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Este versículo ensina a reencarnação? Jó 1.20,21

A MÁ INTERPRETAÇÃO: A Bíblia fala contra a cren­ça na reencarnação (Jo 9.3; Hb 9.27). Mas aqui Jó fala de uma pessoa retornando a Deus após a sua própria morte. Alguns reencarnacionistas apelaram para esse versículo buscando apoio para as suas doutrinas.

CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Jó não está se referindo ao "retorno" da alma a outro corpo com a finalidade de viver novamente, mas do retorno do corpo à sepultura. Deus disse a Adão que ele "retornaria à terra" pois "porquanto és pó e em pó te tornarás" (Gn 3.19). O termo hebraico utilizado para "ventre" (shammah) é usado de maneira figurativa na expressão poética de Jo referindo-se à "terra". As idéias de "terra" e "ventre" são utilizadas no Salmo 139, referindo-se ao fato de Deus nos ter criado: "Entreteceste-me no ventre de minha mãe", nas "profundezas da terra" (vv.13,15). Na condi­ção de antigo livro de sabedoria hebreu, Jó acreditava que as pessoas trabalhavam "a partir do dia em que saíam do ventre de sua mãe, até o dia em que retornavam à mãe de todos [isto é, ao ventre da terra]" (Eclesiástico 40.1, a seguir). Do mesmo modo, Jó utilizava a expressão poética "retornar para lá [isto é, para o ventre de minha mãe]", referindo-se à terra da qual todos nós viemos, e para a qual todos voltaremos (conforme Ec 12.7). 

Mes­mo que alguém insistisse na compreensão literal dessa figura de linguagem, não provaria a reencarnação. Ape­nas poderia mostrar que uma pessoa retorna ao ventre de sua própria mãe após a sua morte, o que é um absur­do. Finalmente, Jó não acreditava na reencarnação em um outro corpo mortal. Ele cria na ressurreição em um corpo imortal e declarou: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, ainda em minha carne verei a Deus" Jó 19.25,26; ênfase minha). Ele compre­endia que esta carne corruptível seria revestida de um corpo incorruptível (conferir 1 Co 15.42-44). A dou­trina da reencarnação, em contraste, não diz que as pes­soas serão ressuscitadas uma única vez e em um corpo físico imortal; ela é a crença de que a alma será reencarnada muitas vezes em corpos mortais, que morrerão sucessivamente. Portanto, não existe qualquer base para se alegar que Jó acreditava nessa doutrina.

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

Como é que Deus pôde permitir que a feiticeira de En-Dor fizesse Samuel voltar dos mortos, uma vez que Deus condena a feitiçaria? 1 Samuel 28.7-20

A MÁ INTERPRETAÇÃO: A Bíblia condena severamente a feitiçaria e a comunicação com os mortos (Êx 22.18; Lv 20.6,27; Dt 18.9-12; Is 8.19). No Antigo Testamento, aqueles que praticassem tais atos receberiam a punição capital. O rei Saul conhecia esse fato e até mes­mo havia expulsado todos os feiticeiros da terra (1 Sm 28.3). Contudo, em desobediência a Deus, dirigiu-se à feiticeira em En-Dor, pedindo-lhe que contatasse o finado profeta Samuel (1 Sm 28.11-19). O problema aqui é que ela parece ter sido bem-sucedida na tentativa de contatar Samuel, o que parece validar os poderes da fei­tiçaria que a Bíblia tão severamente condena. Aqueles que praticam a feitiçaria, como a Wicca, algumas vezes citam esse versículo como suporte à sua religião (Mather e Nichols, 1993, 313).

CORRIGINDO A MÁ INTERPRETAÇÃO: Alguns crêem que a feiticeira fez um milagre através de poderes demoníacos, e realmente trouxe Samuel de volta dos mortos. Em apoio a essa visão, citam passagens que indi­cam que demônios têm poder para fazer milagres (Mt 7.22; 2 Co 11.14; 2 Ts 2.9,10; Ap 16.14). As objeções a essa visão incluem o fato de que a morte é final (Hb 9.27). Os mortos não podem retornar (2 Sm 12.23) por­que existe um enorme abismo fixado por Deus (Lc 16.24-26), e demônios não são capazes de usurpar a autoridade de Deus sobre a vida e a morte (Jó 1.10-12).

Outros têm sugerido que a feiticeira não fez realmente que subisse Samuel dentre os mortos, mas simplesmente forjou ter feito isso. Sustentam essa afirmação referindo-se a demônios que enganam pessoas que procuram con­tato com os mortos (Lv 19.31; Dt 18.11; 1 Cr 10.13), e também usando o argumento de que os demônios algu­mas vezes declaram a verdade (conferir At 16.17). As objeções a essa visão incluem o fato de que a passagem parece dizer que Samuel retornou de entre os mortos, que ele entregou uma profecia como sendo Samuel e esta se cumpriu, e que não seria comum que demônios tivessem declarado a verdade de Deus, uma vez que o diabo é o pai da mentira (Jo 8.44).

Um outro ponto de vista é que a feiticeira não teria trazido Samuel de entre os mortos, porém o próprio Deus teria intervindo para repreender Saul por seus pecados: a) Samuel parecia ter realmente voltado de entre os mortos (vv. 14,20), mas b) nem humanos nem demô­nios possuem o poder de trazer alguém de volta de entre os mortos (Lc 16.24-31;Hb 9.27); c) A própria feiticeira pareceu ter ficado surpresa com a aparição de Samuel de entre os mortos (v. 12); d) Existe uma condenação direta à feitiçaria no verso 9 — é fora do comum que o mes­mo texto desse crédito à feitiçaria, divulgando que feiti­ceiras são capazes de trazer pessoas de volta da morte; e) Deus algumas vezes fala em lugares inesperados, através de meios não usuais (vide o episódio envolvendo a ju­menta de Balaão no livro de Números 22).

As maiores objeções a essa forma de ver a descrição de 1 Samuel são que o texto não diz explicitamente que Deus fez esse milagre, e que a moradia de uma feiticeira é um lugar estranho para tê-lo feito. Deus é soberano para decidir quando e onde Ele mesmo intervém, contudo, nem todos os milagres são classificados como tais (Mt 3.17; 17.1-9). Um ato miraculoso é capaz de falar por si próprio.

N.E.: A Palavra de Deus deixa bem claro que o ver­dadeiro profeta seria medido pela veracidade. Não há motivos para crer que o suposto "Samuel" fosse o profe­ta e que teria retornado dentre os mortos, visto que sua profecia não se cumpriu quando:

• Disse a Saul que ele e seus filhos estariam com Samuel (mortos). Nem todos os filhos de Saul morre­ram no combate.

• Disse que seriam entregues nas mãos dos filisteus. Saul não foi apanhado vivo pelos filisteus, mas suicidou-se.

Dessa forma, percebe-se pela profecia do suposto "Samuel" que ele não pôde falar a verdade, sendo, por­tanto, um demônio, e não o espírito do profeta.

Além do mais, a Bíblia não diz que Saul viu o "profe­ta", e sim que a feiticeira o viu. Satanás, e não o profeta, falou através da feiticeira.

Resposta as Seitas - 
Norman G. Geisler e Ron Rhodes - 
CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus

É errado consultar os mortos?

