Jo 17:17).

Finalmente, mesmo que se pudesse argumentar com base no NT que nem todo emprego da expressão "Escritura" se refira a um texto inspirado, isso não invalidaria o ensino de Paulo de que todo o AT é inspirado por Deus. O contexto deixa bem claro que a "Escritura" a que ele se refere em 2 Timóteo 3:16 são "as sagradas letras" (3:15), que a mãe e a avó de Timóteo lhe tinham ensinado (cf. 2 Tm 1:5), e estas seguramente eram todo o AT dos judeus.

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O que aconteceu com a epístola dos Laodicenses, que foi extraviada? Colossenses 4:16

PROBLEMA: Paulo refere-se à epístola "de Laodiceia" como sendo uma carta que ele escreveu e que deveria ser lida pela igreja de Colossos, assim como a carta inspirada aos Colossenses deveria ser lida pelos laodicenses. Entretanto, não existe tal epístola aos Laodicenses, do primeiro século (embora haja uma falsa, do século IV). Mas é muito estranho que um livro inspirado tenha desaparecido. Por que Deus inspiraria uma carta assim, para a fé e a prática da igreja (2 Tm 3:16-17), e depois permitiria que fosse destruída?

SOLUÇÃO: Há duas possibilidades. Primeiro, é possível que Deus não pretendesse incluir na Bíblia todos os textos inspirados e com autoridade divina. Lucas refere-se a outros Evangelhos (Lc 1:1), e João afirmou que houve muitas outras coisas que Jesus fez, que não foram registradas no seu Evangelho (Jo 20:30; 21:25). Assim, é possível que Deus tenha pretendido que figurassem no cânon das Escrituras apenas os livros inspirados que ele, com sua providência, preservou.

A segunda possibilidade é que há razões muito boas para se acreditar que a epístola "de Laodiceia" na verdade não tenha sido perdida, mas que seja realmente o livro de Efésios. Em primeiro lugar, o texto não a chama de epístola aos laodicenses, mas de epístola "de Laodicéia"(4:16), o que dá a entender que ela provinha dessa cidade, não importando o nome que pudesse ter tido.

Segundo, sabe-se que Paulo escreveu Efésios na mesma época em que ele escreveu Colossenses, e que a enviou a outra igreja daquela mesma região.

Terceiro, há evidências de que o livro de Efésios originalmente não tinha esse nome, mas era uma carta circular que foi enviada às igrejas da Ásia Menor. É interessante que em alguns dos primeiros manuscritos não consta a expressão "em Éfeso", de Efésios 1:1. Certamente é estranho que Paulo, tendo antes passado três anos ministrando aos efésios (At 20:31), não lhes tenha enviado nenhuma saudação pessoal, se é que a carta aos Efésios era destinada exclusivamente a eles. Em contraste, Paulo ainda não tinha ido a Roma, mas enviou saudações a muitas pessoas em sua carta aos Romanos (Rm 16:1-16).

Quarto, nenhuma epístola aos Laodicenses é jamais citada pelos primitivos pais da Igreja, embora suas citações do NT sejam superiores a 36.000, e incluam todos os livros e quase todos os versículos do NT.

Uma falsa epístola aos Laodicenses apareceu no século IV, mas os eruditos não crêem que ela seja a carta a que Paulo se referiu. Com efeito, ela é basicamente uma compilação de citações de Efésios e de Colossenses, a qual o Conselho de Nicéia (787 a.D.) chamou de "falsa epístola".

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Norman Geisler - Thomas Howe.

Ao citar um poeta pagão como parte das Escrituras, Paulo não está assim proferindo que um texto pagão é também inspirado? 1 Coríntios 15:33

(Veja o segundo comentário de Tito 1:12.)

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Norman Geisler - Thomas Howe.

Paulo cometeu um erro ao citar quantas pessoas morreram? 1 Coríntios 10:8

PROBLEMA: Paulo diz nesse versículo que 23.000 pessoas morreram. Em Êxodo 32:28, o número de pessoas referidas como tendo sido mortas é 3.000. Isso parece ser um erro.

