A lei foi dada em Horebe ou no monte Sinai? Deuteronômio 4:10-15

PROBLEMA: Êxodo 19:1 afirma que Moisés recebeu a Lei no monte Sinai (cf. v. 18). Mas em Deuteronômio 4:10 afirma-se que Moisés a recebeu "em Horebe". Onde foi, realmente, que ele recebeu a Lei?

SOLUÇÃO: Várias são as explicações possíveis para esta divergência. Alguns eruditos acreditam que Sinai possa ter sido o nome mais antigo o Horebe, o menos antigo do mesmo lugar. Outros sustentam que Horebe possa ter sido o nome da serra em geral e Sinai, o nome específico de um dos montes pertencentes a ela. Ainda outros crêem que Sinai é que era o nome do conjunto de todas as montanhas da região, sendo Horebe um determinado monte ali. Ou, ainda, que os dois nomes oram intercambiáveis.

Seja como for, os autores bíblicos, muito mais próximos dos eventos originais do que nós hoje, não viram problema algum em usar os dois nomes. Horebe é usado 17 vezes e monte Sinai, 21 vezes no AT. O uso de dois nomes não é algo fora do comum. O nome oficial do pico mais alto da América do Norte, o monte McKinley, no Alasca, é chamado de Denali por nativos americanos e por muitos outros.

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Norman Geisler - Thomas Howe.

A terra de Amom foi ou não dada a Israel? Deuteronômio 2:19

PROBLEMA: Deus disse a Moisés: "da terra dos filhos de Amom te não darei possessão"(Dt 2:19). Mas em outra parte é dito que Josué deu a Israel "metade da terra dos filhos de Amom" como uma possessão dada por Deus (Js 13:25).

Como isto pode ter sido escrito por Moisés, se há referência à terra da promessa, na qual ele não entrou? Deuteronômio 2:10-12


PROBLEMA: Moisés morreu antes da entrada na Terra Prometida, e foi enterrado fora dela, ao leste do rio Jordão (Dt 34). Mas esta passagem refere-se à "terra da sua possessão, que o Senhor lhes tinha dado", como sendo uma terra que Israel já possuísse na época em que foi escrita. Desse modo, tem-se a idéia de que Deuteronômio não poderia ter sido escrito por Moisés, como tradicionalmente é admitido.
SOLUÇÃO: Alguns eruditos declaram que estes versículos são parentéticos e que podem ter sido acrescentados posteriormente por um editor. Esta posição é plausível diante da brevidade dos versículos, do fato de estarem entre parênteses e da condição de Moisés ter sido enterrado antes de os filhos de Israel adentrarem a Terra Prometida (Dt 34:4-6). Esse fato era óbvio para todos os leitores. Entretanto, não há necessidade de se concluir que Moisés não escreveu estas seções, já que "a terra da sua possessão" pode simplesmente referir-se às dez tribos que já tinham recebido a sua possessão ao leste do rio Jordão, antes de Moisés morrer (Dt 3:12-17).

Conquanto os eruditos evangélicos em sua maioria reconheçam que pode haver pequenas e explanatórias alterações editoriais no texto, tais como atualizações de nomes, eles se opõem ao que os críticos afirmam com relação a Moisés não ter escrito os cinco primeiros livros do AT (com exceção de Deuteronômio 34). Estes versículos parecem ser não mais do que uma inserção explanatória, com vistas a leitores posteriores.

Os eruditos evangélicos destacam a diferença que há entre pequenas revisões editoriais, feitas em plena sintonia com o sentido originalmente dado pelo autor, e o que poderiam ser posteriores alterações na redação, contrárias ao sentido original do texto. O seguinte quadro ilustra as diferenças entre essas duas possibilidades:

POSIÇÃO EVANGÉLICA
POSIÇÃO DOS CRÍTICOS
Revisões editoriais
Nova redação
Mudanças gramaticais
Mudanças teológicas
Mudanças na forma
Mudanças em fatos
Transmissão da verdade
Distorção da verdade
Alteração no meio utilizado
Alteração na mensagem
Atualização de nomes
Revisão dos acontecimentos

Há sérios problemas com as reivindicações dos críticos segundo as quais os redatores posteriores alteraram o conteúdo do que tinha sido previamente redigido:

1. Isso é contrário à repetida advertência de Deus: "Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela" (Dt 4:2; cf. Pv 30:6; Ap 22:18-19).

