O Conhecimento Que dá a Vida Eterna

Por Wagner S. Cunha


Na noite de sua agonia, e poucas horas antes de sua paixão, o Senhor Jesus , no cap. 17 do evangelho de João, proferiu o que tem sido comumente chamado, há quase cinco séculos pelos cristãos , de "Oração Sacerdotal do Senhor”, pois nela o Senhor ora por: Sua própria glorificação, proteção, santificação, unidade, e glorificação definitiva dos crentes.

Ao perscrutar esse belíssimo capítulo de João 17, Filipe Melanchton (1497-1560), alemão, teólogo da reforma, amigo de Lutero, conseguiu expressar o ponto de vista que os servos de Deus, em todos estes séculos de cristianismo, possuem a respeito dessa passagem bíblica: “nenhuma voz já se ouviu na terra, ou no céu, com maior arrebatamento, nem mais santa, mais frutífera, mais sublime, do que a do próprio Filho de Deus nesta oração”.

O texto de João 17 apresenta ainda argumentos incontestáveis acerca da deidade de Cristo. Por esse motivo, vários grupos religiosos heréticos do passado (como os Socinianos) e do presente, como as Testemunhas de Jeová (sucessoras dos Socinianos) esforçam-se arduamente para pervertê-lo. É bem provável que você tenha ouvido inúmeras vezes as TJs citarem João 17: 3 em conexão com o oferecimento de um “um estudo grátis da Bíblia”. Por essa razão, é importante que conheçamos os principais erros que elas cometem acerca desse texto. Isso nos auxiliará a compreender o conceito de salvação adotado pelas TJs.

Alterando o Texto

Excetuando-se a Tradução do Novo Mundo (das TJs) o versículo 3 de João 17, na maioria da traduções e versões da Bíblia, tem o seguinte conteúdo “... que te conheçam, o único Deus verdadeiro...”(NVI – Sociedade Bíblica Internacional).

Já a TNM adota a seguinte tradução “... que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro,...”(TNM – Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados). Por que essa tradução esdrúxula do verbo grego – ginosco (conhecer) por “absorver conhecimento"

Em um artigo de A sentinela, 01/03/1992, p. 23 - O Que Significa “Absorver Conhecimento de Deus e de Jesus”, as TJs tentam sustentar esta inserção (como usualmente costumam fazer com outros versículos que depõem contra suas doutrinas), citando fora do contexto vários eruditos bíblicos, com o intuito de dar um toque de erudição a sua forma racionalista e incorreta de ver o versículo. Um dos citados é o dicionarista W. E. Vine em a Expository Dictionary of New Testament Words, VII p. 297 a 299, onde “GINOSKO significa estar assimilando conhecimento, chegar a conhecer, entender completamente.” 

Assim, as TJs estão limitando a definição e uso do vocábulo, que é analisado por W. E. Vine nas páginas seguintes, forçando a noção de que o conhecimento mencionado no versículo é meramente doutrinário; entretanto, o dicionarista W. E. Vine, na página 298 da obra mencionada continua: “No N.T. Ginosco freqüentemente indica uma relação entre a pessoa que está conhecendo e o objeto conhecido...” Vine prossegue: “Tal conhecimento é obtido não por mera atividade intelectual, mas pela operação do Espírito Santo resultante da aceitação de Cristo.” 

O conhecimento a que João em seu evangelho se reporta é portanto espiritual; é travar um relacionamento íntimo e pessoal com Deus, compreendendo amor, apreço e comunhão (I Jo 4:7,8). Naturalmente, esse texto implica ter algum conhecimento doutrinário, mas a ênfase que encontramos é decididamente diferente das suposições racionalistas apresentadas pelas TJs.

Outro ponto fundamental que encontramos nesse versículo é que tal conhecimento é revelado e personificado em Jesus Cristo. Ele mesmo é Deus manifestado na carne (Jo 14: 6-9; I Jo 2.23). Conhecimento do Revelador é o mesmo que o conhecimento do Deus que é revelado. Formidável é a reflexão que Robert Bowman, em seu livro (“Por que Devo Crer na Trindade”, p. 127, 128, Editora Candeia, 1996) faz de João 17:3. Ele diz: “Isso seria estranho se Jesus fosse simplesmente o mais sublime entre todos os seres criados, mas apropriado se, conforme já comprovamos, Jesus é Deus... Se o Filho fosse uma criatura, deveria ser possível conhecer a Deus à parte daquela criatura. Mas ninguém o pode, porque Jesus é Deus.” É impossível conceber como o mensageiro podia ser um Revelador adequado de uma pessoa, de cuja natureza não participa.

Semelhança com os Gnósticos

Em sua ênfase sobre o conhecimento doutrinário, como a chave para a vida eterna, em detrimento de um relacionamento com Deus (Jo 5: 39,40), as TJs se assemelham ao gnosticismo. A seita gnóstica surgiu nos primórdios do cristianismo. Em sua forma original, estava arraigada no judaísmo, mas por fim o movimento tornou-se sincretista, mesclando elementos judaicos, doutrinas cristãs e idéias pagãs. Seus adeptos arrogavam possuir um conhecimento mais profundo das coisas divinas do que o que se poderia obter entre os crentes comuns. A idéia de uma simples mensagem como a “morte, sepultamento e ressurreição de Cristo” (I Co 15:1-4) era ofensiva para os gnósticos. Eles sentiam que uma verdadeira religião deveria oferecer algo mais para o intelecto. A simplicidade da mensagem evangélica “Jesus salva” era escândalo para os judeus e loucura para os gregos (I Co 1: 18-25).

Em 1979, durante a reunião matinal, na sede mundial das TJs, no Brooklyn – NY, um de seus principais líderes, Frederick W. Franz (1893-1992) disse a seguinte frase sobre a mensagem do evangelho encontrado em I Co 15:3,4 – “Alimento para crianças, não é a mensagem para os dias de hoje”. Trágica e infeliz declaração!

As TJs passam longas horas na busca do “conhecimento exato”, lendo e relendo as palavras de seus líderes, “sempre aprendendo, mas nunca são capazes de chegar ao conhecimento da verdade” (II Tm 3.7). Sua maneira de conhecer a Deus é superficial e insípida. Não é a maneira filial em que a Graça Salvadora de Nosso Pai Celeste se manifesta em Cristo Jesus para conosco em afeição pessoal, ação redentora.

Fonte: Defesa da Fé

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