SOLUÇÃO: Primeiro, em Êxodo 32:28 as pessoas foram mortas à espada, e as que Paulo menciona morreram pela espada e por causa de uma praga. Êxodo 32:35 diz: "Feriu, pois, o Senhor ao povo, porque fizeram o bezerro que Arão fabricara". Paulo dá o total incluindo os que foram mortos pela espada e pelo ferimento do Senhor (pela praga). Mas Êxodo 32:28 nos fornece apenas o número dos que foram mortos pela espada.

Segundo, alguns acham que o número de pessoas mortas que Paulo fornece relaciona-se com um relato de juízo ocorrido em Números 25:9, que diz terem sido mortas 24.000 pessoas. Isso pode ser respondido de duas maneiras. Primeiramente, a passagem de Números não dá um período de tempo específico dentro do qual tantas pessoas morreram, mas o apóstolo Paulo disse que 23.000 morreram num só dia. A passagem de Números, entretanto, não especifica quantos foram mortos num só dia, mas fornece o número total de mortes. Além disso, alguns estudiosos dizem que Paulo não se refere a Números, porque 1 Coríntios 10:7 cita Êxodo 32:6, enquadrando-se assim o contexto de 1 Coríntios com Êxodo 32:28.

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Norman Geisler - Thomas Howe.

Como as palavras de Paulo podem ser inspiradas, se ele diz estar apenas dando a sua opinião? 1 Coríntios 7:12 (cf. 7:40)

PROBLEMA: Em duas passagens de 1 Coríntios (7:12, 40), o apóstolo Paulo parece dar a entender que ele estava escrevendo sob sua própria autoridade, não com a do Senhor. Primeiro ele diz: "Aos mais digo eu, não o Senhor" (l Co 7:12). E em 7:40 ele diz: "e penso que também eu tenho o Espírito de Deus", o que pode dar a entender que Paulo não está seguro quanto a ter o Espírito Santo. Como esses versículos poderão então harmonizar-se com a autoridade divina reclamada por Paulo em suas epístolas? (cf. Gl 1:11-17; 2 Tm 3:16-17).

SOLUÇÃO: Primeiro, a respeito de 1 Coríntios 7:12, Paulo está referindo-se ao fato de que o Senhor não abordou diretamente essa questão quando ele falou do divórcio e do casamento (Mt 5:31-32; 19:4-12). Assim, Paulo aborda precisamente essa questão, dando a sua visão, com autoridade, quanto a uma esposa crente permanecer com um marido descrente.

Segundo, Paulo não tinha dúvida alguma quanto a possuir o Espírito Santo nessa questão, já que ele disse claramente: "também eu tenho o Espírito de Deus" (1 Co 7:40). Assim, essa passagem não pode ser usada para mostrar que Paulo estaria dizendo não ter autoridade divina.

Finalmente, Paulo de modo claro afirmou sua autoridade divina nessa mesma carta, declarando o que ele escreveu como sendo "palavras... ensinadas pelo Espírito" (1 Co 2:13). De fato, ele conclui a carta dizendo "ser mandamento do Senhor o que vos escrevo" (14:37). Dessa for-m a, suas palavras no capítulo 7 devem ser consideradas em harmonia com essas enfáticas declarações.

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Se Paulo escreveu outra epístola inspirada, por que Deus permitiu que ela se perdesse? 1 Coríntios 5:9

PROBLEMA: Paulo refere-se a uma epístola anterior escrita por ele aos coríntios, da qual não se tem conhecimento. Mas desde que ela foi escrita por um apóstolo a uma igreja e continha instruções espirituais de quem possuía autoridade, tal carta deve ser considerada inspirada. Isso levanta a seguinte questão: Como pôde então Deus permitir o extravio de uma epístola inspirada.

SOLUÇÃO: Há três possibilidades nessa questão. Primeiro, pode ser que nem todas as cartas apostólicas tenham tido o propósito de estar no cânon das Escrituras. Lucas refere-se a "muitos" outros evangelhos (1;1). João dá a entender que houve muitas coisas mais, que Jesus fez, mas que não foram registradas (20:30; 21:25). É possível que Deus não pretendesse que essa assim chamada "carta perdida" aos coríntios integrasse o cânon dos livros que foram preservados para a fé e prática das futuras gerações, como aconteceu com os demais 27 livros do NT (e com os 39 do AT).

