Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai - Jo 20.17



Na manhã de Sua ressurreição, nosso Senhor, ao ser abraçado por Maria Madalena, disse-lhe:

“Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai” (Jo 20.17).[1] 

Por causa dessa declaração, os defensores da antibíblica teoria da inconsciência dos mortos alegam que o homem não possui nenhum componente imaterial e indestrutível em sua constituição, que, no caso dos salvos, seguiria para o céu no momento da morte, para desfrutar da presença de Deus. Veja como pensam os adventistas do sétimo dia e as testemunhas de Jeová, por exemplo:

“Se o próprio Jesus declarou, após ter ressurgido dentre os mortos, que não havia subido ao Pai, então devemos concluir que os remidos que morrem, em vez de irem ao céu como almas desincorporadas, ficam completamente inconscientes. Isso só vem fortalecer a idéia de que o homem não tem uma alma imortal em sua estrutura, que sobrevive conscientemente à morte”.

A fim de desfazer essa interpretação equivocada de João 20.17, elaborei este estudo. Ao final, os leitores perceberão que essa declaração de Jesus não tem força alguma para negar a noção da sobrevivência consciente da alma ante a morte do corpo material. Boa leitura.

“Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai (Jo 20.17) 

[Os mortos estão inconscientes?]

"Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (Jo 20.17)

Por causa dessas palavras que Jesus proferiu a Maria Madalena, no domingo da ressurreição, os partidários da tese da inconsciência dos mortos concluem que o ser humano não tem um elemento imaterial e indestrutível em sua composição, que seguiria para o céu por ocasião da morte. Dizem:

“Se Jesus não subiu ao Pai, então isso contradiz a idéia de que o homem possui uma alma imortal que, no caso dos salvos, segue para o céu no momento da morte. E se Jesus não subiu ao Pai, então nenhum dos justos que morreram também subiu. Todos aqueles que morrem ficam inconscientes nas sepulturas”.

No entanto, esse argumento ignora que nosso Senhor tão-somente se referia à Sua ascensão corporal ao céu, evento este que só aconteceu quarenta dias após Sua ressurreição (At 1.1-3). Ou seja, Jesus, em Seu corpo glorificado, ainda não havia subido ao Pai.[2]

E com relação à alma de Jesus, onde ela ficou durante aqueles três dias em que Seu corpo repousou no sepulcro? Jesus, em Suas palavras registradas em João 20.17, não disse absolutamente nada sobre essa questão. Contudo, sabemos, por meio de textos como o Salmo 16.10 e Atos 2.27, 31, que enquanto Seu corpo jazia no sepulcro, Sua alma foi para o lado bem-aventurado do Hades (= Sheol).

Em sua equivocada interpretação de João 20.17, os defensores da idéia da inconsciência dos mortos não perceberam que esse texto não foi escrito para falar sobre a condição da pessoa no período entre a morte e a ressurreição, se a mesma ficaria consciente ou não. Ele apenas diz que o corpo glorificado de nosso Senhor, naquela manhã da ressurreição, ainda não havia ascendido ao céu. A expressão “ainda não subi para meu Pai” não serve para apoiar nem para combater a noção da consciência dos mortos.


Paulo Sérgio de Araújo

[1] A citação bíblica deste estudo foi extraída da Bíblia Almeida Corrigida e Revisada (1994), traduzida por João Ferreira de Almeida, e publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

[2] Os proponentes da tese da inconsciência dos mortos são forçados a concordar que Jesus referiu-se apenas à Sua ascensão corporal, do contrário terão que concluir que nosso Senhor estava dizendo que Sua alma não havia subido ao Pai.


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