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Breve Introdução ao Adventismo do Sétimo Dia

Será que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é como muita gente pensa, uma denominação igual às outras, tendo como única diferença a guarda do Sábado?

Muitos cristãos, na melhor das hipóteses, vagamente estão conscientes de que o Adventismo é de alguma forma, diferente.

Este site desafia o leitor a perguntar e responder para si mesmo duas questões centrais: As diferenças são reais? E se assim for, são importantes?

Nosso compromisso é alertar o povo de Deus sobre esse movimento que afirma e promove muitos e graves erros como a inspiração dos escritos de Ellen G. White (comprometendo o Sola Scriptura), a doutrina do Juízo Investigativo (comprometendo a Justificação pela Fé), e a doutrina de que aqueles que não guardam o Sábado (para a IASD o Selo de Deus), serão marcados pelo anticristo por adorarem a Deus no Domingo (para a IASD a Marca da Besta). Desviando sutilmente assim nosso olhar de Cristo e sua obra na cruz, para a guarda da Lei (Antigo Pacto) e nossas próprias obras (comprometendo a Graça).

Apresentaremos muitas evidências bíblicas de que a Igreja Adventista do Sétimo Dia vem anunciando, desde sua origem conturbada, um "outro evangelho", muito semelhante ao registrado na epístola aos Gálatas.

"Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." Gálatas 1:6,9 

Ao expormos seus erros doutrinários temos grande esperança de que o Espírito de Cristo liberte da escravidão espiritual incontáveis Adventistas que precisam ouvir o Evangelho proclamado como Deus planejou. Vem Senhor Jesus!

A VERDADE SOBRE O ADVENTISMO

Muitas pessoas tem dificuldades em compreender os Adventistas do Sétimo Dia. Isso ocorre porque a partir da década de 1950 eles começaram a buscar a aceitação das igrejas evangélicas, Cristãos nascidos de novo. Começaram um diálogo com Walter Martin (apologista cristão que fundou o Christian Research Institute, no Brasil ICP) por insistência de Donald Grey Barnhouse.

O que se seguiu foi uma espetacular operação de relações públicas, iniciando um encobrimento das verdadeiras doutrinas do Adventismo. Adventistas querem desesperadamente ser aceitos como evangélicos para que possam fazer seu proselitismo (converter Cristãos). Esse blog ajudará você a conhecer muitas coisas que andam escondendo de você.

O fato de que os ímpios perece­rão significa que eles serão aniquilados? Salmos 99.10

Veja neste blog os nossos comentários a respeito de Sal­mos 37.20 e 2 Tessalonicenses 1.9.

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

O fato de que os ímpios perece­rão significa que perderão a consciência, como rei­vindicam os aniquilacionistas? Salmos 37.20

A MÁ INTERPRETAÇÃO: O Antigo Testamento re­petidamente menciona o perecimento dos ímpios. O salmista escreveu: "Mas os ímpios perecerão, e os ini­migos do Senhor serão como a gordura dos cordeiros; desaparecerão e em fumaça se desfarão" (Sl 37.20; con­fira 68.2; 112.10; Pv 11.10). Os aniquilacionistas insis­tem que perecer implica alguém passar a um estado em que não existe absolutamente nada. As Testemunhas de Jeová acreditam nisso (Mankind's search for God, 1990, pág.128).

CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Quan­do compreendida de forma correta em seu contexto, a palavra "perecer" não dá suporte ao aniquilacionismo.

Em primeiro lugar, o mesmo termo utilizado para des­crever o perecimento do ímpio no Antigo Testamento (abad) é utilizado para descrever o perecimento do justo (veja Is 57.1; Mq 7.2). Mas os próprios aniquilacionistas admitem que os justos não terão a sua existência apagada como uma vela cujo pavio é cortado. Se esse fosse o caso, não haveria razão para que concluíssem o mesmo a res­peito do ímpio. O termo abad é utilizado para descrever coisas que estão meramente perdidas, mas são encontradas mais tarde (Dt 22.3). Esse fato prova que "perecer" não significa "deixar completamente de existir".

A Bíblia faz referências claras ao perdido que está, de forma consciente, em tormentos e enfrentando a puni­ção após a sua morte. Esse fato é verdadeiro tanto para seres humanos (Lc 16.19-31; Ap 19.20) como para o diabo (Ap 20.10).

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

Quando os ímpios forem ex­terminados, serão aniquilados? Salmos 37.9, 34

A MÁ INTERPRETAÇÃO: O salmista afirma que "Os malfeitores serão desarraigados". Em outras passagens (Sl 73.27; Pv 21.28), as Escrituras dizem que eles perecerão (veja comentários sobre 2 Ts 1.9). Será que "ser exter­minado para sempre" significa que os malfeitores serão aniquilados, como crêem muitas seitas (como por exem­plo, as Testemunhas de Jeová) e outros grupos que se constituem verdadeiras aberrações (Reasoning from the Scriptures, 1989, pág. 162) ?

CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Ser "ex­terminado" não significa ser aniquilado. Se significasse, então o próprio Messias teria sido aniquilado quando morreu, uma vez que o mesmo termo hebraico karath é empregado referindo-se à morte do Messias (Dn 9.26). Mas sabemos que Cristo não foi de maneira alguma ani­quilado; Ele está vivo por todo o sempre após a sua mor­te (Ap 1.18).Veja também 2 Tessalonicenses 1.9.

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

Este versículo prova que os seres humanos não possuem uma alma que sobrevive à morte? Gênesis 2.7

A MÁ INTERPRETAÇÃO: As Testemunhas de Jeová citam esse verso para tentar provar que o ser humano não possui uma alma que seja distinta do corpo. "O uso da Bíblia mostra a alma como uma pessoa ou animal, ou ainda a vida que uma pessoa ou animal desfrutam" (Mankind's search for God, 1990, pág. 125). Daí as pessoas são almas no sentido de que são seres viventes, não no sentido de terem em si uma natureza não material que sobrevive à morte.

CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Em Gênesis 2.7 o termo hebraico empregado para "alma" (nephesh) significa "ser vivente". Contudo, esse termo hebraico é rico, possuindo várias nuanças de significado quando em diferentes contextos. Um erro fundamental — cometido algumas vezes por estudantes iniciantes de hebraico e grego — é assumir que se um termo hebraico ou grego é utilizado de alguma forma particular em um verso, deverá obrigatoriamente ter o mesmo significado em todos os seus demais usos. Mas isso é simplesmente errado. O fato é que termos hebraicos e gregos podem ter diferentes nuanças de significado em diferentes con­textos. O termo nephesh é um exemplo. Enquanto ele significa "alma vivente" em Gênesis 2.7, o mesmo termo se refere à alma ou espírito como sendo distintos do corpo em Gênesis 35.18.