Segundo, alguns crêem que a carta referida (em 1 Co 5:9) pode não estar perdida afinal, mas ser uma parte de um livro existente na Bíblia. Pór exemplo, ela poderia ser parte do trecho que conhecemos como sendo 2 Coríntios (capítulos de 10 a 13), que alguns acreditam ter sido posto junto com os capítulos de 1 a 9. Para isso baseiam-se no fato de que os capítulos de 1 a 9 têm notoriamente um tom diferente em relação ao restante do livro de 2 Coríntios (capítulos de 10 a 13).

Isso pode indicar que o trecho foi escrito numa ocasião diferente. Além disso, apontam para o uso da palavra "agora" ( em 1 Co 5:11), em contraste com um implícito "então", quando o livro anterior fora escrito Observam também que Paulo refere-se a "cartas" (no plural) que ele tinha escrito, em 2 Coríntios 10:10.

Terceiro, outros acreditam que em 1 Coríntios 5:9 Paulo esteja se referindo ao presente livro de 1 Coríntios, ou seja, ao mesmo livro que ele estava escrevendo naquela hora. Em apoio a isso observam o seguinte:

1) Embora o tempo verbal grego empregado aqui, o aoristo ("escrevi"), possa referir-se a uma carta do passado, ele poderia referir-se também ao mesmo livro. Isso é chamado de um "aoristo epistolar", porque se refere ao mesmo livro em que ele está sendo usado.

2) Em grego, o aoristo não é um tempo do passado como tal. Ele refere-se ao tipo de ação, e não propriamente ao tempo da ação. Ele identifica uma ação completa, que pode até mesmo ter levado muito tempo para ser realizada (cf. Jo 2:20).

3) tempo aoristo com freqüência implica uma ação decisiva, sendo que no caso Paulo estaria dizendo mais ou menos o seguinte: "Estou escrevendo-lhes em caráter decisivo..." Isso certamente está de acordo com o contexto dessa passagem, na qual ele está instando a Igreja a tomar uma medida imediata de excomungar um membro impuro.

4) Outro "aoristo epistolar" foi usado por Paulo nessa mesma carta, quando ele disse: "Não estou escrevendo na esperança de que vocês façam isso por mim" (1 Co 9:15, NVI).

5) Não há absolutamente indicação alguma na história da igreja primitiva de que uma tal carta de Paulo, além das conhecidas 1 e 2 Coríntios, tenha existido. A referência em 2 Coríntios 10:10, dizendo: "as cartas... são graves", pode significar tão somente "o que ele escreve é grave". E o "agora" de 1 Coríntios 5:11 não indica necessariamente que era uma carta posterior. Esta palavra pode ser traduzida por "não" (BJ), ou como uma expressão de ênfase: "o que eu digo é que..." (TLH e, com pequena variação, BV).

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Como Paulo pôde considerar inspiradas as palavras de Elifaz, se Deus o repreendeu por dizê-las a Jó? 1 Coríntios 3:19

PROBLEMA: Em 1 Coríntios 3:19 o apóstolo Paulo cita do livro de Jó uma afirmativa feita por Elifaz, um dos amigos de Jó, a saber: "porquanto está escrito: 'Ele apanha os sábios na própria astúcia deles'" (cf. Jó 5:13). Contudo, no livro de Jó, Deus disse a Elifaz: "A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó" (Jó 42:7). Se o que Elifaz disse não era reto, então as suas palavras podem ser consideradas inspiradas?

SOLUÇÃO: Primeiro, Deus não disse que tudo que tinha sido falado por Elifaz era falso, mas apenas as suas acusações de que Deus estaria punindo Jó por causa dos pecados dele. Nesse ponto Elifaz e seus amigos não falaram o que era correto segundo Deus. Porque Deus considerava Jó um homem "íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal" (Jó 2:3).

Satanás pensou que, diante de determinadas circunstâncias, Jó blasfemaria contra Deus (2:4-5). Portanto, tudo o que aconteceu a Jó foi permitido por Deus para mostrar que ele não blasfemaria. O que aconteceu não foi por Jó ter pecado. À luz disso, os amigos de Jó estavam errados. Mas isso não significa que eles não tenham dito nada que fosse verdadeiro em seus discursos. Por exemplo, certamente Elifaz estava correto ao dizer que Deus "faz chover sobre a terra e envia águas sobre os campos" (5:10). De igual modo, foi correto o que ele disse ao afirmar que Deus "apanha os sábios na sua própria astúcia" (Jó 5:13).

