Não erra a Bíblia ao falar de uma sólida abóbada celestial sobre a terra? Jó 37:18

PROBLEMA: Jó fala que Deus estendeu "o firmamento, que é sólido como espelho fundido" (37:18). De fato, a palavra hebraica para "firma­mento" (raqia), que foi criado por Deus (cf. Gn 1:6), no dicionário he­braico é definida como um objeto sólido. Mas isso está em total conflito com o atual entendimento científico de que o espaço não é sólido e de que é altamente vazio.

SOLUÇÃO: É verdade que originalmente a palavra hebraica raqia significava um objeto sólido. Entretanto, o sentido não é determinado pela origem da palavra (etimologia), mas pelo uso. Quando referindo-se à atmosfera sobre a terra, "firmamento" com certeza não significa algo sólido. Isso é evidente por várias razões. Primeiro, a palavra raqia (forjar, desenrolar) é traduzida corretamente em algumas versões como o verbo "expandir". Assim como o metal se expande e se afina quando batido (cf. Êx 39:3; Is 40:19), assim é o firmamento.

Segundo, o sentido básico de "desenrolar" pode ser usado indepen­dentemente de "forjar", como ocorre em várias passagens (cf. Sl 136:6; Is 42:5; 44:24). Isaías escreveu: "Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz" (Is 42:5). Este mesmo verbo é empregado com o significado de estender cortinas ou tendas dentro das quais morar (o que não teria sentido algum se o verbo se referisse a uma ação que não deixasse espaço interior para nele a pessoa ficar). Isaías, por exemplo, falou que o Senhor "está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar" (Is 40:22).

Terceiro, a Bíblia menciona a chuva que cai do céu (Jó 36:27-28). Mas isso não teria sentido se o céu fosse uma abóbada metálica. Nem a Bíblia menciona buracos nessa abóbada metálica pelos quais a água passaria, caindo em forma de gotas. Ela fala, é claro, com uma linguagem figurada quando diz que "as comportas dos céus se abriram" (Gn 7:11), quando aconteceu o dilúvio. Mas essa expressão não é para ser tomada literalmente, da mesma forma como não tomamos de modo literal a seguinte frase dita por alguém: "estavam ali cinco gatos pingados".

Quarto, o relato da criação em Gênesis fala de aves que voam "sobre a terra, sob o firmamento dos céus" (Gn 1:20). Mas isso seria impossível se o céu fosse sólido. Assim, é mais apropriado traduzir raqia como o verbo "expandir" (como o faz a NVI), cujo sentido não conflita com o conceito de espaço da ciência moderna.

Quinto, mesmo que tomada literalmente, a afirmação de Jó (em 37:18) não diz que os céus são um "espelho fundido", mas apenas que eles são "como um espelho fundido". Em outras palavras, trata-se de uma comparação que não é para ser tomada de forma literal. E o mesmo caso da comparação feita quando o texto diz que Deus é realmente uma Torre forte (cf. Pv 18:10). Além disso, o ponto de comparação em Jó não é a respeito da solidez dos "céus" e do espelho, mas da sua durabilidade (cf. a palavra chazaq* no versículo 18).

Assim, quando tudo isso é levado em consideração, não há evidência de que a Bíblia esteja afirmando que o firmamento é uma abóbada metálica. E, portanto, não há conflito algum com a ciência moderna.


* Este termo, em vez de ser traduzido como sólido, pode significar também "forte" ou "firme": estendeste... os céus, que estão firmes como espelho fundido" (SBTB) (N. do T.)

MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - 
Norman Geisler - Thomas Howe.

3 comentários:

Analice disse...

Gênesis 11:
4 E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, [...]

Hélio S.Júnior disse...

Um dos erros que as pessoas cometem ao interpretar a Bíblia é: esquecer-se de que a Bíblia faz uso de uma linguagem comum, não-técnica.

Para que algo seja verdadeiro, não é necessário fazer uso de uma linguagem erudita, técnica ou, assim chamada, "científica". A Bíblia foi escrita para pessoas comuns de todas as gerações, e, portanto, emprega a linguagem comum, do dia-a-dia. Q uso de uma linguagem não-científica não vai de encontro à ciência, pois ela é anterior à ciência. As Escrituras foram escritas em tempos antigos, com padrões antigos, e seria algo anacrônico impor sobre elas padrões científicos modernos. Contudo, não é menos científico falar que "o sol se deteve" (Js 10:13) do que se referir ao "nascer do sol" (Js 1:15). Ainda hoje os meteorologistas mencionam todo dia sobre a hora do "nascer" e do "pôr-do-sol".

tiagoalvespereira disse...

a ciência é mais velha que o gibíblia

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