Durante milhares de anos, e em várias partes do mundo, algumas pessoas têm buscado revelações especiais, tentando contatar os mortos. Há alguns que crêem firmemente que os mortos retornam para avisá-los de perigos, ou para guiá-los em suas vidas e decisões, ou para assombrá-los e ameaçá-los. Muitas pessoas procuram médiuns que alegam facilitar seu contato com os mortos.

Todos os esforços para comunicar com os mortos, sejam diretamente ou através de médiuns, são contra a vontade de Deus e resultarão em condenação. A necromancia, ou comunicação com os mortos, foi explicitamente proibida juntamente com várias outras falsas práticas religiosas, quando os israelitas foram resgatados da escravidão egípcia (Deuteronômio 18:9-14). Tais práticas foram a razão pela qual Deus rejeitou as nações que tinham ocupado a terra de Canaã. Ele advertiu seu povo a não imitar esses pecados, porque eles sofreriam a mesma punição de expulsão da terra.

O contexto desta proibição em Deuteronômio 18 ajuda a ver por que a necromancia é abominável a Deus. Depois de uma lista de várias fontes de revelação desaprovadas (18:9-14), encontramos o contraste claro com a fonte aprovada, a Palavra de Deus (18:15). Esta passagem aponta explicitamente para Jesus Cristo, o profeta que seria levantado por Deus. Entender este princípio nos ajuda a ver porque todas as formas de idolatria, advinhação, astrologia, feitiçaria e necromancia são erradas. Procurar revelação de tais fontes é rejeitar a autoridade do Filho de Deus.

Muitas pessoas citam o exemplo do Rei Saul (1 Samuel 28) para justificar a necromancia. Um estudo deste capítulo e da história subseqüente (no fim do livro) mostra que Saul desobedeceu frontalmente a lei de Deus. A revelação que lhe foi feita não o ajudou a ter melhor sorte, mas mostrou-lhe que ele morreria no dia seguinte, devido aos seus pecados contra Deus.

O Novo Testamento condena explicitamente a idolatria (Romanos 1:22-23; 2 Coríntios 6:14 - 7:1) e a feitiçaria (Gálatas 5:20). Jesus é a fonte de revelação de Deus ao homem de hoje (Hebreus 1:1-2). Ele está acima de todos e merece plena honra (Colossenses 1:13-18). É errado buscar orientação espiritual de outras fontes (Colossenses 2:8-9,20-23; 3:1-3).

Dennis Allan

Esse versículo apóia a reencarnação? Hebreus 7:3

PROBLEMA: Hebreus nos diz que Melquisedeque "não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus... permanece sacerdote perpetuamente" (Hb 7:3). Como Jesus assumiu este sacerdócio (7:21), alguns que aceitam a reencarnação usam a passagem citada para provar que ele é uma reencarnação de Melquisedeque. Será que eles têm razão?

SOLUÇÃO: Não, isso é um mau uso dessa passagem, o que está claro por diversas razões. Em primeiro lugar, ela diz apenas que Melquisedeque foi "feito semelhante" a Jesus, e não diz que Jesus era Melquisedeque (Hb 7:3). Em segundo lugar, diz apenas que Cristo foi um sacerdote "segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb 7:17), e não que ele era Melquisedeque.

Finalmente, o fato de que Melquisedeque tenha sido misterioso em seu nascimento e morte, sem genealogia (Hb 7:3), não prova a reencarnação - isso foi usado apenas como uma analogia ao eterno Messias, Jesus Cristo.

MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 
Norman Geisler - Thomas Howe.

Cristo teve um corpo de carne apenas antes da sua ressurreição? Hebreus 5:7a

PROBLEMA: Referindo-se aos "dias da sua carne" (de Jesus) como se fosse passado, pode parecer que Jesus não ressuscitou com um corpo da carne nem subiu ao céu com o mesmo corpo físico com que morreu. Contudo, o próprio Jesus disse que seu corpo ressurreto era de "carne e ossos" (Lc 24:31), e o Credo dos Apóstolos confessa a "ressurreição da carne".

SOLUÇÃO: A frase "dias da sua carne" simplesmente refere-se a permanência temporária de Jesus neste mundo. Nada tem que ver com a natureza do seu corpo ressurreto. Está claro em muitas passagens que Jesus ressuscitou com um corpo literalmente de carne, um corpo físico e humano (veja os comentários de Lucas 24:39; 1 João 4:2-3).


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Norman Geisler - Thomas Howe.

Se a carne e o sangue não podem entrar no céu, então como pode haver uma ressurreição física? 1 Coríntios 15:50

PROBLEMA: A Bíblia fala da ressurreição do corpo físico do túmulo (Jo 5:28-29), o qual é composto de "carne e ossos" (Lc 24:39), e que deixa um túmulo vazio com a ressurreição (Mt 28:6). Entretanto, de acordo com este versículo, "a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus".

SOLUÇÃO: Concluir, a partir desta frase, que o corpo ressurreto não será um corpo físico, de carne, não tem base bíblica. Em primeiro lugar, a frase seguinte, omitida na citação acima, indica claramente que Paulo está falando não da carne no corpo ressurreto, mas da carne que é corruptível: "nem a corrupção herdar a incorrupção" (v. 50). Paulo, portanto, não está afirmando que o corpo ressurreto não será de carne, mas que ele não será de carne corruptível.

Segundo, para convencer os discípulos, que estavam cheios de temor, de que cie não era um espírito imaterial (Lc 24:37), Jesus enfaticamente lhes disse: "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Lc 24:39). Pedro declarou que o corpo ressurreto era o mesmo corpo de carne que foi ao túmulo e que nunca viu a corrupção (At 2:31), o que também foi reafirmado por Paulo (At 13:35). João dá a entender, portanto, que seria ir contra Cristo negar que ele permanece "na carne" mesmo depois da sua ressurreição.

Terceiro, esta conclusão não pode ser invalidada por se declarar que o corpo ressurreto de Jesus era de carne e ossos, e não de carne e sangue, pois, se era de carne e ossos, tratava-se literalmente de um corpo material, tivesse ou não sangue. "Carne e ossos" acentua mais a solidez do corpo ressurreto de Jesus; são sinais mais claros de sua tangibilidade do que o sangue, que não pode ser tão facilmente visto ou tocado.

Quarto, a frase "carne e sangue" neste contexto aparentemente significa carne e sangue mortais, ou seja, um mero ser humano. Isto tem o suporte de empregos semelhantes dessa expressão no NT. Quando Jesus disse a Pedro: "Não foi carne e sangue que to revelaram" (Mt 16:17), ele não estava se referindo a tais substâncias existentes no corpo, o que obviamente não poderiam lhe ter revelado ser ele o Filho de Deus. Não, a interpretação mais natural de 1 Coríntios 15:50 parece ser que os seres humanos, como agora são: terrenos e corruptíveis, não podem herdar o reino glorioso e celestial de Deus.

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Norman Geisler - Thomas Howe.

Cristo, depois de sua ressurreição, passou a ser um espírito vivificante, ou obteve ele um corpo físico? 1 Coríntios 15:45

PROBLEMA: Paulo afirma aqui que Cristo foi feito "espírito vivificante" depois da sua ressurreição. Alguns têm até mesmo usando esta passagem para provar que o corpo ressurreto de Jesus não era físico.