Segundo, Paulo emprega a frase "está escrito" ao referir-se ao texto citado. Essa é uma prática padrão do NT para mostrar que uma determinada passagem tem autoridade (cf. Mt 4:4,7,10). Assim, o inspirado NT aprova aquela declaração como sendo verdadeira. Realmente, o fato de que Deus faz uso dessa mesma verdade básica na sua declaração a Jó (37:24) dá a sua divina aprovação a ela, tornando-a apropriada para que Paulo a cite como inspirada.



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Paulo foi incorreto em sua citação do Salmo 68:18? Efésios 4:8

PROBLEMA: Paulo cita o Salmo 68:18 da seguinte forma: "Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens" (Ef 4:8). Entretanto, esse Salmo do AT diz: "Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro, recebeste homens por dádivas". Não há uma divergência entre esses dois textos?

SOLUÇÃO: Alguns dizem que Paulo não citou a partir do texto da Septuaginta, mas do Targum em aramaico, que era utilizado pelos judeus ortodoxos para interpretar o texto. A Septuaginta traduz o hebraico com o verbo "tomaste", enquanto o Targum o traduz "deste".

De qualquer modo, a idéia transmitida por essas duas traduções do hebraico é que Deus recebeu ou tomou dádivas para que elas pudessem ser distribuídas aos homens. Já que essas duas idéias acham-se no texto, as duas versões estão corretas. Assim, Paulo diz: "Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4:11).

Em outras palavras, Paulo cita essa passagem do AT para mostrar que Cristo foi vitorioso sobre os nossos inimigos espirituais, tomando deles os despojos da batalha e concedendo dons aos crentes; e que estes, pêlo uso desses dons, podem vencer esses inimigos. Portanto, a forma camo Paulo cita esse salmo não é discrepante, uma vez que foi precisamente isso que Davi fez quando saqueou os bens do inimigo e os deu aós seus homens.


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Contradições da Bíblia - Por que estão lá?

A Bíblia aparenta ter muitas contradições em suas páginas. Por exemplo, os quatro evangelhos oferecem quatro relatos diferentes, a respeito do que foi escrito na placa que estava pendurada na cruz. Mateus diz: "Este é Jesus o Rei dos Judeus" (27:37). No entanto, Marcos contradiz isso com "O Rei dos Judeus" (15:26). Lucas afirma algo diferente: "Este é o Rei dos Judeus" (23:38), e João sustenta que a placa dizia "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus" (19:19).

Aqueles que estão à procura de contradições portanto podem  dizer: "Veja, a Bíblia está cheia de erros!" e resolvem por rejeitá-la inteiramente como sendo indigna de confiança. Entretanto, aqueles que confiam em Deus não encontram nenhum problema em harmonizar os Evangelhos. Não há nenhuma contradição se a placa disse simplesmente: "Este é Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus".

A base religiosa da confiança deles está sobre duas verdades: 1) "toda a Escritura é inspirada por Deus" (2 Timóteo 3:16); e 2) uma regra elementar da Escritura é que Deus tem intencionalmente incluído aparentes contradições na Sua Palavra para servir de "armadilha" aos soberbos. Ele tem "escondido" essas coisas do "sábios e inteligentes" e "as revelaste aos pequeninos" (Lucas 10:21), propositadamente escolhe as coisas loucas para confundir as sábias (1 Coríntios1:27).

Tradução: Hélio S. Júnior - Desafio Cristão

A Igreja Católica Romana nos deu a nossa Bíblia?

É comum católicos romanos dizerem que foi a sua igreja que nos deu a Bíblia. Eles muitas vezes dizem isso quando estão defendendo a sua "Sagrada Tradição", de forma que eles possam defender doutrinas não bíblicas, como purgatório, penitências, indulgências, e adoração a Maria. Eles com frequência dizem que a única forma que a igreja cristã teve para saber quais livros seria incluídos no Canon das Escrituras foi através do boca-a-boca da igreja primitiva; ou seja, pela tradição da Igreja Católica.