2. A teoria de novas redações confunde a canonicidade com pequenas críticas textuais. A questão das alterações introduzidas pelos escribas de um para outro manuscrito de um livro inspirado é uma questão de crítica textual, e não de canonicidade.

3. Â teoria de "redatores inspirados" é contrária ao sentido dado pela Bíblia à palavra "inspirado" (2 Tm 3:16). A Bíblia não fala de escritores inspirados, mas apenas de escrituras inspiradas (o que foi escrito). Ainda, "inspirado" (theopneustos) não significa que algo foi "aspirado" pelos que escreveram, mas que lhes foi "soprado" diretamente o que escrever.

4. A teoria de novas redações contraria a posição evangélica de que apenas os textos originais são inspirados. Se apenas a versão final redigida é que foi inspirada, então a redação original não teria sido aquela "soprada" por Deus.

5. Uma nova redação inspirada eliminaria também o meio pelo qual toda palavra profética poderia ser testada por aqueles para quem ela foi dada.

6. A teoria de novas redações altera ainda a posição da autoridade divina que, estando na mensagem profética original (dada por Deus através do profeta), passa para a comunidade dos crentes em gerações posteriores. Isso é contrário ao verdadeiro princípio da canonicidade, segundo o qual Deus determina a canonicidade e o povo de Deus simplesmente descobre o que ele determinou e inspirou.

7. Essa postura de aceitar a canonicidade de textos que teriam sido reescritos ocasiona a aceitação do engano como sendo um meio para a comunicação divina. Essa teoria afirma que a mensagem ou livro, que reivindica ter provindo de um profeta (tal como Isaías ou Daniel), na verdade não proveio dele em sua totalidade, mas sim de redatores posteriores.

8. Tal postura confunde ainda a legítima atividade dos escribas - que envolvia o zelo pelas formas gramaticais, a atualização de nomes e a fidelidade ao conteúdo profético - com alterações ilegítimas de conteúdo, feitas sobre os escritos da mensagem de um profeta.

9. A teoria de novas redações considera que houve textos do AT reescritos e inspirados em épocas posteriores, quando não havia mais profetas (ou seja, no quarto século a.C). Não pode haver textos inspirados, a menos que haja profetas. (Veja Geisler e Nix, A General Introduction to the Bible [Uma Introdução Geral à Bíblia], Moody Press, 1986, pp. 250-55.)


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As condições de Israel no deserto eram boas ou eles sofreram necessidades? Deuteronômio 2:7

PROBLEMA: Muitas passagens falam das privações no deserto (cf. Êx 16:2, 3; Nm 11:4-6). Entretanto, Moisés declara que Deus lhe disse: "cousa nenhuma te faltou"(Dt 2:7).

Foi Moisés ou o povo que escolheu os juízes? Deuteronômio1:13

PROBLEMA: Êxodo 18:25 declara: "Escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os constituiu por cabeças sobre o povo". Entretanto, Moisés disse ao povo que escolhesse os juízes (Dt 1:13).

SOLUÇÃO: As duas opções são corretas, conforme é indicado dois versículos depois, onde se lê que Moisés tomou os cabeças das tribos, e os fez cabeças sobre eles. O povo tinha escolhido os que seriam seus líderes, e Moisés os constituiu juízes. Assim, é correto dizer que tanto Moisés como o povo escolheram os juízes.

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Como poderiam estar presentes pessoas da geração anterior, se todas elas tinham morrido no deserto? Deuteronômio l:6ss

PROBLEMA: De acordo com Números 26:64-65, toda aquela geração incrédula de israelitas morreu no deserto, sendo que "nenhum houve dos que foram contados por Moisés" que tenha sobrevivido para entrar na Terra Prometida. Entretanto, quando Moisés falou ao povo no final das peregrinações, ele mencionou repetidamente que eles mesmos tinham testemunhado os eventos ocorridos antes (cf. Dt 1:6,9,14; 5:2,5; 11:2, 7).

Como pôde Moisés ter escrito estas palavras se os críticos bíblicos declaram que este livro foi escrito muitos séculos depois? Deuteronômio 1:1



PROBLEMA: De acordo com este versículo, "são estas as palavras que Moisés falou"(Dt 1.1). Entretanto, muitos críticos afirmam que Deuteronômio foi escrito no terceiro século a.C, muito tempo após a época de Moisés.
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