SOLUÇÃO: Não é este o caso, por várias razões.

Primeira, "espírito vivificante" não fala da natureza do corpo ressurreto, mas da origem divina da ressurreição. O corpo físico de Jesus veio de volta à vida somente pelo poder de Deus (cf. Rm 1:4). Assim, Paulo está falando de uma origem espiritual, não de sua substância física como corpo material (veja também os comentários de 1 Co 15:44).

Segunda, se "espírito" descrevesse a natureza do corpo ressurreto de Cristo, então Adão (com quem ele é contrastado) não teria uma alma, ja que ele é descrito como "formado da terra, terreno" (v. 47). A Bíblia, porém, diz com clareza que Adão era "uma alma vivente" (Gn2:7).

A terceira razão é que o corpo ressuscitado de Jesus é chamado de "corpo espiritual"(v. 44), sendo que esta palavra "espiritual", conforme discutido em 1 Coríntios 15:44, é a mesma palavra empregada por Paulo para descrever alimentos materiais e uma rocha física (1 Co 10:4).

Quarta, o corpo ressurreto, referido como "corpo" (Sõma), e relativo a um ser humano em particular, sempre indica tratar-se de um corpo físico.

Em resumo, o corpo ressurreto é chamado de "espiritual" e "espírito vivificante" porque provém do mundo espiritual, não porque sua substância é imaterial. O corpo ressurreto sobrenatural de Cristo do céu", assim como o corpo natural de Adão era "da terra" (v. 47). Mas da mesma forma como aquele que era "da terra" tem uma alma imaterial, também aquele "do céu" tem um corpo material.

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Norman Geisler - Thomas Howe.

O corpo ressurreto é material ou não material? 1 Coríntios 15:44

PROBLEMA: Paulo declara que o corpo ressurreto é um "corpo espiritual" (1 Co 15:44) mas um corpo espiritual não é material. Entretanto, outra parte da Bíblia declara que o corpo ressurreto de Jesus era feito de "carne e ossos"(Lc 24:39).

SOLUÇÃO: Um corpo "espiritual" é um corpo imortal, não um corpo imaterial. Um corpo "espiritual" é aquele que é dominado pelo espírito, não um corpo desprovido de matéria. A palavra grega pneumatikos (nessa passagem traduzida como "espiritual") significa um corpo dirigido pelo espírito, em oposição ao que está sob o domínio da carne. Ele não é governado pela carne que perece, mas pelo espírito que permanece (1 Co 15:50-58). Assim, "corpo espiritual" não significa corpo imaterial e invisível, mas imortal e imperecível. Isso é claro em vista dos seguintes fatos:

Primeiro, observe o paralelismo mencionado por Paulo:


CORPO ANTERIOR
À RESSURREIÇÃO
CORPO POSTERIOR
À RESSURREIÇÃO
Terrestre (v. 40)
Corruptível (v. 42)
Fraco (v. 43)
Mortal (v. 53)
Natural (v. 44)
Celestial
Incorruptível
Poderoso
Imortal
[Sobrenatural]

Todo o contexto indica que "espiritual" (pneumatikos) poderia ser traduzido por "sobrenatural" em contraste com "natural". Isto fica claro pelos paralelos de "corruptível" e "incorruptível", "mortal" e "imortal". Com efeito, esta mesma palavra grega (pneumatikos) é traduzida como "sobrenatural" em 1 Coríntios 10:4, que fala de uma rocha sobrenatural "que os seguia" no deserto.

Segundo, a palavra "espiritual"(pneumotikos) em 1 Coríntios refere-se a objetos materiais. Paulo falou da "rocha espiritual" que seguia Israel no deserto e eles "beberam da... fonte espiritual" (1 Co 10:4). A história no AT (Êx 17; Nm 20) revela que foi uma rocha física, produzida de modo sobrenatural, da qual eles literalmente obtiveram água para beber.

Jesus, em João 6, multiplica, de maneira sobrenatural, a quantidade de pães de modo a alimentar cinco mil pessoas. Embora se trata-se de pão literalmente material, poderia ter sido chamado de "pão espiritual", devido a sua origem sobrenatural. Com esse mesmo sentido, o maná oferecido a Israel pôde ser chamado de "manjar espiritual" (1 Co 10:3).

Além disso, quando Paulo falou sobre um "homem espiritual" (1 Co 2:15), obviamente não estava se referindo a alguém que fosse visível, imaterial, que não tivesse um corpo físico, mas sim a um homem de carne e osso cuja vida era vivida pelo poder sobrenatural e Deus e dirigida pelo Espírito. O homem espiritual é aquele que é ensinado pelo Espírito e que recebe as coisas que provêm do Espírito de Deus (1 Co 2:13-14).

O corpo ressurreto pode ser chamado de "corpo espiritual", no mesmo sentido em que chamamos a Bíblia de "livro espiritual". A despeito de sua origem e poder espirituais, tanto o corpo ressurreto como a Bíblia são feitos de matéria.

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Norman Geisler - Thomas Howe.

Paulo está ensinando que o corpo ressurreto é diferente daquele que foi semeado - uma espécie de reencarnação? 1 Coríntios 15:37

PROBLEMA: De acordo com esse versículo, "[não semeamos] o corpo que há de ser". Alguns consideram que isso significa que o corpo ressurreto é um corpo diferente, um corpo "espiritual" (v. 44), que não é necessariamente material (veja os comentários de 1 Co 15:44). Isso então prova que não ressuscitaremos com o mesmo corpo físico de carne e ossos som que morremos?

SOLUÇÃO: Há de fato mudanças no corpo ressurreto, mas a mudança não é para um corpo não físico - não é para um corpo substancialmente diferente daquele que possuímos agora. A semente que vai para a terra produz mais sementes da mesma espécie, não sementes imateriais. É nesse sentido que Paulo pode dizer: "não semeias [não fazes morrer] o corpo que há de ser", já que ele é imortal e não pode morrer. O corpo ressuscitado é diferente por ser imortal (1 Co 15:53), não por ser um corpo imaterial. A respeito de seu corpo ressurreto, Jesus disse: "Sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Lc 24:39).

Há muitas razões para sustentar que o corpo ressurreto de Jesus, embora transformado e glorificado, é identicamente o mesmo corpo de carne e ossos que ele tinha antes da ressurreição. E como a ressurreição de nossos corpos será como a de Jesus (Fp 3:21), essa verdade é válida para a ressurreição do corpo do crente.

Observe estas características do corpo ressurreto de Jesus: (1) Era o mesmo corpo, com as cicatrizes da crucificação feitas nele antes da ressurreição (Lc 24:39; Jo 20:27). (2) Foi o mesmo corpo que, ressuscitando, deixou vazio o sepulcro (Mt 28:6; Jo 20:5-7; cf. Jo 5:28-29). (3) O corpo físico de Jesus não se degradou no túmulo (At 2:31). (4) Jesus disse que o mesmo corpo destruído será reconstruído (Jo 2:19-22). (5) O corpo imortal "reveste" o mortal, mas não o substitui (1 Co 15:53). (6) A planta que provém da semente é tanto genética como fisicamente ligada à semente. O que se semeia é o que se colhe (1 Co 15:37-38). (7) Era o mesmo corpo de "carne e ossos" (Lc 24:39), que podia ser tocado (Mt 28:9; Jo 20:27) e que podia comer alimentos físicos (Lc 24:41-42).