Infelizmente, esse argumento implica em dizer que a tradição é superior às Escrituras. Note que não estamos dizendo que a Igreja Católica Romana ensina que tradição é maior do que as escrituras. Mas quando alguém diz que a Sagrada Tradição foi a forma pela qual as Escrituras foram dadas, então claramente isso quer dizer que a Tradição abençoou e aprovou a Bíblia. Hebreus 7:7 diz, "Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior." Ao dizer que a tradição católica que nos deu A Bíblia, criamos um efeito psicológico infeliz: elevamos a tradição a um nível superior do que é permitido nas escrituras. Na verdade, a Bíblia diz o contrário:

"Ora, irmãos, estas coisas eu as apliquei figuradamente a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, de modo que nenhum de vós se ensoberbeça a favor de um contra outro." (1 Co 4:6)

A Bíblia nos diz para obedecer a Palavra de Deus, para não ir além do que está escrito, para que não erremos a respeito da verdade. O problema com o status elevado que a Igreja Católica dá à Tradição é que esse status resulta em justificações de várias doutrinas não bíblicas, como rezar para Maria, purgatório, indulgências, obras de justiça, etc. Tendo se desviado das Escrituras, a igreja se aventurou em áreas não-bíblicas. De qualquer forma, a Igreja Católica Romana nos deu a Bíblia? Não.

Em primeiro lugar, a Igreja Católica Romana não existia de fato como organização nos primeiros dois séculos da Igreja Cristã. A igreja cristã estava sob perseguição, e encontros de igreja oficiais eram bem arriscados no Império Romano. Catolicismo, como organização cuja figura central está localizada em Roma, demorou a acontecer, apesar de católicos dizerem que o primeiro papa foi Pedro.

Em segundo lugar, a Igreja Cristã reconheceu o que era parte das Escrituras. A Igreja não o estabeleceu. Isso é uma diferença muito importante. A Igreja Cristã reconhece o que Deus inspirou, e pronuncia esse reconhecimento. Em outras palavras, a Igreja somente descobre o que já era autêntico. Jesus disse "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;" (Jo 10:27). A igreja ouve a voz de Cristo. Só isso, ela reconhece o que é inspirado e segue a Palavra. A igreja não adiciona nada à Palavra, como a Igreja Católica Romana fez. Logo, a Igreja Católica Romana não está seguindo a voz de Cristo.

Em terceiro lugar, a Igreja Católica Romana não nos deu o Velho Testamento, que é a parte das escrituras que Cristo e os apóstolos citaram e usaram. Se a Igreja Católica quer dizer que nos deu a Bíblia, como eles podem dizer que nos deram o Velho Testamento, que é parte da Bíblia? Eles não o fizeram, obviamente. O fato é que os verdadeiros seguidores de Deus reconhecem o que é ou não inspirado. Os judeus sabiam o que era inspirado por Deus, e eles reconheciam o que Deus havia inspirado. É isso que aqueles que pertencem a Deus fazem.

Quarto, quando os apóstolos escreveram os documentos do Novo Testamento, eles foram inspirados pelo poder do Espírito Santo. Não havia discussão a respeito se os documentos eram ou não autênticos. O que eles escreverem não precisava ser considerado digno de inclusão no Canon das Escrituras por um grupo de homens na Igreja Católica Romana. Na verdade, pensar isso é, em efeito, usurpar o poder natural, e a autoridade do próprio Deus em relação ao Canon.

Por fim, as Escrituras dizem, "sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo." (1 Pedro 1:20-21). A Bíblia nos diz que as Escrituras são inspiradas pelo Espírito Santo. Logo, a própria natureza desses documentos inspirados é o que carrega o poder e a autenticidade dos mesmos. A eles não são dados poder e autenticidade através de declarações eclesiásticas.

Conclusão

A Igreja Cristã meramente reconhece a Palavra de Deus (Jo 10:27). A autenticidade dos documentos do Novo Testamento vem da inspiração de Deus, através dos apóstolos, ao invés de vir da declaração da Igreja Católica. Isso é muito importante. A Igreja Cristã reconhece o que Deus ordenou que estivesse na Palavra de Deus através da sua inspiração soberana. Quando a Igreja Católica se coloca como a fonte das Sagradas Escrituras, ela está na verdade se colocando acima da própria palavra de Deus, e precisa se arrepender inspiração soberana.