Além do mais, quando examinamos o que as Escritu­ras em sua totalidade ensinam a respeito da alma, fica evidente que a posição da Sociedade Torre de Vigia (Tes­temunhas de Jeová) é errada. Por exemplo, Apocalipse 6.9,10 refere-se a almas desprovidas de corpos sob o al­tar de Deus (não teria sentido interpretar a referência a "alma" nesses versos como "ser vivente" — "Vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos"). A primeira Carta aos Tessalonicenses 4.13-17 diz que Cristo trará consigo as almas e espíritos daqueles que estão agora com Ele no céu, e unirá tais espíritos a corpos na ressur­reição. Em Filipenses 1.21-23, Paulo diz que melhor é partir e estar com Cristo. Em 2 Coríntios 5.6-8, Paulo diz que estar ausente do corpo é estar no lar com o Senhor. As Escrituras, como um todo, ensinam que cada pessoa é possuidora de uma alma que sobrevive à morte.

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

O que a Bíblia ensina sobre a situação dos mortos?

O homem tem tanto um corpo material como um espírito imortal. Ao morrer, o corpo do homem retorna à terra e se consome. Pela fé, o cristão também sabe que quando Cristo retornar, no final dos tempos, nossos corpos ressuscitarão dentre os mortos em estado imperecível e incorruptível. (Estude 1 Coríntios 15 para maiores minúcias.)

Ao morrer, o espírito do homem retorna a Deus (Eclesiastes 12:7). Paulo disse que, quando ele morresse, estaria presente com o Senhor (2 Coríntios 5:6-8; Filipenses 1:21-23). Mesmo os espíritos dos homens ímpios permanecem conscientes, sofrendo tormento (Lucas 16:19-31). Muitas pessoas ficam confusas com a palavra "morte". Elas crêem que ela significa aniquilação ou o fim da existência. Contudo, a idéia básica na palavra "morte" é separação. A morte material significa separação do corpo e do espírito. A morte espiritual significa a separação do homem e de Deus. Quando eu morro, eu não deixo de existir, mas de fato minha alma e meu corpo são separados.

Assim, aqui está o que a Bíblia diz sobre a situação dos mortos: seus corpos retornam ao pó, aguardando a ressurreição. Seus espíritos estão ou no paraíso, com Deus, ou em tormento, dependendo de seus atos quando estavam em seus corpos.

Gary Fisher

A imortalidade é adquirida, ou já a possuímos? Romanos 2:7

PROBLEMA: Paulo fala que Deus dará vida eterna aos que "buscam... imortalidade" (NVI). Ele se refere também à sua aquisição na ressurreição (1 Co 15:53). Entretanto, Jesus ensinou que a alma é imortal, isto é, que ela não pode ser destruída pela morte (Lc 12:5). Paulo insiste ainda que a alma sobrevive à morte (2 Co 5:8; Fp 1:23; cf. Ap 6:9). Como é então: já possuímos a imortalidade, ou somente vamos adquiri-la na ressurreição?

SOLUÇÃO: A Bíblia reserva o termo "imortalidade" para os seres humanos no seu estado ressurreto. É algo adquirido, e não possuído antes da ressurreição, já que Jesus, que foi o primeiro a obter um corpo imortal ressurreto (1 Co 15:20), "trouxe à luz a vida e a imortalidade" (2 Tm 1:10) para o resto da humanidade.

Não obstante, o fato da imortalidade inclui a alma humana também, pois, como disse Jesus, a alma não é destruída pela morte física (Lc 12:5). Ela sobrevive à morte e vai ou para a presença de Deus (2 Co 5:8; Fp 1:23), se estiver salva, ou para o inferno, do qual terá plena consciência (Lc 16:22-26; Ap 19:20-20:15), se estiver perdida. Devido à alma (e/ou o espírito) não ser mortal, como é o corpo, é próprio dizer que a alma é imortal. Entretanto, a pessoa completa - alma e corpo - é ressuscitada para a imortalidade. Nesse sentido, a alma ganha imortalidade na ressurreição do corpo.

Entretanto, no sentido bíblico da vida eterna com um corpo imortal, os seres humanos não possuem imortalidade antes da ressurreição. Mesmo assim, somente Deus é intrinsecamente imortal (veja os comentários de 1 Timóteo 6:16); e a imortalidade que o homem tem provém de Deus.



MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 

Norman Geisler - Thomas Howe.

IASD - Igreja Adventista do Sétimo Dia

Está página é dedicada a todos os Adventistas do Sétimo Dia que estão seriamente dispostos a estudar a validade de suas crenças, colocando-as na mira da Verdade. [...a Tua Palavra é a Verdade. João 17:17 - ACF]

Por que Adventistas do Sétimo Dia guardam o Sábado judaico? Quem foi sua profetisa, Ellen G. White, e o que ela ensinou sobre a salvação e o Senhor Jesus (identificado-o como o Arcanjo Miguel )? Por que os adventistas consideram a adoração no domingo como "a marca da besta?" O que é o "Juízo Investigativo", e como ele nega a crença bíblica de que Jesus pagou totalmente pelos nossos pecados na cruz? Os cristãos precisam estar conscientes dos ensinamentos Adventistas. Descubra o que os membros IASD realmente acreditam, e por quê. Abaixo crenças que contradizem a Bíblia e são ensinados pela IASD.


Introdução:

História Adventista
Breve Introdução ao Adventismo do Sétimo Dia


Lei e a Graça:(em breve)

Lei (Cerimonial / Moral): (em breve)


Alianças (Nova/ Velha): (em breve)

Os 10 Mandamentos/ Lei de Deus:

° Os dez mandamentos foram destinados à Igreja de Cristo ou somente a Israel?
° Mudança da Lei e a Lei da Graça
° A lei traz liberdade ou escravidão? Tiago 2:12
° Jesus veio para pôr um fim na Lei de Moisés? Mateus 5:17-18
° A Bíblia Não Diz Que Jesus Veio Cumprir a Lei em Nosso Lugar
° Derrogação da Lei


Sábado:

Estudo Pessoal sobre o Sábado - Ex-Pastor Adventista Greg Taylor

Entrando no Descanso de Deus: Um Estudo de Hebreus 3 e 4

O Sábado em Gênesis é um "Memorial da Criação"? 