A "mudança" (1 Co 15:51) que ocorre na ressurreição, a que Paulo se refere, é uma mudança no corpo, não uma mudança de corpo. As mudanças na ressurreição são acidentais, não substanciais. São mudanças em qualidades secundárias, não em qualidades primárias. Trata-se da mudança de um corpo físico corruptível para um corpo físico incorruptível; de um corpo físico para um corpo não físico; de um corpo físico mortal para um corpo físico imortal. Porém não é a mudança de um corpo material para um não-material.


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Norman Geisler - Thomas Howe.

A Armadilha - Amigos Espíritas Cuidado!

























"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,"  (Hebreus 9 : 27)


"E, PASSANDO Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus." (João 9 : 1-3)

Como podia Jesus passar por uma porta fechada tendo um corpo físico? João 20:19

PROBLEMA: Alguns críticos chegaram à conclusão de que o fato de Jesus ter aparecido dentro de um quarto que estava com as portas fechadas (Jo 20:19) prova que seu corpo tinha que ter sido desmaterializado, para que isso fosse possível, e que portanto o seu corpo ressurreto não era essencial ou continuamente material. Entretanto, muitas outras passagens das Escrituras indicam que o corpo ressurreto de Jesus era literalmente "carne e ossos"(Lc 24:39), que podia comer alimentos físicos e que tinha, inclusive, as cicatrizes da crucificação (Lc 24:40-43).


SOLUÇÃO: O corpo ressurreto de Jesus era em essência continuamente material (veja os comentários de Lucas 24:34). O fato de que Jesus podia entrar num quarto fechado de modo algum prova que ele tinha que se desmaterializar para poder fazer isso. Isto está claro por várias razões.

Primeira, o texto não diz na verdade que Jesus passou pela porta fechada. Ele simplesmente diz que: "Ao cair da tarde daquele dia, ... trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio [deles]" (Jo 20:19). A Bíblia não disse como Jesus entrou dentro daquela casa.

Segunda, se assim Jesus tivesse desejado, ele poderia ter realizado este mesmo milagre antes de sua morte, com o seu corpo físico não-ressuscitado. Como Filho de Deus, seus poderes miraculosos eram de igual forma extraordinários antes da ressurreição.

Terceira, mesmo antes da sua ressurreição Jesus realizou milagres com o seu corpo material que transcenderam as leis naturais, tais como andar sobre as águas (Jo 6:16-20). Esse ato, porém, não prova que o seu corpo antes da ressurreição fosse imaterial. De outro modo, o fato de Pedro ter andado sobre as águas (Mt 14:29) significaria que o seu corpo se desmaterializou por um momento e depois rapidamente materializou-se!

Quarta, embora físico, o corpo ressurreto de Jesus é por sua própria natureza um corpo sobrenatural (veja os comentários de 1 Co 15:44), seria de se esperar que ele pudesse fazer coisas sobrenaturais, tal como aparecer dentro de um quarto trancado.

Quinta, de acordo com a física moderna, não é impossível um objeto material passar por uma porta; é apenas estatisticamente improvável. Os objetos físicos são mais espaço vazio do que matéria. Tudo o que é necessário para que um objeto físico passe por outro meio físico é o correto alinhamento das partículas nos dois objetos. E isto não é problema para aquele que criou o corpo, em primeiro lugar.


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Norman Geisler - Thomas Howe.

Jesus ensinou a reencarnação, ao falar sobre "nascer de novo"? João 3:3

PROBLEMA: Tradicionalmente os cristãos acreditam que a Bíblia não ensina a doutrina da reencarnação (cf. Hb 9:27). Entretanto, muitos grupos usam esse versículo (Jo 3:3) para defender sua posição de que Jesus ensinou ser necessária a reencarnação.

SOLUÇÃO: O que Jesus está ensinando nessa passagem não é a reencarnação, mas a regeneração. Vários fatos há que tornam isso bem claro. Primeiro, a doutrina da reencarnação ensina que, depois que a pessoa morre, ela entra em outro corpo mortal para viver nesta terra de novo; e que esse processo se repete vez após vez, num ciclo praticamente interminável de nascimentos, mortes e reencarnações. Se Jesus estivesse advogando a reencarnação, ele teria dito: "se alguém não nascer de novo, e de novo, e de novo ..."

Segundo, a doutrina da reencarnação ensina que a pessoa morre vez após vez até alcançar a perfeição (Nirvana). Entretanto, a Bíblia ensina claramente que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9:27).

Terceiro, nos versículos que seguem à sua palavra, Jesus explica o que ele quis dizer com nascer de novo. Jesus disse: "Quem não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus" (Jo 3:5). Embora os comentaristas discordem a respeito do significado de "água" nesse versículo (veja os comentários de João 3:5), todos eles concordam que esses versículos não têm nada que ver com a reencarnação. Ser nascido de novo, então, é ser purificado de nossos pecados, e receber a vida de Deus pelo Espírito de Deus (Rm 3:21-26; Ef 2:5; Cl 2:13).


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Norman Geisler - Thomas Howe.

Espíritas são melhores que evangélicos?


Você escreveu: "nunca vendemos areia do monte Sinai, nunca vendemos rosa ungida..."

Os descalabros que pregadores ditos "evangélicos" fazem não invalidam a Bíblia, apenas confirmam as palavras de Jesus sobre os que pregariam, fariam milagres e expulsariam demônios em Seu nome, sem Ele nunca os ter conhecido (Mateus 7). Tudo o que é verdadeiro tem milhares de cópias piratas, portanto não é por aí que devemos validar ou invalidar o cristianismo.

Também não é pelos espíritas que tento invalidar o espiritismo, porque você vai encontrar espíritas gente boa e espíritas bandidos, como em qualquer meio. Há ateus que são excelentes pessoas, mas isso não significa que estejam certos em sua fé (ou falta dela).

>> Hoje, após 150 anos da codificação Espirita, já se soma no Brasil aproximadamente 5 milhões de espiritas declarados e aproximadamente 40 milhões de simpatizantes

É disso que estou falando. Se fôssemos atrás de números, sairíamos todas as manhãs em busca de esterco, porque trilhões de moscas fazem isso todos os dias. Pare com essa mania de perseguição, de achar que eu esteja perseguindo espíritas, falando mal de espíritas etc. Deus ama os espíritas, mas abomina o espiritismo, e eu devo fazer o mesmo.

>> Será que somente os Evangelicos e protestantes é que são inteligentes?

Não, evangélicos, protestantes, católicos, espíritas, ateus... todos são igualmente ignorantes de pai e mãe, pecadores perdidos, a menos que parem de confiar em sua própria inteligência e creiam no Salvador para serem salvos. Uma criança e um idiota estão mais perto da salvação do que um cientista, porque a salvação depende da fé no Salvador, não da razão e lógica. Pela mesma razão que publicanos e prostitutas estão mais perto do que religiosos e clérigos, porque é mais fácil aqueles se reconhecerem pecadores do que estes.