Matt Slick
Carm.org

Como Memorizar a Escritura

Muitas pessoas não refletem que podem memorizar o trajeto de saída de um shopping novo, sem falar em lembrar um versículo da Bíblia. Tenho conversado com dúzias de pessoas sobre a memorização da Escritura que dizem sempre a mesma coisa: “Eu tenho uma memória terrível.” Minha resposta a elas é: “Tolice!” Todas as pessoas memorizam a todo momento. Você aprendeu a falar, não é mesmo? Você memorizou milhares de ‘fazer' e ‘não fazer' na vida, certo? Você sabe o seu número de seguro social, o seu número de telefone, o seu endereço, quantos irmãos, irmãs ou filhos tem, como chegar ao trabalho e o que fazer quando lá chega. O problema não é que as pessoas não conseguem memorizar, o problema é que não querem memorizar.

A Bíblia é o fundamento para o testemunho e você precisa memorizar versículos para que esteja apto a utilizá-los – isso se aplica à sua vida devocional bem como ao seu testemunho. Um problema sério que eu tenho constatado é que a maioria das pessoas memorizaram menos de sete versículos. O Testemunha de Jeová mediano tem se comprometido muito mais com essa memorização e, tendo oportunidade, poderia fazer o cristão mediano sentir-se tão conhecedor quanto um pão de banana. O que eu desejaria era ajudá-lo a memorizar melhor.

Quatro passos simples para a memorização.

Há quatro passos simples para a memorização da Escritura. Vamos usar 1 Pedro 2.24 como um exemplo: “e Ele mesmo carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que pudéssemos morrer para o pecado e viver para a justiça; porque por suas chagas fostes sarados” (NASB).

Passo 1: Localização

O primeiro passo é memorizar a localização, não o versículo em si. A razão para isso é que se você esquecer o versículo, mas memorizou a sua localização, poderá sempre localizá-lo.

Primeiro memorize a localização: “1 Pedro 2.24”. Diga “1 Pedro 2.24” várias vezes. Não se preocupe de início com o que diz a passagem, apenas memorize a sua localização. Tenha certeza de que quando você falar 1 Pedro 2.24 isso flua suavemente dos seus lábios. Pronuncie 1 Pedro 2.24 enfatizando diferentes sílabas. Fale 1 Pedro 2.24, ou 1 Pedro 2.24 ou 1 Pedro 2. 24 ou ainda 1 Pedro 2.24. Mas fale 1 Pedro 2.24 tantas vezes quanto necessário para que quando você disser isso seja tão natural quanto respirar.

Passo 2: Ponto essencial

O segundo passo é estudar o ponto essencial ou cerne do versículo. No nosso exemplo ele é muito simples - “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro.” Diga, “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro” de diferentes formas. Diga “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro”, ou “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro”, ou “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro” etc. Mas fale “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro” tantas vezes quanto necessário para que quando você falar “Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro” isso seja tão natural quanto falar 1 Pedro 2.24 (um tanto repetitivo, não é?).

Passo 3: Associação

A terceira parte é mais divertida. É quando você associa os dois numa só coisa. Fale “1 Pedro 2.24 é Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro. Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro é 1 Pedro 2.24. 1 Pedro 2.24 é Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro…” Fale isso muitas vezes, cerca de dez vezes. Se você fizer isso, logo logo irá memorizar.

Essa parte da associação é importante porque ajuda você a pensar numa das partes sempre que pensar na outra. Por exemplo, se alguém pedir a você “Onde está escrito que Jesus carregou os nossos pecados em Seu corpo?” você imediatamente responderá dizendo “1 Pedro 2.24”. Isso funciona.

Passo 4: Um pedaço de papel

O quarto e último passo é pegar um pedaço de papel com linhas, de 8 polegadas e meia por 11 polegadas (N.T.: 1 polegada = 2,54cm) e riscar uma linha vertical de uma polegada a partir do lado esquerdo.

Escreva a localização do versículo na coluna da esquerda do seu papel e no lado direito escreva o versículo. Faça isso com todos os versículos que desejar memorizar. Dobre o papel, coloque-o em seu bolso ou bolsa e carregue-o aonde quer que você vá. Quando esquecer um versículo ou a sua localização simplesmente tome o papel e refresque a sua memória. Logo você terá memorizado mais de cem versículos.