° Jesus, Sócrates e a imortalidade da alma
° Jesus acreditava na imortalidade da alma e no castigo eterno dos perdidos? (Mt 10.28)
° A Alma e o Inferno - Análise de Mateus 10.28
° Qual o sentido de Alma - psyche - em Mateus 10.28?
° Qual o significado de destruir (apolesai) em Mateus 10.28, tormento eterno ou aniquilamento?
° A Imortalidade da Alma e o Castigo Eterno - Conclusão


Sono da Alma / Aniquilacionismo:

º Alma Morre? - Ezequiel 18:4
° Os mortos estão dormindo ou estão conscientes?
° Hoje estarás comigo no paraíso (Lc 23.43)

° Os mortos não sabem coisa nenhuma - Eclesiastes 9:5
° Neste dia perecem deveras seus pensamentos - Salmo 146:3, 4
° Universalismo e Aniquilacionismo - Seis Por Meia Dúzia

º Aniquilacionismo e Sono da Alma X A Sábia Óptica de Salomão Sobre a Vida Após a Morte
° Quando os ímpios forem exterminados, eles serão aniquilados? Salmo 37:9, 34

° Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai - Jo 20.17
° Se Jesus não tinha ainda ascendido até o Pai, como foi que ele entregou antes o seu Espírito ao Pai? João 20:17
° O inferno é a sepultura ou um lugar de tormento consciente? Mateus 5:29
° Os mortos podem cultuar a Deus, ou eles estão inconscientes? Salmo 115:17



Dieta Alimentar: (em breve)

Expiação: (em breve)

Cristologia: (em breve)

Juízo Investigativo: (em breve)

Ellen Gould White: (em breve)

° A Página de Ellen G. White


Falsas Profecias: (em breve)

° Meteoros que caíram do céu?
° O Desapontamento Adventista


Testemunhos de Ex- Adventistas (envie o seu).

° Do Adventismo para Cristo
° Descansando no Senhor - Hebreus 4.9


Sites recomendados para ajudar pessoas enganadas pelo Adventismo.
(Caso conheça mais algum, por favor, indique-nos)

° http://solascriptura-tt.org/Seitas/index.htm#Advent
° http://www.exadventist.com/

O Estado Intermediário

Dentro da Teologia Cristã, o assunto “estado intermediário” trata da condição da pessoa no período entre a morte e a ressurreição. “Onde e como estão os mortos? Eles estão conscientes? Os perdidos que morreram já se encontram em tormentos, no inferno? E os salvos, eles já estão na presença do Senhor?” São essas e outras questões que são tratadas no assunto “estado intermediário”.

ONDE E COMO ESTÃO OS MORTOS?

O mundo dos mortos antes e depois da ascensão de Cristo

Antes da ascensão de Cristo, as almas de todos os mortos (salvos e perdidos) seguiam para o mundo dos mortos, local este identificado no Antigo Testamento pelo termo hebraico sheol (Gn 37.35; Sl 9.17; 16.9, 10, etc.), e, no Novo Testamento, pelo termo hades (Lc 16.23; At 2.27, 31, etc.). Das 65 ocorrências de sheol no Antigo Testamento, na maior parte esse vocábulo não se refere ao reino dos mortos. Essa palavra hebraica possui diversos sentidos, podendo significar, dependendo do contexto, “pó”, “profundezas”, “sepultura”, “abismo”, “além”, “mundo dos mortos”, etc. O mesmo se dá com a palavra grega hades, usada no Novo Testamento, que assume diferentes significados.

Quando as almas dos mortos chegavam ao Sheol (=Hades), as dos salvos seguiam para um compartimento de bem-aventurança e consolo chamado “seio de Abraão” ou “paraíso” (Lc 16.22, 23, 23.43; At 2.27, 31). Já as almas dos perdidos, estas eram lançadas num local de dor e desgraça chamado “tártaro” (Lc 16.23-25, 28).

No entanto, após a ascensão de Jesus houve uma mudança: as almas dos salvos não são mais conduzidas para o Sheol, mas, sim, diretamente para o céu, para ficarem ao lado do Senhor. Essa mudança pode ser percebida quando comparamos os textos que falam sobre o destino dos cristãos que morreram após a ida de Jesus ao céu: todos esses textos dizem que esses cristãos foram para o céu, e não para o Sheol (comparar: Gn 37.35; Sl 16.10; Lc 16.22, 23; 23.43; At 2.27, 31 com At 7.55, 56, 59; 2Co 5.3-8; Fp 1.21-23; Ap 6.9-11). Ao ascender ao céu, nosso Senhor levou consigo as almas de todos os justos do Antigo Testamento que estavam no lado aprazível do Sheol (Ef 4.8-10; Hb 12.22, 23). Desde então, o Sheol abriga e recepciona unicamente as almas dos perdidos.

Há um padrão segundo o qual as almas dos mortos não podem sair do Sheol

Segundo as Escrituras Sagradas, existe um padrão que regula o Sheol, segundo o qual uma alma só pode sair desse lugar por meio da ressurreição. Esse padrão de que estamos falando encontra respaldo nas passagens bíblicas abaixo.

Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite (Lc 16.31).

Enquanto estava sob tormentos no lado desventurado do Sheol/Hades (Lc 16.22, 23), o rico tolamente pediu a Abraão que enviasse Lázaro de volta ao mundo dos vivos. Ele acreditava que Lázaro, que estava no lado agradável do Sheol, o “seio de Abraão”, poderia alertar seus irmãos que ainda estavam vivos do terrível destino que também os aguardava no além, caso eles não mudassem seus caminhos tortuosos (vs. 27, 28). Em resposta, Abraão disse ao rico que se os irmãos dele não davam a menor importância à palavra de Deus (“Moisés e aos profetas”), então jamais se arrependeriam, nem mesmo se um morto ressuscitasse e pregasse-lhes a palavra (v. 31). Por essa resposta de Abraão, infere-se que a maneira natural de um espírito sair do Sheol (= Hades) e entrar em contato com a dimensão dos vivos é se ele estiver unido a um corpo.

Vejamos outro texto que igualmente ensina esse padrão:

Pois não deixarás a minha alma no hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção... Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no hades, nem a sua carne viu a corrupção (At 2.27, 31; v. tb. Sl 16.10).