>> Agora eu te pergunto: Porque... as mensagens espiritas que... estimulam as pessoas a praticarem o amor do cristo na sua verdadeira acepção, são coisas Demoníacas?

Porque nem tudo o que reluz é ouro. Se ler Atos 16 encontrará:

"E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu".

Aparentemente ela estava fazendo um bom serviço, mas Paulo teve discernimento suficiente para perceber que ela:

(1) estava exaltando Paulo e Silas, e nas coisas de Deus não há lugar para a exaltação de homens

(2) estava usando a expressão "Deus Altíssimo", que embora fosse usada no Antigo Testamento, já não tinha lugar após a revelação de Deus manifestado em carne, Jesus Cristo. Deus não estava mais distante e inacessível como no passado.

>> Onde e em que mensagem espirita você pode assinalar que as mensagens de amor a DEUS são obras Demoniacas?

Se eu proclamar que Einstein foi um grande especialista em tabuada, sem deixar de faltar à verdade (é claro que Einstein sabia tabuada), estou colocando o gênio no nível de um garoto do ensino fundamental que também seja expert em tabuada.

Assim, ao negar que Jesus é Deus encarnado, ao negar Seu nascimento virginal, ao negar Seu sacrifício substitutivo, ao negar Sua ressurreição, ao negar Sua atual presença corpórea no céu, ao negar Sua vinda como Juiz... e tantas outras coisas, o espiritismo o coloca no nível de um personagem de Jornada nas Estrelas, ou "administrador espiritual do planeta Terra".

É isso, seria o mesmo que alguém prestar uma homenagem pública a você, anunciando:

"Senhoras e senhores, vamos agora ouvir a palavra de nosso ilustre amigo aqui, que sabe ler e escrever".

Você não iria gostar, iria?

Mario Persona

Por que você ataca os espíritas?


Se eu deixei claro que nossa luta não é contra pessoas, mas contra as hostes espirituais, você deve entender que minhas críticas não são contra os espíritas ou o Allan Kardec, mas contra suas idéias.

E nem seria correto eu julgar a pessoa de Allan Kardec, mesmo porque ele poderia até ter se convertido a Cristo na hora da morte e com isso eu acabaria encontrando o cara no céu.

"[...] não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais". Efésios 6:12

A doutrina espírita tem sua origem no mundo espiritual e é comunicada através de uma suposta consulta aos mortos. Porém a Bíblia deixa claro que existem anjos caídos com milhares de anos de experiência em interpretar o homem, seus desejos e necessidades, e responder com aquilo que o ser humano quer. O problema é que Satanás promete mas não entrega.

Veja o caso dos Evangelhos, tão aclamados pelos espíritas. "Evangelho" significa "Boas Novas":

"E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor". Lc 2:10,11 

Portanto a boa notícia ou boas novas é que temos um Salvador para nos salvar de nossos pecados e do juízo.

O "Evangelho Segundo o Espíritismo" não tem nada de "Boas Novas". Ele lança sobre o pecador todo o fardo que Cristo nos convidou a lançar sobre Ele, e pressupõe que o homem consiga fazer a expiação de seus próprios pecados e ser seu próprio salvador. Será que isso são boas novas? E como seriam, se não dá uma saída para o pecador? "Ah, você é pecador? Então vai precisar reencarnar trocentas vezes, sem jamais ter certeza de que está na primeira ou na última fase do jogo!"

Mas, evidentemente, não é de hoje que o ser humano em seu estado natural gosta de acreditar que pode fazer alguma coisa e adora quando alguém vem dizer isso a ele. Com alguns reis de Israel não era diferente; escolhiam só profetas de pensamento positivo, motivacionais, etc. 

"Vês aqui que as palavras dos profetas a uma voz predizem coisas boas para o rei; seja, pois, a tua palavra como a palavra de um deles, e fala bem". 1 Reis 22:13

Já era assim no passado e ficou pior agora: 

"MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios... Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." 1 Timóteo 4:1 2 Timóteo 4:4

E isso não ocorre apenas nas religiões declaradamente anti-bíblicas, mas até no chamado meio católico e evangélico. Erramos quando seguimos homens como se fossem alguma coisa. 

"Porque haverá homens amantes de si mesmos... Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te... levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências... Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade... E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé". 2 Tm 3

Fique sempre alerta para homens que arrebanham cegando o juízo de seus seguidores, prometem realização de concupiscências (podem ser lícitas, como saúde, dinheiro, casamento...) e imitam as obras e milagres de Deus, como fizeram os magos de Faraó, Janes e Jambres. Geralmente têm aparência de piedade e mantêm os templos cheios.

Mario Persona

A expressão "curso da natureza" refere-se à reencarnação? Tiago 3:6

PROBLEMA: Tiago refere-se nessa passagem ao "curso da natureza" (R-IBB, SBTB, EC), que alguns entendem como se referindo a uma "roda viva". Há quem considere ser essa uma referência à reencarnação, por crer que a vida anda em ciclos de nascimento, morte e renascimento (em outro corpo). Será esta uma correta interpretação dessa passagem?

SOLUÇÃO: Tiago não está falando de reencarnação. Isso é evidente por várias razões. Primeiro, o contexto está falando do poder e da persuasão existentes na "língua" humana e de todos os seus amplos efeitos. Segundo, o "curso da natureza" refere-se ao desenrolar da vida em geral, não que a alma das pessoas seja reciclada. Terceiro, Tiago afirmou haver perdão de pecados (cf. 5:20) e oração de petição (5:15-17), e essas duas coisas são contrárias à doutrina do carma, que está por trás da reencarnação e que afirma que o que for semeado nesta vida será colhido na próxima vida (sem exceções).

Finalmente, mesmo que houvesse alguma questão quanto a como e; se versículo deveria ser interpretado, uma passagem não muito clara sempre deve ser entendida à luz de uma que seja clara. E a Bíblia claramente se opõe à reencarnação (veja Hb 9:27; Jo 9:2).


"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,"


"E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.



MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 
Norman Geisler - Thomas Howe.

Jesus disse que João Batista era Elias reencarnado? Mateus 11:14

PROBLEMA: Nesse versículo Jesus refere-se a João Batista como "Elias, que estava para vir" (cf. Mt 17:12; Mc 9:11-13). Mas, já que Elias havia morrido muitos séculos antes, João então seria uma reencarnação de Elias.

SOLUÇÃO: Há muitas razões pelas quais esse versículo não ensina a reencarnação. Em primeiro lugar, João e Elias não foram o mesmo ser - eles tiveram a mesma função. Jesus não estava ensinando que João Batista literalmente era Elias, mas apenas que João veio "no espírito e poder de Elias" (Lc 1:17), ou seja, para continuar o seu ministério profético.

Em segundo lugar, os discípulos de Jesus entenderam que ele estava falando de João Batista, já que Elias apareceu no monte da Transfiguração (Mt 17:10-13). Àquela altura, depois da vida e da morte de João Batista, e já que Elias ainda tinha o mesmo nome e autoconsciência, ele obviamente não tinha se reencarnado em João Batista.