A memorização é como um exercício. Quanto mais você o praticar, mais fácil ele se tornará a você; quanto menos você se dedicar a ele mais se tornará árduo. Portanto faça isso. Se você seguir esse procedimento a sua mente se tornará como uma esponja, você acabará memorizando toda espécie de coisas com a maior facilidade, como quantas meias há na sua gaveta, tudo o que está na sua geladeira e mesmo onde estão as chaves do seu carro.

E mais uma coisa: você ficará espantado como o Senhor usa o que você memorizou.

Matt Slick

Traduzido por: Marcelo Herberts
02 de Outubro de 2005.
Fonte: http://www.monergismo.com/.

Há Outro Cristo? Evangelizando Católicos

























"Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte."  (Provérbios 14 : 12)

"Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."  (João 14 : 6)

Por que esse texto diz "setenta e cinco pessoas", se Êxodo 1:5 diz que eram "setenta pessoas"? Atos 7:14

PROBLEMA: De acordo com Êxodo 1:5, foram apenas 70 descendentes que desceram ao Egito com Jacó. Mas, quando Estêvão relata esse mesmo incidente em Atos 7:14, ele dá o número de 75 pessoas. Isso parece uma clara contradição.


SOLUÇÃO: Há várias possíveis maneiras de se explicar a diferença de números. Alguns eruditos sugerem que Atos 7:14 está incorreto em sua afirmativa de que eram 75 pessoas. Eles observam que tanto a tradução grega da Bíblia (Septuaginta) como um manuscrito hebreu encontrado na região do Mar Morto usam o número 75, tal como Estêvão disse.

Outros sugerem que Lucas, com todo cuidado, registrou o sermão de Estêvão, contudo este teria cometido um erro. Assim, a passagem de Atos é um registro fiel do discurso em que Estêvão cometera esse engano. O relato paralelo de Gênesis 46:27 também dá o número como sendo 70. A maior objeção a essa posição é o fato de que a inclusão feita por Lucas desse discurso traz consigo a implicação de que o que foi dito seja correto. Ainda, o texto afirma que Estêvão estava "cheio do Espírito Santo" quando ele proferiu a sua preleção (7:55).

Outro ponto de vista alega que a diferença pode ser explicada pelo fato de que Estêvão provavelmente estivesse citando com base na Septuaginta (a versão grega do AT), que afirma: "Todas as almas descendentes de Jacó eram setenta e cinco" (Êx 1:5), e não com base na versão hebraica, que afirma: "Todas as pessoas, pois, que descenderam de Jacó foram setenta; José, porém, estava no Egito". A diferença surge em função da maneira como os totais são calculados.

Jacó tinha doze filhos. Acrescentando-se os seus netos e bisnetos, o total é 66. Acrescentando-se Efraim e Manasses, que nasceram de José no Egito, o total chega a 68. Com Jacó e sua esposa dá 70, como o texto hebraico registra. A Septuaginta, contudo, começando com os 12 filhos de Jacó, acrescenta seus 54 netos e bisnetos, que dá 66; acrescenta ainda os sete descendentes de José, que provavelmente eram filhos de Efraim Manasses, e que nasceram algum tempo depois da migração de Jacó ao Egito, mas antes da sua morte. A Septuaginta omitiu também Jacó e sua mulher. Isso dá um total de 75 pessoas, como Estêvão mencionou na passagem de Atos.



TEXTO HEBRAICO
TEXTO GREGO
Jacó e sua esposa
2
Não contados
Filhos de Jacó
12
12
Netos e bisnetos de Jacó
54
54
Filhos de José:
Efraim e Manassés
2
2
Outros descendentes
de José no Egito
Não contatods
7
TOTAL
70
75



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Norman Geisler - Thomas Howe.

Por que alguns eruditos questionam essa história, dizendo que não deveria estar na Bíblia? João 7:53 - 8:11

PROBLEMA: A história da mulher surpreendida em adultério é encontrada na maioria das versões em português, tais como na ARA, R-IBB, SBTB, EC, NVI, TLH e BV, se bem que, em algumas delas (como na ARA) esse texto vem entre colchetes, indicando que não faz parte do texto de João. Algumas dessas versões incluem também uma nota explicativa. Por que muitos eruditos crêem que essa história não faz parte do manuscrito original do Evangelho de João?