Assim que morreu, a “alma” de Cristo foi para o Sheol (=Hades), o mundo invisível dos mortos. Foi esse o lugar onde a alma de Jesus ficou durante os três dias em que Seu corpo gélido jazia no sepulcro. Porém, é dito que a alma dEle não foi “deixada” (ou “abandonada”) no Sheol. Por quê? Porque ela se uniu novamente ao Seu corpo no domingo da ressurreição.

Ora, se a alma de Cristo “não foi deixada no hades”, então isso indica que as outras almas, das outras pessoas que morreram, são deixadas nesse lugar, só podendo sair através da ressurreição, como aconteceu com Jesus. Ou seja, somente Deus pode retirar uma alma do Sheol. Se o Pai não tivesse ressuscitado Jesus, seguramente Sua alma estaria, até hoje, abandonada no Sheol.

Baseando-se nessas informações, concluímos que tanto as almas dos salvos quanto as dos perdidos só poderão sair de onde atualmente estão no dia da ressurreição. Esse é o padrão, o curso normal que rege o Sheol (=Hades). Dessa forma, ainda que um vivo evoque a alma de uma pessoa morta, assim mesmo ele não conseguirá trazê-la para esta dimensão. E mesmo que uma alma queira, por vontade própria, sair do Hades, ela não poderá deixar esse lugar.[1] Excetuando-se Deus, absolutamente nenhuma criatura tem poder para quebrar esse padrão estabelecido.

A situação de salvos e perdidos durante o estado intermediário

Como já fizemos notar, as almas dos salvos se encontram no céu, na presença do Senhor, onde aguardam o dia da primeira ressurreição, quando receberão corpos glorificados. Já as almas dos perdidos, elas estão no lado ruim do Sheol (=Hades), sob tormentos. Agora, faremos alguns comentários sobre a condição dessas almas no além.

Com relação às almas dos salvos, é importante corrigirmos a noção equivocada (porém bastante difundida na mente de muitos cristãos) de que os galardões dos fiéis já são concedidos no momento em que eles morrem, quando suas almas vão se encontrar com Jesus, no céu. Porém, a Bíblia vai contra tal concepção. O que acontece no momento da morte dos salvos, isso sim, é o encontro deles com o Senhor (At 7.55-59; 2Co 5.1-10; Fp 1.23; Ap 6.9-11, etc.). A concessão dos galardões dos fiéis, porém, ocorrerá somente quando Cristo retornar (Mt 16.27; 25.31-40; Lc 19.17, 19; 1Co 3.12-15; Ap 22.12, etc.), evento este que também marcará a ressurreição dos remidos. Os justos receberão seus galardões quando estiverem em posse de corpos glorificados.

Acerca das almas dos perdidos que estão no Sheol, as mesmas já se encontram sob condenação. Como o apóstolo João disse: “Quem crê nele [em Jesus] não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito de Deus” (Jo 3.18). Portanto, se em vida os ímpios já estavam debaixo da condenação divina, essa situação permanece inalterada após a morte.

Porém, os ímpios que já partiram desta vida ainda aguardam o dia em que comparecerão (em corpo e alma) perante Aquele que se assenta no “grande trono branco” (Ap 20.11) para serem publicamente julgados. Ao final desse julgamento, os ímpios ouvirão, dos lábios do próprio Deus, a sua sentença condenatória. Tal julgamento público ocorrerá no fim dos tempos, logo após os perdidos ressuscitarem.

Como fica claro, tanto a concessão dos galardões dos salvos quanto o julgamento e condenação públicos dos perdidos dar-se-ão quando ambos os grupos estiverem em posse de corpos físicos. Até agora, nem as almas dos salvos nem as dos perdidos receberam, em sua totalidade, aquilo que lhes está reservado. Isso se explica pelo fato de o estado intermediário ser uma condição transitória e anormal de existência dos seres humanos, como veremos no tópico seguinte.

Por receber e abrigar apenas as almas dos mortos, o Sheol é um local transitório

Neste ponto, é importante sabermos duas coisas. Em primeiro lugar, quando falamos sobre o estado intermediário, temos que ter em mente que o Sheol (=Hades) é um local transitório, passageiro para as almas dos mortos. Embora os perdidos que morreram já estejam sob tormentos no Sheol, este não é o local definitivo em que ficarão eternamente. E por quê? Porque o estado desincorporado de existência é uma anormalidade, pois Deus não criou a alma humana para viver separadamente de um corpo. Isso explica por que todos os mortos, salvos e perdidos, serão, futuramente, ressuscitados.

Portanto, quando ocorrer a segunda ressurreição, as almas dos perdidos retornarão para seus corpos (cf. Mt 10.28), e aí eles serão publicamente julgados e condenados (Ap 20.11-15). Após ouvirem sua sentença, finalmente os ímpios serão lançados, em corpo e alma, na Geena, e nesse terrível lugar ficarão sofrendo por toda a eternidade (cf. Mt 10.28).

Dessa maneira, enquanto o Sheol (=Hades) é um lugar transitório para os maus, a Geenna é um local definitivo para eles. Enquanto o Sheol recebe e abriga apenas as almas dos maus, a Geenna receberá o corpo e a alma deles. Enquanto os perdidos encontram-se sob certo nível de tormentos no Sheol, tais tormentos serão absurdamente aumentados quando eles forem precipitados na Geena. Enquanto o Sheol já está em atividade há milhares de anos, a Geenna só será inaugurada no fim dos tempos (cf. Mt 10.28; 25.41).


[1] Tal idéia, evidentemente, vai contra crenças pagãs tais como a reencarnação, a comunicação com os mortos, a oração em prol dos mortos, a transmigração da alma, etc. Biblicamente falando, não existe qualquer possibilidade de os mortos interferirem, positiva ou negativamente, na vida dos vivos (e vice-versa), pois a morte assinala uma quebra nos relacionamentos entre ambos os grupos.

O que é a Geenna?

O vocábulo grego geenna aparece doze vezes no Novo Testamento (Mt 5.22, 29, 30; 10.28; 18.9; 23.15, 33; Mc 9.43, 45, 47; Lc 12.5; Tg 3.6), e vem do hebraico gehinnon, “Vale do filho de Hinnon”. Esse vale situava-se a sudoeste de Jerusalém (Js 15.8; 18.16; Jr 19.2, 6, etc.), e, numa época de grande apostasia no reino de Judá, foi utilizado por alguns reis apóstatas para oferecer seus filhos em holocausto ao falso deus Moloque (2Cr 33.6; Jr 7.31, 32; 32.35). Durante sua reforma religiosa, o piedoso rei Josias assolou esse vale, botando um fim naquela execrável prática (2Rs 23.10).