Em terceiro lugar, Elias não se enquadra dentro do modelo da reencarnação por uma outra razão: é que ele não morreu. Ele foi tomado ao céu como Enoque, que "foi trasladado para não ver a morte" (2 Rs 2:11; cf. Hb 11:5). De acordo com o falso ensino da reencarnação, o que tradicionalmente é dito é que uma pessoa tem de morrer primeiro, para depois reencarnar-se num outro corpo.

Em quarto lugar, se houver qualquer dúvida quanto a essa passagem, ela deverá ser entendida à luz do claro ensino das Escrituras contra a reencarnação. O autor de Hebreus, por exemplo, declara que "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo" (Hb 9:27; cf. Jo 9:2)

MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 
Norman Geisler - Thomas Howe.
 

Espiritismo - A Ressurreição de Jesus

Espiritismo kardecista e Espiritismo Cristão são a mesma coisa. Difícil mesmo é encontrarmos, nesse sincretismo proposto, algo que possa conciliar Cristianismo e Espiritismo.

Surpreende qualquer um o fato de não haver Allan Kardec feito qualquer menção à ressurreição de Jesus, no seu livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Ora, a ressurreição de Jesus é doutrina fundamental do Cristianismo. Se Ele não tivesse ressurgido dos mortos, então não seria o Messias prometido, e suas palavras não teriam nenhum sentido. Também no Livro dos Espíritos os “espíritos” nada dizem a respeito desse assunto importantíssimo para a comunidade cristã.

Ao contrário, o codificador da doutrina espírita manifesta sua incredulidade quanto à possibilidade de um corpo morto voltar à vida, quando declara que: 

"... a ressurreição dá idéia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos” (E.S.E. cap. IV, item 4). 

Com essas palavras o Espiritismo descarta a possibilidade da ressurreição de Jesus.

O Espiritismo Cristão ou Kardecista deveria aceitar como verdadeiras, por óbvias razões, todas as palavras de Jesus. Quem afirmou isso foi o próprio Kardec ao dizer que Jesus foi a Segunda Revelação de Deus; que Jesus foi um Espírito Puro, que veio à terra com a missão divina de ensinar aos homens. Tais virtudes e títulos colocam Jesus numa condição de insuspeito em tudo aquilo que nos revelou. Então, vejamos o que Jesus e os evangelistas disseram sobre o assunto:

“Mas, depois de eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galiléia” (Palavras de Jesus, Mt 26.32).

“Desde então, começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muito dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia” (Palavras do evangelista, Mt 16.21).

“E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem, e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará” (Palavras de Jesus, Mt 20.19).

“Derribai este templo, e em três dias o levantarei” (Jesus, Jo 2.19). “Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso” (Evangelista, Jo 2.22).

“Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia. Ide, pois, imediatamente, e dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dos mortos: (Evangelista, Mt 28.6-7).

Além desses registros, dentre outros, que comprovam a predição e o cumprimento da ressurreição de Jesus, outras passagens mostram que Ele falou sobre uma futura ressurreição: 

“Os que fizeram o bem sairão [dos sepulcros] para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (Jo 5.28-29; 6.39-40, 44,54). 

A Ressurreição coletiva ensinada por Jesus é detalhada por Paulo em 1 Tessalonicenses 4.16: 

“Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro”(v.1Co 15.23); 

E em Apocalipse 20.4-5, 12-13, que corroboram o ensino da ressurreição coletiva, no Juízo. Tais afirmações são sintetizadas em Hebreus 9.27: 

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação”.

No livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VI-5, Kardec registrou a palavra de um “espírito”, que diz ser Jesus, nos seguintes termos:

“Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal... Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade.


Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! Pois que A MORTE É A RESSURREIÇÃO, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro... Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: (O Espírito de Verdade – Paris, 1860)”.


Esse “Jesus” do Espiritismo trouxe uma palavra um tanto diferente do Jesus bíblico. Vejamos:

a) Jesus disse que viria com todos os santos anjos para julgar. Os condenados seriam enviados para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos (Mt 25.31,32,41). O “Jesus” de Kardec disse que “meu Pai não quer aniquilar a raça humana”. É claro. Deus não deseja a condenação de ninguém, mas fará justiça segundo a Sua palavra.

b) Jesus nos ensinou na história do rico e Lázaro que os mortos não podem ajudar os vivos (Lc 19.19-31). O “Jesus” de Kardec exorta mortos e vivos a uma mútua ajuda.

c) O “Jesus” de Kardec conclama a todos para não mais ouvirem a voz dos profetas e dos apóstolos, e sim a voz dos mortos. O Jesus bíblico, pela história de rico e Lázaro, ensina que devemos ouvir Moisés e os profetas, ou seja, a Palavra (Lc 16.29). Já ressurreto, recomendou que o Seu evangelho fosse pregado em todo o mundo (Mt 24.14).

d) O “Jesus” de Kardec declara que a morte é a ressurreição, tentando com isso afirmar que “com a morte do corpo, o Espírito liberta-se para o plano espiritual”, o que significaria uma ressurreição. Jesus bíblico afirmou que a verdadeira ressurreição dar-se-á num momento futuro, e não logo após a morte: 

“Pois vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua [a de Jesus] voz e sairão” (Jo 5.28). 

Aqui Jesus fala de ressurreição corporal, idêntica à dEle. Ressurreição não é, como entende os espíritas, a libertação do espírito. Assim fosse, cada um teria sua ressurreição individual. Jesus afirmou que haverá um dia determinado para a ressurreição (Jo 5.25; 6.44,54; 1 Ts 4.16-17).

e) O “Jesus” de Kardec falou de dois mandamentos: (a) Os espíritas deverão amar uns aos outros; e (b) todos devem adquirir conhecimento. O Jesus bíblico citou mandamentos diferentes: 

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento; amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-40).

f) O “Jesus” de Kardec disse que o caminho que conduz ao reino de Deus é “reto e largo”. O Jesus da Bíblia disse que “estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida” (Mt 7.14). É evidente que o caminho indicado pelo Espiritismo é largo, folgado, sem dificuldades: sem pecado, sem inferno, sem juízo final, sem necessidade de perdão, todos atingirão a plenitude, o clímax, a perfeição, mediante sucessivas reencarnações.

Os kardecistas, no afã de buscarem na Bíblia passagens que legitimem a crença reencarnacionista, citam Primeira aos Coríntios 15.50: 

“E agora digo isto, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus...”. 

Com isso, tentam convencer que não pode haver ressurreição corporal. Acontece que fecham a Bíblia muito cedo e não lêem o versículo seguinte em que Paulo diz que “todos seremos transformados”. E tudo isso é um mistério como bem diz o autor da epístola. Mas a Bíblia permite-nos avançar um pouco.

A ressurreição é do corpo. Espírito não ressuscita porque tem vida eterna. Ressurgir significa tornar a surgir. Não se pode empregar este termo com relação aos espíritos humanos, que não morrem. Retornando ao mistério, os mortos em Cristo ressucitarão porém num corpo transformado; um corpo glorioso, poderoso, espiritual, adequado às regiões celestiais. 

O corpo será o mesmo que desceu à terra, porém revestido de incorruptibilidade, de imortalidade. Daí haver Paulo dito: “os mortos ressuscitarão incorruptíveis” (1 Co15.52). São os mortos que ressuscitarão, e não os espíritos. A ressurreição dos crentes será a grande vitória sobre a morte. Assim como Cristo venceu a morte, nós, com Ele, venceremos (1 Co 15.54; Hb 22.14).