SOLUÇÃO: Há várias razões por que muitos eruditos questionam quanto a esta passagem pertencer ou não ao Evangelho de João:


(1) Essa passagem não aparece nos manuscritos gregos mais antigos e confiáveis. 
(2) Ela não é encontrada nos melhores manuscritos das mais antigas traduções da Bíblia para o siríaco antigo, para o copto, para o gótico e para o latim antigo. 
(3) Nenhum escritor grego comentou acerca dessa passagem nos onze primeiros séculos do cristianismo. 
(4) Ela não é citada pela maioria dos grandes primeiros "pais" da Igreja, tais como Clemente, Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Cirilo e outros. 
(5) O seu estilo não é conforme o restante do Evangelho de João. 
(6) Ela interrompe o fluxo de pensamento de João. A seqüência parece ser mais natural passando-se de João 7:52 para 8:12. 
(7) Essa história tem sido encontrada em vários lugares diferentes em certos manuscritos - depois de João 7:36; depois de João 21:24; depois de João 7:44; e depois de Lucas 21:38.
(8) Muitos manuscritos que a incluem em João 7:53-8:11 assinalaram-na com um óbelo, indicando ser uma passagem duvidosa.

Apesar disso, muitos eruditos bíblicos acreditam que essa história é autêntica. Ela com certeza não contém nenhum erro de doutrina, e enquadra-se dentro do caráter de Jesus e do seu ensino, mas não se sabe ao certo se ela estava ou não no texto do manuscrito original de João.


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O AT foi dividido pelos judeus dos dias de Jesus em duas ou em três partes? Lucas 24:44

PROBLEMA: A Bíblia dos judeus é dividida em três seções: a Lei, os Profetas e os Escritos. Muitos crêem que Jesus está se referindo a essa tríplice divisão, na frase: "na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". Entretanto, no NT a forma padrão de referência a todo o AT por Jesus e pelos autores do NT é com a frase: "a lei e os profetas" (cf. Mt 5:17; Lc 24:27). Qual é correta?

SOLUÇÃO: A mais antiga referência às divisões ou seções do AT é a que estabelece duas partes: a Lei e os Profetas. Isso é verdade durante o período do exílio judeu (século VI a.C), tal como indicado por Daniel (9:2, 11, 13), e também depois do exílio (Zc 1:4; 7:7,12; cf. Ml 4:4,5). Referências ao AT continuaram entre o AT e o NT nos apócrifos (1 Macabeus 4:45; 9:27; 2 Macabeus 15:9), bem como na comunidade Qumran (Manual de Disciplina 9.11). Também, como indicado, essa é a forma padrão de se referir às divisões do AT no NT (cf. Mt 5:17; Lc 24:27).

Além disso, essa frase - "a lei e os profetas" - incluía todo o AT (todos os 39 livros), já que Jesus disse que se referia a "todas as Escrituras" (Lc 24:27). Incluía então tudo o que Deus tinha revelado por intermédio dos profetas até João Batista (Mt 11:13). De fato, a maneira enfática com que Jesus referiu-se a "um i ou um til" do AT, que não passariam jamais da lei e dos profetas (Mt 5:17-18), indica que ele estava se referindo a todo o AT.

Entretanto, aparentemente havia uma antiga alternativa de se dividir "os profetas" em duas seções, que vieram a ser conhecidas como "profetas e escritos". O prólogo do Eclesiástico (cerca de 132 a.C.) emprega uma divisão tríplice, assim como o fez o filósofo judeu Filo (cerca de 40 a.D.). Assim também o fez o historiador Josefo (37-100 a.D.) um pouco depois do tempo de Jesus (Contra Apion, 1.8), muito embora ele não tenha colocado exatamente os mesmos livros na sua divisão, como mais tarde o fizeram grupos judeus.

A moderna e tríplice classificação em Lei, Profetas e Escritos encontrada nas Bíblias judaicas de hoje é derivada do Talmude da Babilônia (cerca do século IV a.D.). Assim, as palavras de Jesus em Lucas 24:44 tanto podem referir-se a essa tríplice divisão como não. É interessante que ele não chamou a terceira parte de "Escritos", mas referiu-se apenas ao livro de "Salmos". Alguns crêem que ele o escolheu, entre os demais, somente por causa de sua importância como livro messiânico.

De qualquer forma, Jesus tinha acabado de se referir à dupla divisão padrão de "lei e profetas", chamando-a de "todas as Escrituras" (Lc 24:27).


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