Já na época do profeta Jeremias, o Vale do filho de Hinnon começou a simbolizar o local do juízo divino (Jr 7.32; 19.6, 7), e esse simbolismo atravessou todo o período interbíblico, chegando até o Novo Testamento. Nos dias de Jesus, esse vale servia como depósito de lixo, mas também recebia os cadáveres dos criminosos mais desprezíveis. Devido ao fogo e enxofre que queimavam constantemente, o Vale do filho de Hinnon certamente era um bom simbolismo para o castigo divino que viria sobre os maus no Juízo Final.

A Geenna refere-se ao local definitivo de punição eterna para ímpios e anjos caídos, e é a mesma coisa que o “lago de fogo e enxofre” mencionado no livro de Apocalipse (14.10, 11; 19.20; 20.10, 14, 15; 21.8). Ela é descrita como um lugar de “fogo eterno” (Mt 18.8, 9; 25.41; Mc 9.43-48; Jd 7) e de “tormento eterno” (Mt 25.46).

Merece atenção o fato de muitas versões de nossas bíblias traduzirem, em algumas passagens, os vocábulos equivalentes sheol (hebraico) e hades (grego) pela palavra portuguesa “inferno” (do latim infernus, “lugar profundo, inferior”), o que acaba gerando confusão na mente da maioria dos leitores, pois estes já estão acostumados com a popular e cristalizada idéia de que o inferno é um lugar definitivo de punição somente para ímpios. Contudo, tais leitores, imbuídos dessa noção parcialmente equivocada, enfrentam dificuldades quando se deparam com alguns textos bíblicos como este, por exemplo, em que Pedro disse sobre o Cristo:

Pois não deixarás a minha alma no inferno [gr. hades], nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção (At 2.27).

Será que a alma de Jesus, durante os três dias em que Seu corpo repousou no sepulcro, permaneceu num lugar de tormentos chamado “inferno”? Absolutamente, pois antes da ascensão de Cristo as almas de todos os mortos seguiam para um local chamado Hades (= Sheol), que, no texto de Atos 2.27 acima, foi traduzido por “inferno”. Chegando lá, as almas dos justos eram levadas para um compartimento aprazível, o “paraíso” ou “seio de Abraão” (Lc 16.22; 23.43), ao passo que as almas dos injustos eram lançadas num local de penúria e dor, o “tártaro” (2Pe 2.4). Ou seja, o Hades não era um lugar unicamente de castigos, destinado aos ímpios. Naturalmente, a alma do Cristo ficou três dias na área destinada aos santos do Antigo Testamento, saindo de lá no domingo da ressurreição.[1]

Essa confusão em torno da palavra “inferno” poderia ser evitada se os tradutores vertessem hades em Atos 2.27 (e em outros textos do NT) por “mundo dos mortos”, “além”, ou apenas transliterassem esse vocábulo grego.

Finalmente, vale lembrar que o Hades está associado ao estado intermediário, pelo que recebe e abriga, temporariamente, apenas as almas dos perdidos. A Geenna, porém, por estar relacionada ao fim dos tempos, receberá a pessoa integral (Mt 10.28), que permanecerá aprisionada nesse lugar eternamente. A Geenna, portanto, ao contrário do Hades, ainda não foi inaugurada.


[1] Após a ascensão de Jesus, as almas de todos os crentes passaram a ir diretamente para o céu, para desfrutar da presença do Senhor. Desde então, só seguem para o Hades/Sheol as almas dos perdidos. Para constatar essa mudança, comparar Gn 37.35; Sl 16.10; Lc 16.22, 23; 23.43; At 2.27, 31 com At 7.55, 56, 59; 2Co 5.3-8; Fp 1.21-23; Ap 6.9-11.

Paulo Sérgio de Araújo

A Imortalidade da Alma e o Castigo Eterno - Conclusão

COMPREENDENDO A NATUREZA E O DESTINO HUMANO (Parte 5)

CONCLUSÃO FINAL

Ao discorrer sobre aquilo que acontece com a pessoa no momento da morte, Jesus, em Mateus 10.28, deixou-nos preciosas informações sobre a natureza e o destino humanos. 

Ao empregar a palavra “alma-psyche” literalmente, nosso Senhor revelou Sua crença na imortalidade da alma. 

E, como conseqüência natural disso, Ele, ao utilizar o verbo apolesai, disse que Deus castigará os ímpios interminavelmente na Geenna. Nessas duas declarações, portanto, nota-se que os assuntos “Natureza Humana” e “Destino Humano” estão intimamente relacionados. Se o homem tem uma alma imortal, segue-se que os perdidos serão atormentados infindavelmente.

Deixamos a seguir algumas lições sobre a constituição e o destino humanos extraídas de Mateus 10.28, lições estas que se constituem num perfeito resumo daquilo que o restante da Bíblia ensina sobre esses dois temas.

1. Jesus disse que a natureza humana consiste de dois elementos: corpo e alma.

2. Na ocasião da morte, a alma separa-se do corpo, não morrendo com ele, o que demonstra ser ela um elemento imaterial e imortal. Isso já refuta o conhecido argumento dos ASD (e das TJ) de que a Bíblia não ensina, em lugar algum, que o homem tem uma alma imperecível que vive à parte do corpo.

3. Se Jesus disse que a alma não morre com o corpo, segue-se que ela é um elemento dotado de vida própria. Ou seja, um corpo sem alma é um corpo morto; porém, uma alma sem um corpo não é uma alma morta, mas uma alma viva.

4. A fonte de vida para o corpo está na alma; ou seja, ela é o elemento que vivifica o corpo, como tantos outros textos bíblicos ensinam.

5. No dia ressurreição, corpo e alma, que se desligaram na morte, religar-se-ão, pois Jesus disse que Deus lançará na Geenna esses dois componentes, ou seja, a pessoa integral. Isso contesta a alegação dos ASD de que as Escrituras jamais falam em almas retornando aos corpos no momento da ressurreição.

6. Se a alma e o corpo dos mortos serão religados futuramente, depreende-se que o estado desincorporado de existência é uma anormalidade temporária, que será corrigida na circunstância da ressurreição.

7. Se a “alma” mencionada por Jesus em Mateus 10.28 é imortal, e se Ele não usou      o verbo apolesai para falar de aniquilamento, então essas duas constatações, juntas, formam um testemunho robusto e coerente em prol da idéia de que a Geenna não é um lugar de extinção, mas de punição eterna e consciente.

