Como isto pode ter sido escrito por Moisés, se há referência à terra da promessa, na qual ele não entrou? Deuteronômio 2:10-12


PROBLEMA: Moisés morreu antes da entrada na Terra Prometida, e foi enterrado fora dela, ao leste do rio Jordão (Dt 34). Mas esta passagem refere-se à "terra da sua possessão, que o Senhor lhes tinha dado", como sendo uma terra que Israel já possuísse na época em que foi escrita. Desse modo, tem-se a idéia de que Deuteronômio não poderia ter sido escrito por Moisés, como tradicionalmente é admitido.
SOLUÇÃO: Alguns eruditos declaram que estes versículos são parentéticos e que podem ter sido acrescentados posteriormente por um editor. Esta posição é plausível diante da brevidade dos versículos, do fato de estarem entre parênteses e da condição de Moisés ter sido enterrado antes de os filhos de Israel adentrarem a Terra Prometida (Dt 34:4-6). Esse fato era óbvio para todos os leitores. Entretanto, não há necessidade de se concluir que Moisés não escreveu estas seções, já que "a terra da sua possessão" pode simplesmente referir-se às dez tribos que já tinham recebido a sua possessão ao leste do rio Jordão, antes de Moisés morrer (Dt 3:12-17).

Conquanto os eruditos evangélicos em sua maioria reconheçam que pode haver pequenas e explanatórias alterações editoriais no texto, tais como atualizações de nomes, eles se opõem ao que os críticos afirmam com relação a Moisés não ter escrito os cinco primeiros livros do AT (com exceção de Deuteronômio 34). Estes versículos parecem ser não mais do que uma inserção explanatória, com vistas a leitores posteriores.

Os eruditos evangélicos destacam a diferença que há entre pequenas revisões editoriais, feitas em plena sintonia com o sentido originalmente dado pelo autor, e o que poderiam ser posteriores alterações na redação, contrárias ao sentido original do texto. O seguinte quadro ilustra as diferenças entre essas duas possibilidades:

POSIÇÃO EVANGÉLICA
POSIÇÃO DOS CRÍTICOS
Revisões editoriais
Nova redação
Mudanças gramaticais
Mudanças teológicas
Mudanças na forma
Mudanças em fatos
Transmissão da verdade
Distorção da verdade
Alteração no meio utilizado
Alteração na mensagem
Atualização de nomes
Revisão dos acontecimentos

Há sérios problemas com as reivindicações dos críticos segundo as quais os redatores posteriores alteraram o conteúdo do que tinha sido previamente redigido:

1. Isso é contrário à repetida advertência de Deus: "Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela" (Dt 4:2; cf. Pv 30:6; Ap 22:18-19).

2. A teoria de novas redações confunde a canonicidade com pequenas críticas textuais. A questão das alterações introduzidas pelos escribas de um para outro manuscrito de um livro inspirado é uma questão de crítica textual, e não de canonicidade.

3. Â teoria de "redatores inspirados" é contrária ao sentido dado pela Bíblia à palavra "inspirado" (2 Tm 3:16). A Bíblia não fala de escritores inspirados, mas apenas de escrituras inspiradas (o que foi escrito). Ainda, "inspirado" (theopneustos) não significa que algo foi "aspirado" pelos que escreveram, mas que lhes foi "soprado" diretamente o que escrever.

4. A teoria de novas redações contraria a posição evangélica de que apenas os textos originais são inspirados. Se apenas a versão final redigida é que foi inspirada, então a redação original não teria sido aquela "soprada" por Deus.

5. Uma nova redação inspirada eliminaria também o meio pelo qual toda palavra profética poderia ser testada por aqueles para quem ela foi dada.

6. A teoria de novas redações altera ainda a posição da autoridade divina que, estando na mensagem profética original (dada por Deus através do profeta), passa para a comunidade dos crentes em gerações posteriores. Isso é contrário ao verdadeiro princípio da canonicidade, segundo o qual Deus determina a canonicidade e o povo de Deus simplesmente descobre o que ele determinou e inspirou.

7. Essa postura de aceitar a canonicidade de textos que teriam sido reescritos ocasiona a aceitação do engano como sendo um meio para a comunicação divina. Essa teoria afirma que a mensagem ou livro, que reivindica ter provindo de um profeta (tal como Isaías ou Daniel), na verdade não proveio dele em sua totalidade, mas sim de redatores posteriores.

8. Tal postura confunde ainda a legítima atividade dos escribas - que envolvia o zelo pelas formas gramaticais, a atualização de nomes e a fidelidade ao conteúdo profético - com alterações ilegítimas de conteúdo, feitas sobre os escritos da mensagem de um profeta.

9. A teoria de novas redações considera que houve textos do AT reescritos e inspirados em épocas posteriores, quando não havia mais profetas (ou seja, no quarto século a.C). Não pode haver textos inspirados, a menos que haja profetas. (Veja Geisler e Nix, A General Introduction to the Bible [Uma Introdução Geral à Bíblia], Moody Press, 1986, pp. 250-55.)


MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 
Norman Geisler - Thomas Howe.

1 comentários:

Anônimo disse...

se não é pra acrescentar ou modificar nada na bíblia porque nesse bendito catolicismo aconteceu isso? ¬¬

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