Quando a Bíblia fala em ressurreição dos mortos está se referindo à ressurreição corporal destes. Vejam: 

“Assim também será a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor” (1 Co 15.42-43). 

Mais uma vez temos aqui a evidência da transformação “dos corpos”.

Com relação ao aparecimento corporal de Jesus pós-ressurreição, o Espiritismo atribui o evento à ectoplasmia, ou seja, a capacidade que tem o espírito de materializar-se; e citam como prova Mateus 27.52-53. Nada mais fantasioso do que esse argumento. A passagem apresentada como prova é um prenúncio da ressurreição coletiva dos crentes, quando da vinda de Jesus. Lê-se, ali, que os mortos saíram dos sepulcros logo após a ressurreição de Jesus. Se considerada a hipótese de materializações ou de perispíritos, não haveria necessidade de os corpos reviverem, porque as materializações se processariam independentes do corpo morto.

Outra dificuldade do Espiritismo Cristão ou Kardecista é quanto ao desaparecimento do corpo de Jesus. Onde está Seu corpo? O sepulcro onde O puseram estava fortemente guardado, segundo a Escritura do Novo Testamento (Mt 27.64-66). A ninguém interessava roubar o corpo de Jesus; nem aos seus discípulos, fracos, perseguidos e desanimados; nem aos seus inimigos, temerosos de que o corpo desaparecesse (Mt 27.64).

Entenda-se que a redenção em Jesus não se limita ao espírito recriado. Deus deseja que seu plano de redenção alcance todo o homem, assim compreendido corpo, alma, espírito. Vejam: 

“E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo Espírito que em nós habita” (Rm 8.11); 

"...e também nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23).

A trasladação de Enoque (Gn 5.24; Hb 11.5) e Elias (2 Rs 2.11) confirma a possibilidade da ressurreição corporal.

O mais sensato, porque verdadeiro, é admitirmos que Jesus ressuscitou corporalmente, apareceu a centenas de pessoas, e virá em glória, segunda vez, para arrebatar a sua Igreja. Nesta ocasião, haverá uma ressurreição coletiva dos santos, segundo a Escritura (1 Ts 4.16-17). No final dos tempos, após o Seu reinado de mil anos, os ímpios também ressuscitarão, coletivamente, para receberem a condenação eterna (Ap 20.5).

Pastor Airton Evangelista da Costa – Assembléia de Deus Palavra da Verdade – Aquiraz – Ceará – Em 08.07.2000)

Em que parte da Bíblia devemos crer?

Devemos crer em toda a Bíblia, e pedir a direção de Deus para saber manejar bem a Palavra da Verdade, aplicando cada passagem ao seu devido contexto e lugar.

O espiritismo diz crer em apenas 10% da Bíblia, ou seja, apenas em alguns preceitos morais dos evangelhos e nos dez mandamentos.

É importante entender que os evangelhos são um período de transição e são essencialmente judaicos em sua natureza. Jesus era o Messias que devia vir para estabelecer seu reino entre os judeus, mas estes não O receberam, o que Ele mesmo sabia que aconteceria (daí a parábola da vinha e do filho do dono da vinha que é morto pelos que a arrendaram).

Portanto, nos evangelhos estamos ainda na Lei judaica. Há um templo em Jerusalém, o único lugar de adoração oficial, há sacerdotes (e Jesus os reconhecia, pois mandava os curados irem ao templo oferecer sacrifícios), há toda a ordem de coisas da religião judaica que havia sido estabelecida por Deus no Antigo Testamento. Portanto, o conhecimento que o homem tinha nesse estágio era de causa e efeito: cumpra a lei e viverás.

Quando é rejeitado por Israel, o povo terreno de Deus, eleito para um reino preparado "desde a fundação do mundo" (Mt 25:34), é colocado de lado (como nação) e Deus passa a tratar com o povo eleito "antes da fundação do mundo" (Ef 1:4).

Ao primeiro povo, que vivia na condição de "causa x efeito" da Lei, sem conhecer a graça e o perdão revelados após a cruz, era dito...

"perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas". Mc 11:25

Ao segundo povo, a igreja (o conjunto dos salvos por Cristo), é dito: 

"assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também." Cl 3:13 

No primeiro caso, era preciso perdoar para ser perdoado, o vagão da boa obra era visto na frente da locomotiva da obra de perdão de Deus. No segundo, perdoamos porque fomos perdoados. A locomotiva da obra divina passou para a frente do vagão da obra pessoal.

Quando alguém decide selecionar apenas uma parte da Bíblia, por mais autêntica que seja, vai perder o todo. Algumas religiões selecionam o Antigo Testamento (como o judaísmo), outras selecionam o Novo Testamento, porém adotando práticas do Antigo (sacerdotes, templos, rituais), outras apenas regras morais de um ou de outro... Todas perdem com isso a visão do todo.

A revelação de Deus não parou no Antigo Testamento (como acreditam os judeus), não parou nos Evangelhos (como querem os espíritas), mas segue para fechar com chave de ouro todas as coisas no livro de Apocalipse. Retire uma peça e o carro não vai andar como devia.

Mario Persona

A Bíblia é diferente dos originais?



Este costuma ser o argumento daqueles que não crêem na Bíblia ou mais especificamente no Novo Testamento. Há 2 mil anos os judeus já usavam o Antigo Testamento que temos hoje, mas obviamente o Novo Testamento ainda estava sendo escrito. Os que temos hoje são baseados nos manuscritos que chegaram até nós.

O argumento de que sejam diferentes dos originais só seria válido se alguém tivesse o original para comparar, caso contrário não passa de especulação. Ninguém tem os originais, portanto não há como comparar ou afirmar. O que existe são milhares de cópias manuais que podem diferir entre si em algumas pequenas porções, mas que de uma forma geral concordam. A menos que você conheça os originais, não poderá dizer que os manuscritos de onde saiu o Novo Testamento sejam diferentes.

Há também algumas evidências internas ao próprio texto que apontam para sua veracidade. Por exemplo, as primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus foram mulheres, algo inconcebível na época. Uma invenção da história teria certamente colocado personagens homens como testemunhas, já que o testemunho de mulheres não era levado em conta na época. Ninguém imaginaria então inventar algo e colocar que quem viu isso foram mulheres.

A idéia de terem sido lendas (a concepção virginal de Cristo, os milagres, Sua morte, ressurreição etc) foi descartada por um escritor que é considerado um dos maiores especialistas em lendas do mundo: J. R. R. Tolkien, autor de "Senhor dos Anéis". Cristão convicto, Tolkien convenceu seu grande amigo ateu C. S. Lewis de que a narrativa do Novo Testamento não é uma lenda. Lewis se converteu a Cristo e escreveu vários livros, entre eles "As Crônicas de Narnia".

P. E se você tiver um tradutor de hebraico e ele te provar que tudo que está escrito lá foi adulterado pela igreja católica ao longo de mais de 1000 anos de completo domínio sobre as primeiras traduções pro grego e depois latim?

O Novo Testamento foi todo ele escrito em grego, que era o "inglês" universal da época, exceto o evangelho de Mateus que foi escrito em aramaico, a língua falada na palestina na época. Apenas o Antigo Testamento é judaico. A igreja católica não possui todos os manuscritos, apenas alguns.