8. A advertência de Jesus aos Seus discípulos, de que eles deveriam temer a Deus, só se reveste de sentido se Ele tinha como certo que Deus atormentará os maus infindavelmente na Geenna.

Quando analisamos as muitas passagens bíblicas que tratam do destino derradeiro de ímpios e demônios,[12] fica evidente que os autores bíblicos não economizaram palavras nem recursos lingüísticos para nos comunicar o quão inimaginavelmente terrível será o fim de todos os inimigos do Todo-Poderoso. Tais autores não apenas foram explícitos, mas também usaram uma linguagem altamente aterradora, horripilante para falar sobre esse assunto. Essa linguagem empregada pressupõe, obrigatória e logicamente, um castigo sem fim para os réprobos, e, por conseguinte, a imortalidade da alma, como vimos nas palavras de Jesus que constam em Mateus 10.28.

Contudo, se essa linguagem clara e terrível pressupusesse “aniquilamento”, então as declarações que os profetas, Jesus e os apóstolos fizeram, a fim de enfatizar a advertência de que “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31), ficariam destituídas de sentido, pois teriam servido, estranhamente, para enfatizar que os réprobos não serão, em hipótese alguma, punidos infindavelmente. 

Em outras palavras, Deus, por meio dessas declarações, teria tido a intenção de deixar bem claro para ímpios e demônios a seguinte mensagem: “Atenção, inimigos do SENHOR! Certamente vocês serão condenados. Porém, eu, o SENHOR, de forma alguma castigarei vocês interminavelmente na Geenna! A doutrina do tormento eterno, pregada pela maioria dos cristãos, é uma grande mentira. Fiquem tranqüilos, pois vocês sofrerão só um pouco na Geenna, mas depois serão aniquilados”. Não haveria sentido algum em Deus enviar diversas mensagens explícitas e aterrorizadoras sobre o destino final de ímpios e anjos caídos, se a Sua intenção tivesse sido enfatizar que tais seres não serão, de maneira alguma, atormentados eternamente, mas aniquilados.

Como se percebe, embora agradável e coerente para o homem sem Cristo, a tese do aniquilamento não somente faz com que ninguém tema a Deus (o que contraria as palavras de Jesus em Mt 10.28), mas também se constitui numa excelente notícia para ímpios e anjos caídos. Afinal, ser aniquilado é infinitamente melhor que ser atormentado pelos séculos dos séculos. Dessa maneira, por mais incrível, surpreendente e absurdo que possa parecer, os apóstolos do aniquilacionismo conseguiram, sem ter consciência disso, transformar a mensagem horripilante acerca da ira divina vindoura numa espécie de “boas-novas” para todos os inimigos de Deus. 

A equivocada leitura que fazem dos textos que tratam do juízo final conduz, inevitavelmente, a esta absurda conclusão: quanto mais aterradoras e explícitas forem as advertências acerca do juízo divino, mais alegres e consolados os réprobos ficarão, pois terão certeza absoluta de que essas advertências não passam de uma garantia, dada pelo próprio Deus, de que eles jamais serão castigados eternamente, não importa o quão perversos sejam agora. Deus lhes assegura que eles serão aniquilados. 

Diante dessas “boas-novas” de consolo, alegria e segurança quanto ao seu destino final, por que os réprobos haveriam de temer “aquele que pode fazer perecer na Geena a alma e o corpo” (Mt 10.28)? Por causa de uma interpretação das Escrituras puramente humana e materialista, os proponentes da espúria teoria do aniquilamento conseguiram, lamentavelmente, perverter o claro ensinamento bíblico acerca do juízo divino futuro, transformando-o num evangelho para ímpios contumazes e demônios, cuja mensagem central para estes seres reprovados é: “Não se preocupem, pois Deus jurou, em Sua palavra, que jamais castigará vocês eternamente! Vocês terão um ‘final feliz’: serão aniquilados!”.


(Parte 1) - Jesus acreditava na imortalidade da alma e no castigo eterno dos perdidos? (Mt 10.28)
(Parte 2) - A Alma e o Inferno - Análise de Mateus 10.28
(Parte 4) - Qual o significado de Destruir (apolesai) em Mateus 10.28?
(Parte 5) - A Imortalidade da Alma e o Castigo Eterno - Conclusão
(Estudo Adicional)- O que é a Geenna?

Paulo Sérgio de Araújo 
www.imortalidadedaalma.com




[12] Is 66.24; Dn 12.2; Mt 3.7; 5.22, 29, 30; 10.28; 13.42, 50; 18.8, 9; 22.13; 23.33; 25.41, 46; 26.24; Mc 9.43-48; 14.21; Lc 3.7, 17; 12.4, 5; Rm 2.5-9; 5.8, 9; 1Ts 1.10; 2Ts 1.7-9; Hb 10.28-31; 2Pe 2.4-9, 17; Jd 6, 7, 13; Ap 6.16, 17; 14.9-11; 19.20; 20.10, 14, 15; 21.8, etc


Qual o significado de destruir (apolesai) em Mateus 10.28, tormento eterno ou aniquilamento?

COMPREENDENDO A NATUREZA E O DESTINO HUMANO (Parte 4)

DESTINO HUMANO

- Destruir não é aniquilar. Logo, Jesus acreditava no castigo eterno dos perdidos - 

No tópico precedente, a fim de aprendermos sobre a natureza humana, nosso objetivo foi descobrir com qual sentido Jesus usou o substantivo “alma-psyche” em Mateus 10.28. 


Agora, nossa atenção se volta totalmente para o sentido com o qual Ele empregou o verbo grego apolesai, para que possamos saber como será o destino final dos perdidos. Será que Jesus acreditava no tormento eterno dos maus? Ou no aniquilamento deles?

Deparando-se com esse vocábulo, Bacchiocchi imediatamente conclui que Mateus 10.28 não ensina nem a imortalidade da alma, nem o tormento sem fim dos perdidos, pois Jesus disse que Deus destruirá a alma humana na Geenna:

A referência ao poder de Deus de destruir a alma [psychê] e o corpo no inferno nega a noção de uma alma imortal, imaterial. Como pode a alma ser imortal se Deus a destrói com o corpo no caso dos pecadores impenitentes? Oscar Cullmann apropriadamente observa que “ouvimos na declaração de Jesus em Mateus 10:28 que a alma pode ser morta. A alma não é imortal”. [...] A advertência de Cristo dificilmente ensina a imortalidade da alma. Antes, declara que Deus pode destruir a alma bem como o corpo. [...] O fato de que Jesus claramente fala de Deus destruir tanto o corpo quanto a alma no inferno demonstra que o inferno é o lugar onde pecadores são por fim aniquilados, e não atormentados eternamente.[9] (itálicos acrescentados)

De acordo com Bacchiocchi, o verbo apolesai (oriundo de apollymi), traduzido em muitas versões por “fazer perecer” ou “destruir”, tem apenas um sentido: “aniquilar”. Isso seria prova inequívoca de que Jesus não acreditava no eterno sofrer dos ímpios na Geenna, mas, sim, no aniquilamento deles.

Todavia, esse sentido conferido ao vocábulo apolesai, na segunda parte de Mateus 10.28, não se sustenta, por diversas razões. Em primeiro lugar, vejam abaixo alguns textos que trazem variações de apollymi ou substantivos e adjetivos relacionados a esse verbo. Em todas essas ocorrências, percebam que apollymi jamais denota “aniquilamento”, “extinção”, o que comprova que Jesus usou apolesai, em Mateus 10.28, para falar de sofrimento consciente e infindável.

"E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, dizendo: Levanta-te, e toma o menino [Jesus] e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar [gr. apolesai]." (Mt 2.13)

Referindo-se à intenção de Herodes de “matar-apolesai” o recém-nascido Jesus, Mateus usou um verbo idêntico ao que usou em Mateus 10.28 para falar da sorte final dos perdidos. Portanto, se apolesai significa mesmo “aniquilar”, como defende Bacchiocchi, então devemos concluir que Herodes pretendia aniquilar o menino Jesus?

"Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar [gr. apolesai]?" (Lc 6.9)

Se o emprego de apolesai, em Mateus 10.28, indica que os perdidos serão aniquilados na Geenna, então Jesus, aqui em Lucas 6.9, teria perguntado aos fariseus se era lícito, num dia de sábado, aniquilar ou não uma pessoa?

"Aproximou-se dele uma mulher com um vaso de alabastro, com ungüento de grande valor, e derramou-lho sobre a cabeça, quando ele estava assentado à mesa. E os seus discípulos, vendo isto, indignaram-se, dizendo: Por que é este desperdício [gr. apoleia]?" (Mt 26.7, 8)

Será que os discípulos acreditavam que o ungüento derramado sobre a cabeça do Senhor havia sido aniquilado?

"Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido [gr. apololos]." (Lc 19.10)

Nosso Senhor veio ao mundo para salvar as pessoas que já foram aniquiladas?

"Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu [gr. apolesen] a todos. Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu [apolesen] a todos." (Lc 17.27-29).

Acaso Jesus quis dizer que os pecadores dos dias de Noé foram aniquilados pelas águas do dilúvio? Ou, então, que os imundos moradores de Sodoma foram aniquilados assim que foram atingidos pelo fogo e enxofre enviados por Deus?

"Pelas quais coisas pereceu [gr. apoleto] o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio." (2Pe 3.6)

Será que todos aqueles que morreram “com as águas do dilúvio” já foram aniquilados?

Ainda poderíamos exibir muitos outros textos que demonstram que apollymi, tanto em Mateus 10.28 quanto em outras partes do Novo Testamento, não tem nada a ver com algum aniquilamento que os perdidos experimentarão na Geenna. E se não tem esse sentido, então Jesus usou esse verbo com o sentido de “fazer perecer”, “arruinar”, “desgraçar”. Ou seja, a Geenna é um lugar de eterna dor e desgraça para os iníquos. Isso se harmoniza perfeitamente com tudo aquilo que Jesus disse em Mateus 10.28. Em Mateus 10.28, de maneira alguma Jesus associou o termo apolesai a “aniquilamento”, mas, sim, a “sofrimento”.

Em segundo lugar, o próprio contexto de Mateus 10.28 já comprova que apolesai de forma alguma significa “aniquilar”. Se na primeira parte desse versículo Jesus empregou “alma” para falar de um elemento imortal (ou seja, que não morre), só podemos concluir que essa “alma” não pode ser extinta. Seria uma contradição dizer que um componente imortal pode morrer, deixar de existir. Logo, apolesai não tem nada a ver com extinção. A imortalidade da alma, ensinada na primeira parte de Mateus 10.28, conduz, inevitavelmente, ao tormento eterno, conceito este claramente exposto na segunda parte desse versículo.

Em terceiro lugar, temos defendido que o verbo apolesai, em Mateus 10.28, refere-se à desgraça eterna e consciente que os perdidos experimentarão na Geenna. Para nós, essa palavra foi usada por Jesus para falar apenas dos sofrimentos que Deus infligirá aos iníquos, motivo pelo qual ela não traz em si qualquer idéia de “aniquilamento”, “extinção”. No entanto, a fim de tentar defender seu ponto de vista aniquilacionista, Bacchiocchi se vê obrigado a concluir que esse vocábulo grego diz respeito apenas a um ato único e instantâneo que Deus praticará contra os réprobos, a saber: o aniquilamento. Para esse estudioso adventista, o verbo apolesai está completamente desvinculado de qualquer idéia de sofrimentos, não importa se esses sofrimentos sejam temporários ou infindáveis.[10] Para Bacchiocchi (assim como para os demais aniquilacionistas), apolesai, em Mateus 10.28, significa “aniquilar”, mas de forma alguma “sofrer”.

Todavia, se Jesus, ao usar apolesai, estivesse dizendo que Deus aniquilará (e não castigará eternamente) os perdidos na Geena, então para que temer a Deus? Afinal, quando os réprobos estiverem sofrendo temporariamente na Geenna, como acredita Bacchiocchi, seguramente implorarão para que Deus os aniquile o mais rápido possível, a fim de que suas angústias e dores cessem imediatamente. Nesse caso, torna-se claro que o aniquilamento dos perdidos que Jesus supostamente teria ensinado em Mateus 10.28 servir-lhes-á de grande alívio, pois ser aniquilado (“destruir-apolesai”) instantaneamente é infinitamente melhor que permanecer sofrendo, nem que seja por um minuto, nas mãos de Deus. Em suma, por que os ímpios haveriam de temer a Deus, se o aniquilamento que Ele lhes ministrará será muito bom e desejado?[11]

Portanto, tudo isso só vem corroborar, ainda mais, a interpretação que estamos defendendo: que apolesai, em Mateus 10.28, de forma alguma significa “aniquilar”, mas, sim, “sofrer eternamente”.