Aqui você encontra uma lista de mais de 300 manuscritos com porções do Novo Testamento e os lugares onde estão guardados (o mais antigo é do ano 200 DC).

Aqui, mais de 500 papiros também com porções do Novo Testamento (os mais antigos do ano 150 DC).

Aqui, mais porções escrito em grego minúsculo (o grego usado no Novo Testamento era só de maiúsculas), produzidos em média mil anos depois de Cristo.

Aqui, manuscritos em Latim (mais antigo é de 350 DC).

Existem ainda os textos clássicos que são volumes mais completos, alguns contendo também o Antigo Testamento, como o Código Vaticano, o Código Saniático e o Código Alexandrino. Uma tradução também do século IV muito importante foi a de "São Jerônimo". A maioria destas traduções são conservadas na Biblioteca Vaticana. O Código Alexandrino, escrito no Egito, é conservado no Museu Britânico, em Londres. Com a profusão de outros manuscritos todos eles puderam ser comparados com textos mais antigos existentes em outros lugares do mundo (a descoberta de novos manuscritos continua).

Aqui você encontra boas informações sobre como o Novo Testamento surgiu. Percebe agora como a expressão "grosseiramente adulterado pela igreja católica" não tem qualquer respaldo na história ou mesmo nas pesquisas mais modernas que continuam sendo feitas em cima dos manuscritos? 

Existe um exemplo interessante para mostrar como os copistas da antiguidade zelavam pela fidelidade das cópias. Na década de 40 foram descobertos manuscritos do livro de Isaías numa caverna em Qam Ram que eram 700 anos mais antigos do que os que foram usados para a tradução que temos hoje de Isaías. O texto era o mesmo.

P. Não acho que a sua seja uma visão ruim ou inferior, somente é limitada...

Toda fé ou crença, por mais inclusiva e abrangente que possa parecer, é exclusiva e limitada. Se eu digo a você que o cristianismo é a única religião verdadeira, obviamente excluo todos os que pensam diferente. Se você diz que todas as religiões são verdadeiras, está excluindo aqueles que pensam como eu. Não há como escapar disso. Ao adotar uma visão ou opinião, qualquer que seja, você exclui todas as outras, mesmo que você deseje ter a mais inclusiva de todas as opiniões. Ela vai excluir os exclusivistas, portanto ela também será uma opinião exclusiva.

P. Essa visão da Bíblia cristã é a mesma que há 2 mil anos permite que as igrejas cristãs mantenham sua hegemonia e poder opressor...

O que os homens fizeram com o cristianismo não invalida seu valor original. São séculos de atrocidades e luta pelo poder usando o cristianismo como desculpa. Qualquer leitor sincero do Novo Testamento irá perceber logo que isso que vemos na história ou ao nosso redor não tem nada de cristianismo. Enquadra-se perfeitamente no que Jesus disse, dos muitos que o chamariam de "Senhor, Senhor" e que fariam milagres e pregariam em seu nome. Aliás, o simples fato de ser a religião mais falsificada do mundo já deveria chamar a atenção. Ninguém falsifica o que é falso, só o que é verdadeiro e tem valor.

P. Você coloca Deus longe do homem, que é pecador, sujo etc..

Sim, você sintetizou a mensagem básica da Bíblia e da natureza do homem, e a história (e o que acabo de escrever acima) demonstra claramente esse fato. O homem é pecador sim, mas eu inverteria suas palavras. Não é Deus quem está longe dos homens, é o homem quem está longe de Deus. Porque não existe proximidade maior do que Deus tomar a forma humana e Jesus morrer por suas criaturas. Mais empatia e proximidade do que isso é impossível, Deus encarnado.

"Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai." Filipenses 3:5-11

Se o homem continua longe de Deus é por sua própria escolha. 

"Vós, que naquele tempo estáveis sem Cristo... não tendo esperança, e sem Deus no mundo... agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto". Efésios 2

P. A salvação requer esforço sim, pois caso contrário que explicação teria alguém que nasce escravo ou com severas limitações físicas e mentais por exemplo?

Se enxergado além dos limites do tempo e espaço, tem explicação sim. A explicação pode não estar ao alcance dos olhos (como acontece nos capítulos 1 e 2 de Jó e no capítulo 10 de Daniel), mas nos bastidores de Deus. A princípio todas as limitações são causa do pecado, conseqüência da queda do homem. Quer você creia em uma ou outra explicação para elas, o fato é que elas existem e Deus permite que nos aflijam.

Não é por algo ter uma explicação lógica que essa explicação é verdade. E não é por algo não ter uma explicação que isso signifique que uma explicação não exista em algum lugar e dada por alguém com maior conhecimento do assunto. Quando os discípulos perguntaram por que o homem nasceu cego, Jesus explicou que ele tinha nascido para que a glória de Deus fosse manifestada. Em seguida ele curou o homem.

P. A visão reencarnacionista em nada "briga" com a Bíblia ou com o Evangelho.

É óbvio que "briga". Você não pode conciliar uma idéia de evolução espiritual com a afirmação bíblica da salvação instantânea proporcionada pela obra de Cristo na cruz. A idéia da reencarnação se baseia em um processo; o evangelho se baseia em um ato divino, em um decreto: Quem crer TEM a vida eterna.
"Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna" 1 João 5

P. A visão reencarnacionista é apenas uma ferramenta que nos mostra formas bem mais sofisticadas de entender o sofrimento humano e os caminhos para dele sair. Estude...

A idéia é essa, justamente livrar-se do "estude", "formas bem mais sofisticadas", "ferramentas" etc. Percebe que tudo isso aponta para o esforço humano e que um inútil como eu é incapaz de qualquer coisa para chegar a Deus? É este o princípio básico do Evangelho, a inutilidade e nulidade do ser humano e sua dependência total de Deus para sair dessa condição. Em meus tempos de espiritualismo ouvia muito sobre negar-se a si mesmo, livrar-se do eu, desligar-me do corpo físico, atingir o vácuo mental e coisas do tipo.

Foi só no cristianismo que pude entender o que é isso realmente, porque é a única fé possível de ver acontecer na prática. Se eu precisar fazer qualquer coisa para negar, desligar, anular o eu etc., já sou eu fazendo, o que implica em esforço desse mesmo eu. Ao me render, reconhecendo minha nulidade e incapacidade até de esvaziar-me a mim mesmo ou de fazer qualquer outro exercício espiritual, é Deus quem entra em cena para fazer absolutamente tudo. A fé cristã olha para fora, olha para Cristo. Todas as outras crenças olham para dentro, para si, o que não passa de ocupação com o próprio ego, por mais bonitos que sejam os termos usados para isso.

Em Romanos 7 Paulo diz: 

"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum". 

Como tirar alguma coisa que preste desta carne (estava se referindo ao homem em seu estado natural)? Não é por aí. Por isso Deus oferece a graça, e graça é o favor imerecido. Ele pode fazer isso porque tudo o que precisava ser feito para a salvação do homem foi consumado na cruz. Jesus morreu para pagar os nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. O evangelho é isso. Qualquer outra coisa é exaltação do homem, não de Deus.

Mario Persona

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