Em quarto lugar, o texto paralelo de Lucas 12.4, 5 vai claramente contra a interpretação proposta por Bacchiocchi (e pelos demais aniquilacionistas), pois declara:

"E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno [gr. geenna]; sim, vos digo, a esse temei."

De acordo com Jesus, o juízo divino é tão severo e terrível, que Deus, mesmo “depois de matar [o corpo]”, ainda fará algo infinitamente pior: lançará o ímpio na Geenna. Ora, essa afirmação contraria a visão que Bacchiocchi mantém acerca da (1) condição da pessoa no período entre a morte e a ressurreição e (2) do destino final dos ímpios. Para esse pensador adventista, quando os ímpios morrem, eles são lançados numa condição de completa e literal inexistência. Porém, no dia ressurreição, eles serão trazidos novamente à vida consciente apenas para sofrerem nas mãos de Deus por um período proporcional ao tempo que viveram neste mundo. Ao final desse terrível período de suplícios, os ímpios serão aniquilados, retornando ao estado anterior de inexistência, para nunca mais sair dele. Como fica claro, para Bacchiocchi tanto a morte do corpo quanto o aniquilamento do qual Jesus teria falado, em Mateus 10.28, fazem com que os perdidos caiam numa condição de inexistência.

Contudo, se o estado dos ímpios durante o período entre a morte e a ressurreição é idêntico ao estado em que eles mergulharão após serem aniquilados, então isso colide frontalmente com a declaração de Cristo, que consta em Lucas 12.4, 5. E por quê? Porque nosso Senhor afirmou que “fazer perecer na Geenna/ser lançado na Geenna” é infinitamente pior que morrer corporalmente. Em outras palavras, a condição dos ímpios, após Deus lançá-los, em corpo e alma, na Geena, será inimaginavelmente pior que a condição em que estavam durante o intervalo entre a morte e a ressurreição. Portanto, como que Bacchiocchi resolve esse conflito entre sua interpretação e as declarações de Jesus?

A única maneira de solucionar isso é admitir que Jesus, ao empregar o termo apolesai, em Mateus 10.28, concebia a Geenna como um local de castigos infindáveis para os perdidos, não de aniquilamento. Se a primeira morte, experimentada por crentes e ímpios, e a segunda morte (= aniquilamento), que será experimentada apenas pelos ímpios, arremessam o indivíduo na mesmíssima condição, então não há diferença alguma em Deus matar o corpo de um ímpio ou “aniquilar-apolesai a alma e o corpo” dele na Geenna, pois em ambos os casos esse ímpio cairá num estado de inexistência. 

Portanto, é evidente que Jesus, no texto de Mateus 10.28 (assim como em Lc 12.4, 5), estava dizendo aos Seus discípulos que eles não deveriam temer seus perseguidores, pois o castigo máximo que estes poderiam lhes fazer era matar seus corpos. Após isso, eles não mais poderiam lhes causar dano algum. Os discípulos deveriam temer, isso sim, somente a Deus, pois Ele pode aplicar um castigo infinitamente pior: Deus não apenas tem poder para matar um corpo, mas, também, para lançar esse corpo, juntamente com sua alma, na Geena, para que a pessoa completa sofra eternamente nesse terrível lugar. 

Entender esse ensinamento categórico de Jesus de forma diferente leva-nos a concluir, equivocadamente, que tanto os homens quanto Deus possuem poder para lançar alguém numa condição de inexistência. Portanto, torna-se notório que apolesai, em Mateus 10.28, nada tem a ver com “aniquilamento”, mas com “sofrimento consciente e interminável”.

Conclusão

Ao empreender uma investigação em torno do verbo grego apolesai, no contexto de Mateus 10.28, constatamos que Jesus não o empregou com o sentido de “aniquilar”, “extinguir”. Esse vocábulo refere-se ao castigo sem fim e consciente a que serão submetidos todos aqueles que forem precipitados na Geenna.

Também vimos que o sentido de apolesai, em Mateus 10.28, determina se as pessoas terão ou não medo do juízo divino. Se Jesus usou esse verbo para referir-se a um ato único e instantâneo de Deus que aniquilará os réprobos, então não há razão alguma para temê-Lo, pelo que a advertência de Cristo torna-se vazia. Porém, se usou apolesai para referir-se a um sofrimento infindável que Deus ministrará aos iníquos, então aí as pessoas têm, sem dúvida, motivo para tremer diante do juízo do Todo-Poderoso.

Jesus, pois, empregou apolesai nessa segunda acepção do termo, a fim de advertir-nos de que não devemos temer os homens, pois o máximo que podem fazer é matar o nosso corpo. Somente Deus deve ser temido, pois Ele tem poder para lançar uma pessoa, em corpo e alma, na Geenna, fazendo-a padecer por toda a eternidade. Indubitavelmente, a possibilidade de receber semelhante punição é infinitamente mais aterradora que a de receber um desejado e aliviador aniquilamento.

(Parte 1) - Jesus acreditava na imortalidade da alma e no castigo eterno dos perdidos? (Mt 10.28)
(Parte 2) - A Alma e o Inferno - Análise de Mateus 10.28
(Parte 4) - Qual o significado de Destruir (apolesai) em Mateus 10.28?
(Parte 5) - A Imortalidade da Alma e o Castigo Eterno - Conclusão
(Estudo Adicional)- O que é a Geenna?

Paulo Sérgio de Araújo
www.imortalidadedaalma.com
 



[9] ibid., pgs. 77, 197.

[10] Bacchiocchi (pg. 234) e demais ASD acreditam na estranha teoria de que os ímpios que já morreram, mas que agora estão inconscientes, serão ressuscitados apenas para sofrerem terrivelmente nas mãos de Deus por um período. Ao final dessa sessão de torturas, serão aniquilados, ou seja, retornarão à condição de inconsciência da qual haviam saído.

[11] O que mais aterroriza uma pessoa: (1) a possibilidade de Deus aniquilá-la instantaneamente na Geenna, ou (2) a possibilidade de Deus atormentá-la eternamente nesse lugar? Inquestionavelmente, a segunda alternativa é aquela que impõe mais temor em qualquer pessoa. Portanto, é evidente que nosso Senhor, ao dizer que Deus pode “fazer perecer-apolesai no inferno a alma e o corpo”, aludia ao castigo infindável dos perdidos, e não ao aniquilamento deles. A perspectiva de ser aniquilado por Deus não impõe medo algum em ninguém.

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